México

Hora de comemorar – parte 2

Duas zebras confirmaram as boas campanhas no segundo semestre e dois favoritos mantiveram suas condições. Desse modo, a semana viu os inesperados títulos nacionais de Atlante e San José e as mais que naturais conquistas de Libertad e Caracas. Agora, só faltam ser conhecidos os vencedores em Chile, Peru e Colômbia. Para ver como foram as festas em Copa Sul-Americana, Interclubes da Uncaf, Equatoriano e Apertura uruguaio, clique aqui.

Hora de comemorar: ‘fiesta’ em Cancun
Parece história de filme de qualidade duvidosa. Um clube da comunidade indígena não consegue espaço entre as potências da cidade grande. Sem torcida, sem dinheiro e sem espaço na mídia, se muda duas vezes para cidades próximas, mas nada consegue. Até que aposta em algo completamente inusitado. Atravessa o país e vai buscar apoio em uma região que não tinha futebol profissional há décadas. Mais que isso: essa região foi abrigo de uma das civilizações nativas mais desenvolvidas das Américas, símbolo da força indígena. E, em cinco meses, o time era campeão nacional de modo incontestável.

Esse é, com algumas “licenças poéticas”, o enredo da jornada do Atlante no Apertura 2007 do México. O ex-quarto time da Cidade do México se mudou para Cancun, na península de Iucatã (onde viveram os maias), e teve o que tanto precisava: apoio da comunidade e torcida lotando o estádio. Ainda que seja uma torcida pouco enraizada (ou seja, ainda artificial), já era mais do que jogar diante de 3 mil pessoas na imensidão dos 100 mil lugares do Azteca.

O principal responsável por esse surpreendente sucesso foi o técnico José Guadalupe Cruz. Ex-jogador atlantista (ele fazia parte dos potros de hierro em 1992/3, quando o time conquistou o último título mexicano antes do atual), o treinador entendia a realidade do clube e montou uma equipe batalhadora, que tenta compensar a falta de investimento com determinação. Além disso, soube capitalizar com o inédito apoio das arquibancadas, transformando o estádio Andrés Quintana Roo em um alçapão para os adversários.

Isso ficou evidente na Liguilla (mata-mata). Contra o Cruz Azul, o Atlante resolveu a eliminatória sem tantas dificuldades, com duas vitórias. A partir das semifinais, a postura mudou. Fora de casa, o Atlante procurava congestionar o campo e impedir que o adversário construísse uma grande vantagem para a partida de volta. Aí, bastava aos potros manter o bom retrospecto em casa para passar de fase.

Foi assim com as Chivas de Guadalajara nas semifinais. Os tapatíos fizeram apenas 1 a 0 em casa e tentaram segurar o empate na base da retranca em Cancun. Mas o Atlante conseguiu o golzinho que precisavam para passar de fase (a melhor campanha na estapa de classificação lhe garantia a vantagem).

A final contra os Pumas de la Unam não foi diferente. Os universitários vinham em grande fase, apresentando um futebol bastante ofensvio e envolvente, mas não conseguiram passar por um enorme Federico Vilar. O goleiro atlantista realizou várias defesas milagrosas e mantendo o 0 a 0.

Na partida de volta, os Pumas dominaram as ações, mas também foram barradas por Vilar. Assim, abriram espaço na defesa e permitiram que o Atlante abrisse o marcador em um contra-ataque puxado pelo venezuelano Giancarlo Maldonado (destaque ofensivo da equipe). Os capitalinos chegaram a empatar, mas um chute de fora da área de Ovalle, aos 41 minutos do segundo tempo, deu o título ao Atlante.

A conquista foi um reconhecimento à campanha sólida do time de Cancun. Foram apenas três derrotas em toda a competição, o que permitiu aos potros de hierro que ficassem entre os três primeiros em toda a fase de classificação. Na decisão, superou três dos quatro clubes mais populares do México (só faltou o América). Sinal de que o time soube ir bem nos dois momentos do torneio.

Com o título, o Atlante tem lugar na Copa dos Campeões da Concacaf 2008, ao lado do Pachuca (campeão do Clausura). Na Libertadores 2008 já estão as Chivas. As duas outras vagas serão decididas em janeiro, na Interliga.

