México

Constantes trocas de cidade atrapalham o futebol mexicano

Característica marcante do futebol (e do esporte) moderno, o sistema de franquias, aplicado nos esportes profissionais norte-americanos é constantemente alvo de críticas, a despeito do sucesso econômico alcançado. Falta de identificação com seus torcedores e ausência de tradição e compromisso com a sede e sua população são alguns dos principais argumentos, referendados, principalmente, pela constante transferência de cidades e/ou estados. Uma realidade cada vez mais presente, também, no futebol mexicano.

O rebaixamento do Querétaro causou preocupações quanto a continuidade do funcionamento da franquia. Não há a certeza quanto a sua participação na Liga de Ascenso, custosa e deficitária. Por outro lado, Amado Yáñez, um dos  donos do clube, já declarou interesse em adquirir a propriedade de um dos participantes da elite, a fim de garantir a permanência dos Gallos Blancos na Liga MX a despeito de sua queda em campo.

Ainda que algumas críticas tenham surgido pela forma de manutenção prejudicar os critérios esportivos, o fato é que a instabilidade econômica de boa parte dos clubes médios e pequenos do futebol mexicano abre um vasto leque de opções de compra para empresários interessados em trazer para suas regiões clubes de futebol, até mesmo nos níveis mais altos. Clubes da primeira divisão como Jaguares e Puebla convivem com boatos de propostas cada vez mais presentes.

Até mesmo os proprietários do Chivas de Guadalajara, clube mais popular do pais e maior campeão nacional, já estipularam um valor para a agremiação, o estádio e seus demais patrimônios: 800 milhões de dólares. Ainda que as declarações tenham sido dadas com o objetivo de valorizar a marca ao listá-la entre as maiores do mercado, não é de hoje que a mídia azteca considera a venda do Campeonísimo ao empresário Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo.

Com grande oferta de clubes à venda, outro problema, talvez até mais preocupante, se faz cada vez mais presente no futebol mexicano: a troca de sedes. Não há garantias (e a Femexfut faz pouco esforço para tê-las) de que os empresários manterão as franquias nas cidades originais. O possível acesso do Neza, campeão do Clausura da Liga de Ascenso e em busca da vaga na elite, não garante aos habitantes de Nezahualcóyotl a chegada da cidade à Liga MX, já que o clube é um dos alvos de Yáñez, interessado em manter Querétaro na elite.

Mesmo sem estarem à venda e por motivos diversos, clubes como San Luis (Liga MX), Irapuato e La Piedad (Liga de Ascenso) também consideram a possibilidade de trocar de endereço. O que levanta a questão: até onde o torcedor deve apoiar o clube de sua cidade, se não há garantias de que o time fique por lá por lá?

A queda na presença de público após a mudança para Aguascalientes, por exemplo, é um dos motivos apontados para os dois rebaixamentos e a crise que vive o outrora grande Necaxa, hoje na segunda divisão nacional. É também esse o motivo apontado por muitos jornalistas mexicanos para o aumento na base de torcedores dos grandes locais, em detrimento dos times médios e pequenos. Sem garantias da permanência das franquias em seus municípios ou mesmo da existência delas por um longo período, é muito mais fácil (e seguro) para o torcedor optar pelo apoio aos já consolidados grandes times do país.

O que parece algo vantajoso à primeira vista, pode ser considerado insustentável a longo prazo. Sem times médios e pequenos estáveis e com base forte, a Liga MX pode ver freado o crescimento pelo qual passa nos últimos anos, bem como o avanço de seus clubes em âmbito continental e mundial.

Histórico de mudanças e extinções

Não é de hoje que os clubes aztecas estão sujeitos a trocas de comando, de sedes, falência, extinção ou fusão. Ainda que a Liga MX, primeiro nível do futebol no país, tenha alcançado alguma estabilidade nos últimos anos, graças ao incremento das receitas com direitos de transmissão das emissoras regionais e ao aumento no número de patrocinadores em geral, o cenário ainda é restrito às maiores forças do futebol local.

