Jogando o básico

Tranquilidade inesperada. Assim pode ser definido o atual momento do Pumas no futebol mexicano. Com uma vitória e um empate na primeira semana com rodada dupla (ainda que com número menor de partidas, em virtude da Concachampions), os felinos tiveram o melhor desempenho e mesmo com o complemento da rodada só podem ser alcançados pelas Chivas de Guadalajara.
No meio da semana, a terceira vitória em três partidas veio sobre o atual campeão continental (e detentor do último Apertura), Monterrey, no estádio Olímpico. No sábado, a la U arrancou um empate sem gols com o Guadalajara no Omnilife, com as duas equipes perdendo os 100% de aproveitamento. A despeito do resultado manter o tabu de três décadas sem vitórias dos de Pedregal em Guadalajara, foi a consolidação do estilo pouco exuberante, mas eficiente de vencer, que parece ter sido adotado pela UNAM.
O 4-4-2 utilizado por Guillermo Vázquez, que pode ser alterado para o 4-3-3 com a subida de Palencia ao ataque, conta com a vantagem de sofrer poucas alterações em relação aos nomes que compunham o grupo campeão do Clausura na primeira metade do ano, algo que fortaleceu os felinos no início do Apertura.
Com Verón, Palacios, Velarde e Fuentes, além da ótima forma do goleiro Alejandro Palacios o setor de retaguarda mostra segurança e confiabilidade da defesa menos vazada da competição. E surpeende com apenas um gol sofrido na competição. No meio, Cortés, Cabrera, Espinosa e Palencia marcam de maneira eficiente e atacam somente quando a defesa adversária abre espaços. No ataque, Bravo e Cacho ainda estão em dívida com as boas exibições, mas já contam com a sombra de Eduardo Herrera.
O grupo reduzido, fruto de poucas contratações e investimento quase que exclusivo na base, pode (e deve) complicar a situação do clube que irá disputar também a Concachampions, mas é algo já esperado pelos Auriazules. Tanto que o próprio presidente José Robles já deixou claro que a época será difícil e o título não deve ser considerado algo próximo já para essa temporada. A esperança no momento é depositada nos jovens e na consequente renovação forçada.
Talves até por essse pensamento o clube tenha alcançado a liderança. Os triunfos, conquistados com vitórias simples e sofridas, vem sendo a tônica da campanha. Já são duas vitórias conquistadas em casa (2×0 no San Luis e 2×1 no Monterrey, com gol do jovem Herrera já nos acréscimos) e um triunfo e um empate fora (1×0 no Morelia e 0x0 com o Guadalajara).
O destaque da equipe, fora o conjunto, é sem dúvidas a incrível fase pela qual passa o veterano meia/atacante Francisco Palencia. Aos 38 anos, Paco é a referência do time, posição garantida pela liderança na tabela de assistências e pela criação das melhores oportunidades dos universitarios. A jogada do primeiro gol contra os Rayados foi uma prova clara de que a idade parece melhorar o jogo de Chacha.
Surpreende a forma física de Palencia, mas preocupa o fato dos melhores nomes estarem perto da aposentadoria e já com idade avançada. A renovação do elenco é uma necessidade urgente, o que pode ser facilitado pelas poucas contratações.
A própria tabela de cumprimento da regra 20/11 mostra a alta taxa de utilização de jovens atletas felinos. Em quatro rodadas, o time é o terceiro que mais vezes colocou jovens em campo, superando até mesmo o Guadalajara, que tradicionalmente se destaca pelo forte investimento na base.
O porém fica por conta dos possíveis resultados abaixo do esperado e campanhas as quais os torcedores não estão acostumadas. Ainda mais com os quatro títulos nacionais nos últimos sete anos. A diretoria já aponta que manter a Superliderança (objetivo dos últimos torneios) não é o foco. E que uma classificação tranquila para a Liguilla estará de bom tamanho.
Se tiver pulso firme para enfrentar algumas turbulências e resultados irregulares, o Pumas pode renovar o elenco, garantir boas campanhas e se livrar das turbulências pelas quais passam os outros grandes América e Cruz Azul. Um caminho possível para a retomada da soberania em território azteca.



