Guia do Apertura mexicano – parte 1

O Apertura mexicano já começou. E com alguns atrativos. Por exemplo, Ciudad Juárez, cidade na fronteira com os Estados Unidos, volta a ter um time na elite. Mas, muito mais importante que isso, é que o sorteio colocou os quatro times de maior torcida do México – Chivas, América, Cruz Azul e Pumas de la Unam – no mesmo grupo da primeira fase. Desse modo, o quarteto brigará por apenas duas vagas automáticas nas quartas-de-final. Os demais tentarão um lugar na repescagem.
De resto, o regulamento é o mesmo da temporada passada. Os 18 times se dividiram em três grupos, mas os jogos da primeira fase são em todos contra todos em turno único, dentro e fora das chaves. Os dois melhores de cada grupo vão para as quartas-de-final, sendo que os quatro melhores por índice técnico disputam mais duas vagas nas quartas. A partir daí, mata-mata tradicional.
América (Grupo 2)
Estádio: Azteca (114.465 lugares)
Principal jogador: Guillermo Ochoa (goleiro)
Fique de olho: Alfredo Moreno (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Ochoa; Castro, Óscar Rojas, Sebá Dominguez e Iñigo; Vera, Juan Carlos Medina, Argüello e Insúa; Alfredo Moreno e Cabañas
Técnico: Ramón Díaz
Objetivo na temporada: título
Mesmo com a última posição no Clausura 2008, o América começa a nova temporada pensando em título. Como sempre. O clube trouxe o excelente Juan Carlos Medina, ex-Atlas, e o artilheiro argentino Alfredo Moreno, ex-San Luis. Considerando que Cabañas e Ochoa ficaram e o técnico Ramón Díaz chega com algum respaldo da diretoria, o clube pode reencontrar seu rumo e voltar a ficar na ponta.
Atlante (Grupo 1)
Estádio: Andrés Quintana Roo (20.000 lugares)
Principal jogador: Giancarlo Maldonado (atacante)
Fique de olho: Alan Zamora (zagueiro)
Competição continental que disputa: Superliga
Time-base: Vilar; Javier Muñoz, Zamora, Arturo Muñoz e Omar Castillo; Espinoza, Pereyra, Bermúdez e Guerrero; Maldonado e Rey
Técnico: José Guadalupe Cruz
Objetivo na temporada: chegar à repescagem
Campeão o Apertura 2007 e decepção total do Clausura 2008, o Atlante tem a oportunidade final de mostrar que o título do ano passado não foi completo acaso. Para isso, trouxe bons reforços (sobretudo Rey, ex-Pachuca, e Espinoza) e manteve os principais jogadores da temporada passada (Maldonado e Vilar). Além disso, o técnico é o mesmo há um ano. Com isso, o time tem alguma possibilidade de voltar a ser competitivo, o que já ficou mais ou menos demonstrado pela campanha aceitável na Superliga. Mas o objetivo realista seria chegar ao mata-mata.
Atlas (Grupo 3)
Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Nestor Vidrio (defensor)
Fique de olho: Ariel Bogado (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Bava; Serano, Colotto, Robles e Vidrio; Rergis, Valdéz, Botinelli e Vargas; Bogado e Alfredo Sánchez
Técnico: Miguel Ángel Brindisi
Objetivo na temporada: chegar às semifinais
O Atlas vem de um primeiro semestre bom. Chegou às quartas-de-final da Libertadores e teve bom papel no Clausura. No entanto, o time tem algumas modificações profundas para o Apertura. Perdeu seu melhor jogador, Juan Carlos Medina, o meia Centurión e o atacante Marioni. Como compensação, trouxe o promissor atacante Bogado (ex-Nacional-PAR) e o meia Botinelli, argentino que estava na Universidad Católica. Parece haver uma queda de nível, mas o fato de ainde ter bons nomes como Bava, Colotto e Vidrio podem manter as esperanças dos Zorros de terem uma participação interessante no campeonato.
Chivas de Guadalajara (Grupo 2)
Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Ramón Morales (volante)
Fique de olho: Omar Arellano (atacante)
Competição continental que disputa: Superliga e Copa Sul-Americana
Time-base: Michel; Esparza, Reynoso, Olvera e Pineda; Magallón, Ramón Morales, Alberto Medina e Solís; Ávila e Arellano
Técnico: Efraín Flores
Objetivo na temporada: título
As Chivas sempre contam com um time forte e de base sólida. No entanto, a equipe que começa o Apertura não inspira tanta confiança. Novamente, a diretoria confiou demais nas categorias de base e preferiu não investir em reforços para substituir os jogadores negociados (sobretudo o atacante Omar Bravo). Com isso, o Rebaño aparece com um grupo com alguns jovens que podem ter dificuldade para atender à exigente torcida.