O panorama muda completamente entre os clubes menos tradicionais ou participantes dos níveis inferiores. Na Liga de Ascenso, equivalente à segunda divisão mexicana, a eliminação de clubes ou rebaixamento automático por falta de garantias financeiras tornou-se um problema constante. O desaparecimento de Hermosillo e Indios, este último com passagem recente pela primeira divisão, e as dificuldades enfrentadas pelo tradicional Veracruz acendeu o sinal de alerta da Federação Mexicana de Futebol (Femexfut), que passou a exigir garantias mais sólidas de seus membros e seus respectivos donos.

O desaparecimento de agremiações tradicionais não é algo recente no futebol mexicano. Clubes como Asturias, Real España, Tampico e Marte, campeões das primeiras edições da Primera División já não existem mais. Outros vencedores, como Zacatepec e Oro, enfrentaram problemas financeiros e hoje se dividem entre períodos de licenciamento e participações nas divisões inferiores do futebol azteca.

Considerada a principal força das Américas do Norte e Central, a nível de clubes e de seleção, o futebol azteca carece ainda de maior estabilidade financeira e diretiva para seus clubes, e não somente os grandes. A receita para estabelecer uma liga competitiva, com possibilidade de atrair estrelas e expansão internacional, passa necessariamente por uma fórmula que forneça garantias a investidores e, principalmente, torcedores. Sem isso, é muito provável que o domínio mexicano restrinja-se apenas ao continente. Ou, graças ao crescimento de outras ligas, nem isso…

Curtas

– Com duas vitórias no Clásico Capitalino (1×0 e 2×1) e atuação inspirada de “Chucho” Benítez, o América superou o rival Pumas UNAM e agora enfrenta na semifinal o atual campeão continental Monterrey, que eliminou o rival Tigres, com um triunfo (1×0) e um empate (1×1) no Clásico Regiomontano;

– Na outra semifinal, o Santos, que eliminou o Atlas (0x0 e 3×1), pega o Cruz Azul, embalado após eliminar o Morelia (4×2 e 0x1);

Costa Rica

– Com dois empates (1×1 e 0x0), o Cartaginés eliminou o Saprissa e fará a decisão do Campeonato de Verano da Primera División depois de 17 anos de ausência. Na fila há 73 anos, o clube de Cartago enfrentará o Herediano, dono de 22 taças nacionais, que eliminou o Pérez Zeledón após dois triunfos nas semifinais (4×3 e 1×0);

El Salvador

– Pelo playoff de desempate pelo quarto lugar, uma vitória mínima sobre o Santa Tecla deu ao Juventud Independiente a vaga nas semifinais do Clausura da Liga Mayor. E a Juve já surpreendeu o líder FAS na partida de ida: triunfo por 2×1, de virada. Na outra partida, o Alianza fez valer o mando de campo e bateu o Luis Ángel Firpo por 1×0;

Guatemala

– O Comunicaciones venceu o Mictlán fora de casa e aproveitou o tropeço do Malacateco, goleado pelo Marquense, para abrir 4 pontos de vantagem na ponta do Clausura da Liga Nacional. Os Albos somam 37 pontos em 19 partidas, contra 33 dos Toros e 32 dos Leones. Já o Municipal somou sua terceira vitória no torneio, sobre o Suchitepéquez, mas ainda segura a lanterna da competição, com 14 pontos;

Honduras

– Um gol de Diego Reyes deu a vitória à Real Sociedad na primeira partida da decisão do Clausura da Liga Nacional, frente ao Olímpia, que busca o inédito tricampeonato. No duelo de volta, basta um empate ao clube de Tocoa para conquistar seu primeiro título nacional;

Panamá

– San Francisco e Sporting San Miguelito farão a decisão do Clausura da Liga Panamenha. Enquanto os Monjes superaram o atual campeão Árabe Unido por 2×1 (após empate por 0x0 na ida), os Acadêmicos seguraram o 1×1 fora de casa frente ao Tauro, após triunfo no primeiro duelo.

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