México

Libertad, campeão com folga

Quando a Libertadores começou, não eram poucos os que consideravam o Libertad como favorito do Grupo 8, considerado o mais forte da competição. Meses depois, os gumarelos foram eliminados com apenas três pontos, enquanto que outras duas equipes da chave – LDU Quito e Fluminense – estão na final do torneio. Sinal do fracasso liberteño? Sim, mas é preciso relativizar.

Na competição internacional, o time paraguaio nunca encontrou seu caminho. Perdeu as duas primeiras partidas, ambas fora de casa, e acabou se complicando. Precisando recuperar-se dos pontos perdidos, o Libertad se perdeu e sentiu o baque em um torneio de alto nível. A realidade do Campeonato Paraguaio, porém, era outra. Diante de adversários frágeis e dois grandes em crise de identidade, o cambaleante Libertad tinha forças para se manter como potência.

A base é mais que sólida para os padrões guaranis. Balbuena, Benítez, Cardozo e Vera formam uma defesa confiável. O volante Victor Cáceres é uma as melhores promessas do Paraguai para o meio-campo e tem a seu lado o experiente uruguaio Pouso e o colombiano Marín. No ataque, Dante López dá força física e experiência internacional, mas tem bons coadjuvantes, como Samudio e Roberto Gamarra.

Essa estrutura foi montada nos últimos dois anos, quando a equipe foi dirigida por Gerardo Martino (atual treinador da seleção paraguaia). Com isso, havia confiança para administrar a superioridade diante dos concorrentes paraguaios. O único time que representou alguma resistência foi o Nacional, que merece crédito pelo bom futebol que mostrou com orçamento pequeno, mas jamais passou a sensação de que teria fôlego para acompanhar o ritmo dos gumarelos.

Foi o que ocorreu. Depois de ficar apenas um ponto atrás dos alvinegros por algumas rodadas, o Nacional começou a perder terreno. A duas rodadas do final, o Libertad tinha seis pontos de vantagem e um jogo adiado por realizar. Foi justamente nesta partida, contra o Olímpia, que o título se confirmou. Os liberteños ignoraram a tradição do adversário e venceram por 2 a 1, abrindo nove pontos sobre o vice-líder.

Com o título, o Libertad tem lugar na final da temporada, contra o vencedor do Clausura. Nas duas últimas rodadas, os repolleros enfrentam Nacional e Tacuary apenas por formalidade. O Nacional já tem o vice-campeonato, pois tem 7 pontos a mais que o Cerro Porteño, terceiro colocado.

Peñarol leva Clausura em festival de gols

A camisa pesou. O River Plate tentou, voltou a apresentar seu futebol ofensivo e ousado, mas soçobrou no momento decisivo diante de um ascendente Peñarol. Assim, uma vitória por 3 a 1 se transformou em uma derrota por 5 a 3. E os carboneros ficaram com o título do Clausura uruguaio.

Foram dois tempos absurdamente distintos. No primeiro, o River Plate foi incisivo. Robert Flores, Giménez, Montelongo, Souza e Urretavizcaya se movimentaram muito, abrindo as jogadas pelas pontas e trocando passes com velocidade. A defesa peñarolista não conseguiu encaixar a marcação e permitiu que os darseneros fizessem gols com facildiade até constrangedora.

O que o time de El Prado não contava era com a capacidade de recuperação de um time que reencontrou sua grandeza. Os volantes Pacheco e Román conseguiram reter a criação do River e deram condições que os jogadores do meio para a frente do Peñarol brilhassem. Estoyanoff foi o condutor das jogadas para Correa, mais móvel, e Bueno, a referência ofensiva.

Os manyas empataram com relativa velocidade. O River Plate fez 3 a 1 aos 39 minutos do segundo tempo. O jogo ficou em 3 a 3 aos 12 minutos do segundo tempo. A reação peñarolista desestabilizou os darseneros. O técnico Juan Ramón Carrasco colocou o centroavante Revetria no lugar do meia Giménez. O time perdeu articulação e se tornou presa ainda mais fácil. Tanto que JR tirou Revetria por indisciplina tática apenas 18 minutos depois. Mas, aí, o placar já estava em 4 a 3 para o Peñarol.