Cruz Azul (Grupo 2)
Estádio: Azul (35.161 lugares)
Principal jogador: Miguel Sabah
Fique de olho: Edgar Andrade
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Yosgart Gutiérrez; Rogelio Chávez, Julio Cesar Domínguez, Beltrán e Bonet; Riveros, Velasco, Andrade e Villaluz; Sabah e Vigneri
Técnico: Benjamin Galindo
Objetivo na temporada: título
Depois de uma boa campanha no Clausura, que chegou a passar a sensação de que acabaria com os mais de dez anos de jejum, o Cruz Azul praticamente manteve o time. As negociações de mercado foram relativamente discretas e a estrutura mudou pouco, com destaques para a dupla Sabah e Vigneri na frente, os promissores Andrade e Villaluz no meio e os experientes Riveros e Bonet atrás. Gutiérrez tomou de vez a posição do veterano Óscar Pérez (que acabou saindo). A base é interessante, mas o clube precisará se ver com seus traumas na hora do mata-mata se quiser conquistar o título.
Índios de Ciudad Juarez (Grupo 1)
Estádio: Olímpico Benito Juárez (22.300 lugares)
Principal jogador: Andrés Chitiva (meia)
Fique de olho: Braulio Godínez
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Humberto Hernández; William Hernández, Franco, De la Barrera e Luis Ángel García; Santibáñez, Vidal, Ricardo Martinez e Chitiva; Frias e Maz
Técnico: Sergio Orduña
Objetivo na temporada: ficar longe da zona de rebaixamento
Qualquer time que vem da Segundona em um campeonato com rebaixamento em média de pontos das últimas temporadas está com sérios problemas. Essa é a situação dos Índios de Ciudad Juárez. O time precisa fazer muitos pontos para passar Tigres e Tecos (piores no promedio no momento) na média de pontos das últimas três temporadas. Com isso, La Tribu estará sob pressão desde a primeira rodada, algo complicado para quem não tem um time dos melhores. A velha relação com o Pachuca (os Índios foram time B do Pachuca por alguns anos) foi retomada na busca por reforços como Chitiva e Godínez. Outro nome interessante é o do uruguaio Egídio Arévalo Ríos. Nada que deixe tantas esperanças. Pelo menos no Apertura, o calor seco de Ciudad Juárez pode ser o principal aliado do clube.
Jaguares de Chiapas (Grupo 3)
Estádio: Victor Manuel Reyna (27.500 lugares)
Principal jogador: Adolfo Bautista (atacante)
Fique de olho: Danilinho (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Edgar Hernández; Christian Sánchez, Armas, Solano e Razo; José Gutiérrez, Balcázar, Mora e Juan Pablo García; Bautista e Itamar
Técnico: Sergio Almaguer
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata
No papel, os Jaguares estão com um time mediano. No entanto, a capacidade de fazer bons resultados quando joga em Tuxtla Gutiérrez costuma deixar o time de Chiapas sempre na briga por vagas no mata-mata. A expectativa para o Apertura é essa, ainda que o clube não tenha trazido grandes reforços. Tanto que a força ainda é a dupla de ataque do Clausura: Itamar e Bautista.
Monterrey (Grupo 1)
Estádio: Tecnológico (33.485 lugares)
Principal jogador: Humberto Suazo (atacante)
Fique de olho: Diego Ordaz (zagueiro)
Competição continental que disputa: nenhuma
Time-base: Orozco; Meza, Ordaz, Baloy e Basanta; Octavio Valdéz, Luis Ernesto Pérez e Jesús Arellano; Carlos Ochoa, Suazo e Borgetti
Técnico: Ricardo La Volpe
Objetivo na temporada: título
O Clausura fez muito bem ao Monterrey. Clube de tradição e com torcida fanática, sempre entra nos campeonatos com alto investimento e expectativa de lutar pelo título. Isso geralmente cria uma pressão tão grande que acaba destruindo o time. No primeiro semestre, o roteiro era seguido até que, com a chegada de Ricardo La Volpe, a equipe deslanchou e acabou chegando às semifinais, superando até as favoritas Chivas nas quartas-de-final. Com isso, os regiomontanos podem trabalhar com menos cobrança no Apertura e desenvolver melhor o futebol bastante ofensivo, com um atacante rápido (Ochoa) e dois finalizadores natos (Suazo e Borgetti). A defesa ainda preocupa, mas da para imaginar os rayados lutando pelas primeiras posições.
Morelia (Grupo 2)
Estádio: Morelos (41.056 lugares)
Principal jogador: Hugo Droguett (volante)
Fique de olho: Ever Guzmán (atacante)
Competição continental que disputa:
Time-base: Moises Muñoz; Marvin Cabrera, Cervantes, Martín Romero e Trujillo; Duran, Droguett, Salazar e Leao Ramírez; Guzmán e Landín
Técnico: Luis Fernando Tena
Objetivo na temporada: chegar à repescagem
O Morelia é o típico time mediano do Campeonato Mexicano. Tem alguns bons jogadores, mas nada excepcional. Para o Apertura, até trouxe bons reforços, como Cabrera e Droguett. No entanto, não chegam a ser bons o suficientes para elevar o nível dos monarcas. Se tudo der certo, até dá para aplicar alguns sustos. Mas a expectativa realista é ficar, mais uma vez, no limiar da classificação para a repescagem.



