Hexa azteca

Com uma virada sensacional, após estar perdendo por dois gols de diferença na casa do adversário, o México confirmou o favoritismo, a boa fase e o domínio continental. Uma vitória indiscutível por 4×2 sobre o mais forte rival deu a El Tri o seu nono título da Copa Ouro da Concacaf (o sexto incluindo somente o novo formato) e a retomada do domínio na América do Norte e Central, abalado após recentes boas campanhas dos rivais em torneios internacionais e a suada classificação para o Mundial de 2010.
A seleção mexicana, jogando sua primeira competição sob o comando de José Manuel de la Torre mostrou-se um time bem montado, mas ainda irregular. A despeito de uma primeira fase irretocável, com 100% de aproveitamento e três goleadas (incluindo uma sobre o bom time costarriquenho), os aztecas tropeçaram em rivais teoricamente fáceis e tecnicamente inferiores no mata-mata, suando para conseguir a vaga sobre Guatemala e Honduras.
Contra os catrachos, o nome da vez foi De Nigris, autor do primeiro gol da prorrogação e escorando a bola do segundo para Chicharito fechar o placar. A arma azteca no jogo, por sinal, foi a jogada aérea, com a El Tri criando as melhores oportunidades pelo alto.
Na final, o duelo contra os norte-americanos mostrou que o México aprendeu como superar os vizinhos. Mesmo fora de casa e saindo atrás no placar, o time teve tranquilidade e “mentalidade” para virar a partida, com quatro gols, dois deles menos de 15 minutos após sofrer o baque do segundo gol.
A campanha mexicana na Copa Ouro mostrou que o grupo é bom e tem potencial, mas ainda carece de força no quesito “experiência” na hora de definir seu favoritismo. O que pode complicar partidas contra adversários menos tradicionais, mas traiçoeiros, característicos de competições como as Eliminatórias da Concacaf.
Por mais que soe algo surreal a seleção mexicana ficar de fora do Mundial passando por uma qualificatória tão fraca, os dirigentes da Femexfut não querem passar pelo sufoco de 2009, assim como De la Torre espera não cair antes da Copa no Brasil, em 2014.
E se os problemas não devem ser os pequenos, a El Tri precisa começar a pensar desde já em como superar times mais competitivos do mundo da bola em competições internacionais, deixando para trás o complexo de inferioridade que atinge a equipe em duelos contra camisas de pesos em torneios importantes.
Um bom início será a Copa das Confederações de 2013, competição já vencida pelos mexicanos em 1999. Excelente teste para o Mundial pela presença de fortes seleções, o torneio chegará para os aztecas carregado pela pressão da última boa campanha dos norte-americanos em 2009, que eliminaram a favorita Espanha, na semifinal, e por pouco não obtiveram o título contra o Brasil.
Outra oportunidade seria a Copa América, que será jogada a partir da próxima semana, mas a direção optou por enviar um time sub-22 para o torneio na Argentina, comandado pelo auxiliar Luis Fernando Tena. Mesmo contando com times mais fortes do que a Copa Ouro (e, como consequência, com melhores testes para o grupo), a Femexfut justificou a escolha pela busca da vaga na Copa das Confederações.
Entre os nomes que brilharam na Copa Ouro, é chover no molhado apontar o desempenho de Chicharito. Além de maestro, foi o artilheiro da competição (7 gols), melhor jogador do torneio e, cada vez mais, desponta como o principal nome do time para capitalizar a boa geração mexicana.
Entre os demais destaques, três nomes do esquema que parece ser a opção ideal para a El Tri: o 4-2-3-1 com a trinca Dos Santos, Barrera e Guardado servindo Chicharito. Gio, autor de três gols, parece ter recuperado de vez sua boa fase na seleção, enquanto Pablo Barrera e Andrés Guardado, atuando como alas foram responsáveis por seis assistências na competição.
Com um setor ofensivo extremamente jovem (Barrera e Guardado têm 24 anos, enquanto Hernández tem 23 e Giovani apenas 22), a opção por um pouco mais de experiência recairia sobre a grande surpresa da Copa Ouro: Aldo de Nigris, que, com quatro gols anotados, caminha para tornar-se o parceiro ideal de ataque para Chicharito no opcional 4-4-2.
Jovem e ainda carente de verdadeiros testes. Mas habilidosa, oportunista e com enorme potencial. Essa deverá ser a nova cara do time mexicano. Os possíveis frutos só deverão ser colhidos a partir de 2014 (ou 2013). Resta saber se, dessa vez, terão um sabor doce para a torcida azteca.



