Juventude brasileira no México

Na coluna dessa semana, você vai conhecer um pouco mais sobre Lucas Baldín, jovem brasileiro de 19 anos, que joga no Atlético Mexiquense, representante do Deportivo Toluca nos campeonatos das categorias de base.
Lucas fala sobre sua adaptação e a preparação dos jovens no México e depois fala sobre a possibilidade de uma transferência para o futebol universitário dos Estados Unidos.
Bom, a maioria dos brasileiros não te conhecem. Então se apresente e conte como você foi parar no México.
Bom, meu nome é Lucas Baldin. Tenho 19 anos e, atualmente, jogo no time sub-20 do Deportivo Toluca. Nasci em Taubaté, interior de São Paulo, mas, pelo trabalho do meu pai, mudei de cidades e estados muitas vezes. Quando eu tinha 13 anos e estava jogando na divisão de base do Vitória-BA, meu pai foi transferido para o México. Cheguei ao México e joguei dois anos pela Escola de Futebol do Real Madrid. Lá, um treinador me viu jogar e me levou para o Cruz Azul. Joguei um ano pelo time sub-16 dos “cementeros”, mas acabei me desvinculando já que no nível seguinte, os estrangeiros não podiam jogar. Aos 17 anos, treinei com o time profissional B do Atlante, Potros Chetumal. Mas depois de um mês, um representante me levou para o sub-20 do Toluca.
Foi muito difícil adaptar-se ao futebol mexicano?
No começo foi difícil sim, principalmente pela altitude. Outro fator que eu estranhei um pouco foi que futebol mexicano é um pouco mais rápido que o futebol brasileiro. São poucos os jogadores que dão aquela pausa necessária, como é o caso do Antonio Naelson “Sinha”, capitão do Toluca e brasileiro naturalizado mexicano. Os técnicos gostam de explorar os meios-de-campo que jogam pelas laterais, fazendo com que o jogo seja muito dinâmico.
Como é o investimento dos mexicanos nas categorias de base?
Os times mexicanos têm categorias de base muito fortes. Atrevo-me a falar que quase da mesma magnitude das brasileiras. Se você parar pra pensar, nas ultimas vezes que o México enfrentou o Brasil em seleções de base, o México ganhou. Existem jogadores extraordinários aqui, mas como o futebol mexicano é uma grande atração para jogadores argentinos, chilenos, paraguaios, etc., pelos altos salários recebidos, algumas vezes são eles que acabam levando a melhor e nós, jogadores que estamos na base, sofremos um pouco com a falta de oportunidade.
Você acha que ter saído do Brasil tão cedo pode ser fundamental pra sua carreira?
Acho que sim, tanto positivamente como negativamente. Sempre gostei de pensar que cada um faz a sua história, independentemente do lugar que começar a jogar. “Chicharito” Hernandez acabou de sair do Chivas para ir jogar no Manchester United, assim como o Kaká saiu do São Paulo e foi pro Milan. Como todo jogador brasileiro, meu grande sonho é chegar a jogar em grandes clubes europeus e sei que, com fé em Deus e muita dedicação, eu posso alcançar os meus objetivos.
Você tem propostas do futebol universitário americano. Existe alguma diferença tão grande entre os dois tipos de desenvolvimento?
Receber propostas do futebol universitário americano é uma grande alegria pra mim. Poucos sabem, mas quase todos os jogadores da MLS saem do “college soccer”. O nível da competição é muito alto. Em minha opinião, há principal diferença é que enquanto no México sobem para o profissional os jogadores que o time da Primeira Divisão precisa (por exemplo, se o time está carente de zagueiros, eles sobem um zagueiro), nos Estados Unidos, são selecionados para o MLS SuperDraft e sobem para a MLS, simplesmente, os melhores jogadores da temporada. Eu acho que esse é um grande ponto a favor do futebol americano e, para mim, são esses detalhes que estão fazendo a terra do tio Sam crescer cada vez mais no futebol.
Continuando a questão México x EUA: Qual das duas ligas profissionais tem a sua preferência?
Essa é uma pergunta bem difícil. Cheguei quando adolescente ao México, então sou um jogador mexicano com habilidade brasileira. Gosto muito de jogar aqui. A paixão pelo futebol paralisa o país. Mas a liga americana está evoluindo muito rápido em pouco tempo, principalmente com grandes atrações como Henry, Márquez e Beckham. Acho que, entre essas duas ligas, não tenho uma preferida. Mas fico muito feliz com a possibilidade de jogar em uma das duas.