Hora de comemorar: arbitragem garante Libertad
De um lado, o time mais rico e de desempenho mais sólido do Paraguai. Do outro, o surpreendente campeão do Apertura que desfez sua base, perdeu o técnico e ficou entre os piores do Clausura. Não havia muitas dúvidas de quem era o favorito ao título paraguaio de 2007. E, de fato, essa tendência foi confirmada com o bicampeonato do Libertad.

De certa forma, foi mais difícil do que se imaginava. O Sportivo Luqueño mostrou que havia consistência em sua recuperação no returno do Clausura. Ainda que o time tenha ficado em 10º (de 12 participantes), perdeu “apenas” cinco dos 11 últimos jogos. É muito, mas os seis jogos com pontuação deram um pouco de confiança para a final que viria no final do ano.

Assim, no jogo de ida em Luque, os auriazules complicaram um duelo que se previa fácil para os liberteños. No primeiro tempo, Ortellado abriu o marcador para o time da casa, mas Pouso empatou com um gol irregular validado por Carlos Amarilla. Após o intervalo, o Luqueño partiu para o ataque ciente de que era a única chance que teriam de conquistar o título, mas não conseguiu desempatar o marcador. De qualquer modo, ficaram as reclamações por mais uma decisão da arbitragem em favor do Libertad (que, diga-se, é ligado a Nicolás Leoz).

No jogo de volta, o Libertad teve mais facilidade. A partida foi tecnicamente fraca e os poucos momentos de qualidade individual prevaleceram sobre a garra luqueña. O meia Cáceres fez os dois gols na vitória por 2 a 0, sendo que um, mais uma vez, foi em impedimento não marcado. Foi o 12º título do Libertad, que se consolida como terceira força paraguaia. O Olimpia tem 38 troféus e o Cerro Porteño, 27.

Hora de comemorar: como previsto, Caracas campeão
Líder durante quase toda a competição, o Caracas era candidato natural ao título do Apertura venezuelano. O que foi confirmado, deixando evidente que os rojos del Ávila reforçam sua condição de principal potência do crescente futebol da Venezuela.

O título só ficou em dúvida após uma derrota para o Monagas e um empate inesperado em casa contra o Deportivo Italia, o que permitiu a momentânea igualdade em pontos do Deportivo Anzoátegui. No entanto, a Justiça deu aos capitalinos os três pontos do jogo contra o Monagas e ficou muito difícil imaginar uma queda do Caracas nas duas últimas rodadas.

O título foi matematicamente assegurado com uma goleada por 5 a 1 sobre o Guaros de Lara, somada e um empate do Anzoátegui com o Italia. Um resultado que deixa cada vez mais claro como os caraqueños sobram em relação aos demais. A campanha no Aperutra foi invicta. Além disso, a equipe de Noel Sanvicente ficou com cinco dos sete títulos venezuelanos deste século.

Para o Caracas, o título é interessante na projeção para 2008. Com a vaga assegurada na final da temporada, em junho, os rojos podem se dedicar com mais atenção à campanha na Libertadores e deixar o campeonato nacional em segundo plano. Sinal de que pode pintar, novamente, uma zebra venezuelana na competição continental.

Hora de comemorar: carnaval antecipado em Oruro
Oruro é famosa na Bolívia por ter o carnaval mais animado e tradicional do país. Pois, neste fim-de-ano, a cidade verá uma grande festa por outro motivo: o título do San José. Os santos são considerados o clube de maior potencial não-atendido da Bolívia. O time alviazul é um dos mais populares do país, mas não tem conquistas compatíveis com essa grandeza, sobretudo por se inferiorizar diante das equipes de La Paz, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba.

Dessa vez, foi diferente. O San José fez uma campanha apenas regular durante a primeira fase, mas iniciou com muita força o hexagonal final e logo pulou na liderança, deixando os favoritos para trás. Assim continuou até a rodada final, quando tropeçou e permitiu a chegada do pequeno e também surpreendente La Paz. Foram necessários jogos extras. Aí, a tradição prevaleceu.

O La Paz foi melhor nas duas partidas. Em casa, vencia por 2 a 1 até Moyano empatar aos 47 minutos do segundo tempo. Em Oruro não foi diferente. Os paceños tomavam a iniciativa e colocavam os santos sob pressão, porém, falhavam no momento das conclusões. Assim, o gol solitário do brasileiro Alex da Rosa, marcado aos 32 minutos do primeiro tempo em uma as poucas oportunidades orureñas, foi o suficiente para dar o segundo título nacional ao San José (o primeiro foi em 1991).

