México

Jalisco em crise

Nove partidas. Dois empates e sete derrotas. Quatro gols a favor e 16 contra. Esse é o saldo após as três primeiras rodadas do Clausura 2011 do campeonato mexicano dos três times de Jalisco, quarto estado mais populoso do país e um dos centros de referência do futebol azteca. Não à toa, Chivas, Estudiantes e Atlas ocupam, nessa ordem, as três últimas posições entre os 18 times que disputam a Primera División.

Por conta desse pífio desempenho, José Luis Salgado e Fernando Quirarte pediram as contas e deixaram Tecolotes e Chivas sem técnico após o fim de semana. A renúncia de Quirarte revoltou Jorge Vergara, que afirmou ter entregado uma Ferrari a “El Sheriff” e recebido um Volkswagen após a saída do último. O dono do Guadalajara ainda assumiu sua parcela de culpa por ter contratado para o cargo alguém que não estava preparado, segundo ele. Já o ex-treinador da seleção sub-20 mexicana, Juan Carlos Chávez, segue no cargo no Atlas, mas não sem a pressão característica de um time que começa a se desesperar na briga para fugir do descenso.

O desempenho dos técnicos, como um todo, de fato deixou a desejar. Em 26 partidas sob o comando da trinca, entre Apertura 2011 e Clausura 2012, foram 12 derrotas, oito empates e somente seis vitórias, em um decepcionante desempenho de apenas 33%. Chivas e Atlas, para piorar, não vencem uma partida desde outubro passado.

Mas é simplista demais afirmar que a maior parte da culpa pelos fracos desempenhos seja apenas dos treinadores. A Academia e a Autónoma ocupam os dois últimos postos na tabela de rebaixamento e, analisando o desempenho dos demais candidatos à queda, somente um desastre manterá os três times Jaliscienses na elite.

Se o Rebaño Sagrado não tem preocupações com o rebaixamento e mantém com regularidade boas campanhas e a conquista de títulos, tendo inclusive obtido a Superliderança no último Apertura, o mesmo não se pode dizer de seus rivais estaduais. Atlas e Estudiantes vêm penando para manter-se no topo. Os Tecos ainda alternaram boas campanhas, mas os Zorros entraram numa fase decadente que preocupa uma das torcidas mais fanáticas do país.

Contratações caras e sem resultados práticos, perda de talentos para times maiores ou até menores e economicamente mais fracos, desorganização administrativa e pouca capitalização da torcida são alguns dos problemas que atingem os times de Jalisco.

Desde o início da fase profissional do futebol azteca, o Atlas ficou apenas três anos longe da elite, sendo o quarto time com mais participações na história, enquanto o Estudiantes jamais foi rebaixado desde que ascendeu ao topo, em 1975.

O desafio agora é superar a má fase e reascender a briga, não mais com os rivais no estado, mas voltar à disputa de títulos, para fazer frente as demais equipes do país. Algo que os torcedores jaliscienses sempre foram acostumados e objetivo cada vez mais ameaçado pela situação atual.

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Equipe Trivela

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