Nos minutos finais, o River Plate se atirou ao ataque. Sem sucesso. Os carboneros já estavam com embalo, um time confiante e a torcida que lotou o Centenário empurrando. Tanto que ainda fez o quinto gol a 7 minutos do fim.

Pelo momento por que passa, o Peñarol é mais forte para os confrontos com o Defensor Sporting (campeão do Apertura) pelo título absoluto da temporada. O problema é que a vantagem está com os violetas. Os carboneros precisam vencer o campeão do Apertura (Defensor) na “semifinal” para ter direito a enfrentar o time de melhor campanha no ano (também o Defensor). É como se os violetas tivessem duas chances de perder, enquanto o Peñarol tem apenas uma.

Ainda que sejam mais fortes, vencer três vezes seguidas uma equipe descansada e bem montada não será fácil para os manyas. O que coloca os violetas com um ligeiro favoritismo.

Copa Sul-Americana (um pouco) melhor

É até difícil dizer isso, mas a Conmebol fez uma coisa certa. Nesta semana, a entidade realizou o sorteio das chaves da Copa Sul-Americana 2008. Além disso, anunciou mudanças no regulamento da competição. Nada muito profundo, mas as alterações deixam o torneio um pouco mais lógico e com caráter internacional mais evidente.

Um dos principais problemas da Sul-Americana era começar com cara de torneio local. Brasileiros e argentinos só enfrentavam seus conterrâneos, enquanto que as equipes dos outros países disputavam chaves com times de países vizinhos. Até o torneio ficar com jeitão de competição internacional, que é o que motiva torcedores e jogadores, muita gente já havia caído fora.

Para 2008, a Conmebol decidiu, na prática, aumentar o torneio em uma fase. Até o ano passado, a Sul-Americana tinha grupos locais e só misturava equipes dos diversos países a partir das oitavas-de-final. Agora, a competição já se internacionaliza na 1/16 de final. Além disso, as equipes com melhor índice técnico de cada país já têm vagas direto nesta fase. Apenas os times mais fracos jogam a etapa preliminar. Com isso, mexicanos e o convidado da Concacaf entram mais cedo no torneio.

É verdade que ainda há problemas. A inflação de representantes brasileiros e argentinos obriga a entidade a manter o sistema de uma fase com confrontos nacionais com as equipes destes dois países. Seria melhor, por exemplo, ter apenas quatro times brasileiros e outros quatro argentinos e colocá-los com times estrangeiros logo na primeira fase. Mas, aí, é questão política e econômica, o que também mantém fenômenos como os convites a Boca Juniors e River Plate.

Ainda há muito o que melhorar, mas até que alguns passos positivos foram dados.

Veja como ficou a tabela das primeiras etapas da competição:

FASE PRELIMINAR
Uruguai 2 x Universidad Católica (CHI)
Unión Maracaibo (VEN) x América de Cali (COL)
Universitario (PER) x Equador 2
Olímpia (PAR) x Blooming (BOL)

PRIMEIRA FASE (1/16 DE FINAL)
Uruguai 1 x Libertad (PAR)
LDU Quito (EQU) x Bolívar (BOL)
Unión Maracaibo/América de Cali x Deportivo Cali (COL)
Ñublense (CHI) x Sport Ancash (PER)
Uruguai 2/Universidad Católica x Olimpia/Blooming
Aragua (VEN) x Chivas e Guadalajara (MEX)
San Luis (MEX) x Universitario/Equador 2
Arsenal (ARG) x Motagua (HON)
Argentina 4 x Estudiantes (ARG)
Argentina 3 x San Lorenzo (ARG)
Atlético-PR (BRA) x São Paulo (BRA)
Internacional (BRA) x Grêmio (BRA)
Vasco (BRA) x Palmeiras (BRA)
Botafogo (BRA) x Atlético-MG (BRA)
Boca Juniors e River Plate já têm classificação automática para as oitavas-de-final

Obs.: a) Uruguai 1 e 2 serão definidos na Liguilla, que será disputada por Defensor Sporting, River Plate, Nacional, Peñarol, Rampla Juniors e Danubio; b) Equador 2 é o vencedor do primeiro turno de 2007, liderado com folga pelo Deportivo Quito; c) Argentina 3 e 4 serão definidos neste fim-de-semana, com o final da temporada 2007/8. Independiente, Argentinos Juniors, Vélez Sársfield e Tigre estão na disputa.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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