Pela campanha a partir do hexagonal final, o San José até justificou sua conquista. Mas o título merecia mesmo ter ido ao La Paz. Segunda melhor campanha na primeira fase e melhor em campo nas duas finais, os azulgranas foram mais uma vítima de torneios de mata-mata. Mas, aí, também fica o demérito de não ter sabido decidir, exigência que está implícita no regulamento.

Para os clubes brasileiros, o título do San José pode ser visto como má notícia. Os dois times bolivianos já classificados para a Libertadores 2008 são Real Potosí e San José, dois times que atuam em altitudes maiores do que as da já temida La Paz (Potosí tem 3.967 m e Oruro está a 3.706 m acima do nível do mar). Assim, cruzar com um boliviano na Libertadores poderá ser bastante desgastante. Ainda que o nível técnico das equipes seja baixo.

CURTAS

BOLÍVIA
– A terceira vaga boliviana na Copa Libertadores 2008 será decidida entre Bolívar e La Paz.

CHILE
– O Colo-Colo venceu por 2 a 0 a Universidad de Chile no superclásico das semifinais do Clausura. Na outra chave, o Audax Italiano venceu a Universidad de Concepción por 3 a 2 fora de casa, mas perdeu por 3 a 1 em casa (gol decisivo nos acréscimos para os amarillos) e foi surpreendentemente eliminada.

COLÔMBIA
– Atlético Nacional e La Equidad farão uma final alviverde no Finalización. No Quadrangular A, o time de Medellín assegurou uma vaga na decisão ao terminar com 11 pontos, um a mais que o América de Cáli. No Quadrangular B, o surpreendente La equidad fez 12 pontos, quatro a mais que o Deportivo Pasto.

COSTA RICA
– Apertura costarriquenho nas semifinais: Saprissa x Alajuelense e Brujas x Herediano.

EQUADOR
– O título equatoriano já era da LDU Quito, mas faltava definir os outros dois times que teriam vaga na Libertadores. Não falta mais. Eles serão Deportivo Cuenca e Olmedo.

HONDURAS
– Marathón e Motagua farão a final do Apertura hondurenho. Eles eliminaram, pela ordem, Olimpia e Victoria nas semifinais.

MÉXICO
– O América confirmou a contratação do zagueiro argentino Sebastián “Sebá” Dominguez, ex-Corinthians. Ele estava no Estudiantes.

PARAGUAI
– O técnico argentino Gustavo Costas, ex-Cerro Porteño e Racing, foi anunciado como novo comandante do Olimpia.

PERU
– Falta uma rodada para o final do Clausura. Classificação: 1) Coronel Bolognesi, 33 pontos; 2) Universitario, 32; 3) Cienciano e Alianza Lima, 31; 5) Sport Ancash, 30. A disputa pela primeira posição é evidente e não há confrontos diretos. Mas há mais por trás.

– Teoricamente, o campeão do Clausura pega o vencedor do Apertura para definir o campeão do ano. Mas isso só ocorre se o campeão de um torneio fica entre os seis primeiros do outro. Caso contrário, é campeão o time entre os dois que tiver melhor campanha no ano.

– O Coronel Bolognesi foi lanterna do Apertura e o título do Clausura vale pela honra, mas o título anual estaria descartado. Os demais postulantes ao título do segundo semestre são “elegíveis” para a final anual.

– O “problema” é que o Deportivo San Martín, campeão do Apertura, está em sétimo no Clausura, dois pontos atrás do sexto. Se o Bolo for campeão do Clausura, o San Martín leva o anual automaticamente. Se houver outro campeão no segundo semestre, o vencedor do Apertura precisará desesperadamente ganhar uma posição neste domingo. Caso contrário, o vencedor do Clausura é campeão do ano.

– Para completar o cenário de angústia, o Deportivo San Martín enfrenta o Universitario no estádio Nacional. Confronto direto pelo título, pois a vitória pode resultar em volta olímpica.

URUGUAI
– Com uma derrota por 3 a 2 para o Rampla Juniors, o Peñarol terminou o Apertura na 11ª posição. Os jogadores não recebem salários há três meses.

VENEZUELA
– De acordo com parte da imprensa venezuelana, César Farías, de apenas 34 anos, já teria acertado como novo técnico da seleção vinotinto. Clique aqui para ver quem é César Farías e entender seu desafio, isso se a especulação da mídia venezuelana estiver correta.

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Equipe Trivela

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