México

Herói do América, goleiro artilheiro beirou a morte

Moisés Muñoz protagonizou uma das atuações mais sensacionais de um goleiro já vistas em uma final. Não pela quantidade de defesas, mas pelo papel decisivo no título do América no Torneio Clausura Mexicano. Aos 48 minutos do segundo tempo, subiu à área e marcou o gol da virada das Águilas contra o Cruz Azul, que levava o jogo para a prorrogação. Sem gols, a decisão seguiu para os pênaltis e o goleiro defendeu uma das cobranças, comemorando o 11º título nacional do clube da capital.

Um milagre tão grande quanto o vivido por Muñoz há quase um ano, bem longe dos gramados. O goleiro sofreu um grave acidente de carro em uma estrada mexicana, ao ter uma convulsão no volante. Foi internado com traumatismo craniano, mas logo seu estado de saúde se estabilizou. Dias depois foi liberado do hospital, apenas com um problema na mão, passando por cirurgia e permanecendo afastado da equipe por quatro meses.

“Nasci de novo. Estou mais consciente do que nunca que devo aproveitar minha vida em todos os aspectos. Esta nova oportunidade eu devo a todas as pessoas que me ajudaram e, principalmente, a Deus. Lembro-me de pouca coisa do acidente e só recobrei a consciência na ambulância, quando perguntei sobre minha família, que estava bem. Agora tenho só o problema na mão e tenho fé que estarei bem o mais rápido possível”, declarou Muñoz.

Muñoz retomou a titularidade do América no fim de outubro e, desde então, se manteve intocável na equipe. O arqueiro de 33 anos foi fundamental para que o América tivesse uma baixa média de gols no Clausura. E apareceu também no ataque na final, se eternizando na história do clube. Entra no panteão do Estádio Azteca, que já teve heróis como Pelé e Diego Maradona.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo