México

Líder, Veracruz luta para não ser “tubarão paraguaio”

O grande equilíbrio existente no futebol mexicano é tema para debates, discussões e até mesmo teses. Com um nivelamento que beira o absurdo, ainda que alguns times tenham muito mais poder de contratação/atração que outros, as chances de que clubes pequenos/médios surpreendam são grandes. E o início do torneio Apertura vem demonstrando essa possibilidade de forma ainda mais clara com seu atual ponteiro, o Veracruz.

Favoritos no papel, América, Cruz Azul, Monterrey e Tigres oscilam nesse início de temporada, amargando posições intermediárias e longe de atuações convincentes. Alguns times presentes na briga pelo topo não se enquadram exatamente na categoria de “favoritos”, mas ainda assim fazem por merecer o posto pelo bom desempenho nos anos recentes, casos de Morelia, Santos, León e Pachuca. O líder, contudo, é uma grande surpresa, que desafia as lógicas do futebol.

Fundado em 1943, o Tiburones Rojos de Veracruz teve um início animador, conquistando duas vezes o título nacional na mesma década (1947 e 1950) e brigando em pé de igualdade com os grandes do futebol azteca. Após oscilar entre idas e vindas da segunda divisão local nas décadas seguintes, o clube entrou em uma crise profunda no fim dos anos 2000, sendo rebaixado em 2008 e chegando ao ápice de ser desfiliado pela Femexfut em 2011 pela falta de pagamento aos seus atletas.

A salvação para a permanência do clube na Liga de Ascenso veio por meio da unificação do clube ao rival Albinegros de Orizaba, em acordo mediado pelo governo do estado de Veracruz. Mais do que isso, mesmo sem em nenhum dos cinco anos passados no segundo nível nacional os Tiburones terem chegado perto da briga pelo acesso, o clube foi beneficiado pela virada de mesa realizada pela FMF ao final da última temporada para manter o Querétaro na elite, que realocou o La Piedad para Veracruz, extinguiu a antiga franquia que obteve a promoção e jogou no colo do Tiburón a vaga na Liga MX.

Mesmo com todas as benesses, as perspectivas para o retorno ao topo do futebol azteca eram sombrias para o Veracruz. Com um time completamente remodelado, utilizando uma base (praticamente desmontada) de um clube recém-promovido, com muitas contratações de qualidade duvidosa e inúmeras apostas, nem mesmo o mais fanático dos torcedores acreditaria em um desempenho consistente nesse início de temporada.

Pois ele veio. Depois de um empate na reestreia na Primera División frente ao também novato Chiapas, em casa, o clube emendou triunfos sobre Atlante e Chivas, fora de casa, e bateu o atual vice-campeão Cruz Azul, em Veracruz, no último fim de semana. Encontrando um entrosamento inesperado na largada do Apertura, o Cardumen aproveitou a irregularidade dos favoritos para manter a ponta com o triunfo e surpreender torcedores e especialistas.

Sob o comando de Juan Antonio de Luna, técnico de passagens rápidas por América, San Luis e Tijuana, o elenco quase não tem estrelas. Composto em boa parte por “carregadores de piano”, em sua maioria descartados pelos demais clubes da elite azteca, como os defensores Adrián Cortés e Óscar Mascorro e os meias Jehu Chiapas e Christian Marrugo, o conjunto vem dando liga graças, principalmente, à única contratação com pinta de estrela.

Formado na base do América, Ángel Reyna estourou tarde no futebol mexicano. Depois de passagens quase sem brilho por San Luis e Necaxa, voltou ao Azteca para se consolidar como meia-atacante de potencial e conseguir vaga na seleção nacional. Depois de temporadas apagadas por Monterrey e Pachuca, foi contratado como grande esperança do refundado Veracruz e vem correspondendo de forma brilhante. Em quatro partidas, foram sete gols e uma assistência. Com participação direta em 73% dos gols do líder e melhor ataque do campeonato, Reyna já soma o melhor início de um atleta mexicano na Liga MX no século XXI.

O líder isolado, contudo, é mais do que uma surpresa. É um acidente por completo. Um perfeito exemplo de como, muitas vezes, o futebol está distante de fórmulas de sucesso definitivas, como planejamento, entrosamento ou grandes esquadrões. Ainda que o campeonato esteja apenas em seu início, somar pontos com essa voracidade como vem fazendo o Veracruz pode ser excelente para as pretensões iniciais do clube de permanecer no topo após o fim da temporada. Esse ainda é o objetivo maior do Tiburones. O título ainda é um sonho distante. Assim como liderar o Apertura logo em seu retorno à elite também o era até bem pouco tempo atrás.

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 3ª rodada do Apertura: William Yarbrough (León), Paul Aguilar (América), Oscar Mascorro (Veracruz), Javier Gandolfi (Tijuana) e William Paredes (Puebla); Miguel Layún (América), Ángel Reyna (Veracruz), Diego Olsina (Tijuana) e Jefferson Montero (Morelia); Wilberto Cosme (Querétaro) e Dorlan Pabón (Monterrey); T: Juan Antonio Luna (Veracruz);

– Seleção do site Mediotiempo da 4ª rodada do Apertura: Oswaldo Sánchez (Santos), Jorge Iván Estrada (Pachuca), Oswaldo Alanís (Santos), Enrique Pérez (Morelia) e Jorge Torres Nilo (Tigres UANL); Rubens Sambueza (América), Ángel Reyna (Veracruz), Jehu Chiapas (Veracruz) e Damián Álvarez (Tigres UANL); Héctor Mancilla (Morelia) e Oribe Peralta (Santos); T: Juan Antonio Luna (Veracruz); 

Guatemala

– Iniciando a temporada como terminou, o Comunicaciones estreou no Apertura com uma boa vitória fora de casa frente ao Heredia, adversário derrotado na decisão do Clausura nacional. Quem também venceu na estreia foi o Municipal, que superou o Malacateco, em casa, pelo placar mínimo e busca se recuperar da péssima campanha na primeira parte do ano. A liderança provisória, entretanto, fica com o Suchitepéquez, que goleou o Xelajú por 4×1 e está na frente graças ao saldo de gols;

El Salvador

– Na rodada inicial da Liga Mayor, um gol solitário do jamaicano Sean Fraser, de volta após passagem apagada pelo futebol mexicano, foi suficiente para dar a vitória ao Alianza sobre o UES e a liderança da Primera División aos Escarlatas. Isso por que todas as demais partidas terminaram empatadas, incluindo a do atual campeão, Luis Ángel Firpo, que visitou o rival Águila no Derbi Oriental e arrancou um empate por um gol.

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