México

Guia do Apertura mexicano – 1

Não há dúvidas de que o Campeonato Brasileiro é o mais forte tecnicamente da América Latina. Mesmo com o título do Estudiantes na Libertadores, os argentinos sentem falta de competitividade dos times médios, algo que sobra aqui. E também sobra no México. Ainda que os mexicanos ainda estejam atrás de brasileiros e argentinos em qualidade técnica, o campeonato local é o mais equilibrado das Américas. E, pelo dinheiro que gira, tem um papel fundamental no continente, pois suas contratações ajudam a financiar clubes em países como Paraguai, Uruguai, Colômbia e Argentina.

Por isso, é sempre interessante ficar de olho no que ocorre no México. A temporada 2009/10 começa neste fim de semana. E com novidades, como o retorno do Gallos Blancos à elite e a mudança de nome do Tecos de la UAG para Estudiantes Tecos.

O regulamento continua o mesmo: os 18 clubes se dividem em 3 grupos de 6, mas se enfrentam em todos contra todos, dentro e fora das chaves. Os dois primeiros de cada grupo e os dois de melhor índice técnico disputam a Liguilla (mata-mata) em ida e volta até sair o campeão. O único rebaixado é definido pela média de pontos por partida nas últimas três temporadas.

Nesta semana, os integrantes dos grupos 1 e 2. Na semana que vem, só o grupo 3.

GRUPO 1

Atlas

Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Daniel Osorno (atacante)
Fique de olho: Darío Botinelli (meia-atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Daniel Andrés Rios (Toluca), Hebert Efraín Alferez (Dorados de Culiacán), Damián Barbosa (River Plate-ARG), Omar Trujillo (Morelia), Daniel Osorno (Puebla), Mario Pérez (Necaxa), Mario Méndez (Toluca), Miguel Zepeda (Santos Laguna), Gerardo Espinoza (Santos Laguna)
Quem saiu: Bruno Marioni (Estudiantes Tecos), Jorge Hernández (Morelia), Gregório Torres (Pachuca), Jorge Daniel Achucarro (Puebla), Christian Emmanuel Sánchez (Santos Laguna), Pedro Hernández (Necaxa), Oscar Vera (sem clube), Alfredo Sánchez (sem clube), Lucas Ayala (Tigres) e Jaime Durán (Morelia)
Técnico: Ricardo La Volpe
Objetivo na temporada: chegar às semifinais

O Atlas não costuma aparecer entre os candidatos ao título mexicano. Mas, neste semestre, a diretoria investiu para tanto. Contratou o goleiro argentino Barbosa (ex-Villarreal), o bom atacante Osorno e o técnico Ricardo La Volpe. Além disso, manteve Botinelli e Vidrio, principais figuras do primeiro semestre. Provavelmente não será suficiente para encarar as maiores potências do país, mas a cobrança será por tal.

Chivas de Guadalajara

Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Alberto Medina (meia)
Fique de olho: Edgar Mejía (defensor)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: ninguém
Quem saiu: Isaac Romo (Gallos Blancos), Sérgio Rodríguez (Gallos Blancos), Emilio López (Gallos Blancos), Francisco Mendoza (Jaguares), Jared Borgetti (Puebla), Alfredo Talavera (Toluca), Arturo Javier Ledesma (Necaxa) e José Antonio Patlán (Universidad de Guadalajara)
Técnico: Francisco Ramírez
Objetivo na temporada: título

As Chivas decidiram mudar um pouco de estratégia. Depois de investir muito no Clausura e ver o desempenho ser minado por conflitos internos, o Rebaño aposta em um time um pouco mais discreto. Ninguém foi contratado, o que ajudou a desinchar o elenco. Ainda assim, a equipe tem jogadores como Arellano, Michel, Mejía, Medina e Ponce, o que lhe dá condições de tentar o título. O problema maior é a falta de opções no ataque. Não há substitutos à altura para Arellano.

Gallos Blancos de Querétaro

Estádio: Corregidora (40.785 lugares)
Principal jogador: Carlos Bossio (goleiro)
Fique de olho: Emilio López (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Mauro Vila (Defensor Sporting-URU), Isaac Romo (Chivas), Emilio López (Chivas), Joaquín Beltrán (Cruz Azul), Orlando Pineda (Pumas), José Guadalupe Martínez (Estudiantes Tecos), Alfredo Omar Tena (América), Héctor Castro (Monterrey), Salvador Medina (Pumas Morelos), Diego Chávez (Montevideo Wanderers-URU), Adrián Romero (Nacional-URU), Carlos Bossio (Lanús-ARG) e Antonio Barbosa (Durango)
Quem saiu: Joel Sánchez (Estudiantes Tecos)
Técnico: Héctor Medrano
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

No sistema de “promedio” (ou “tabla de porcentajes”, como chamado no México) das últimas três temporadas para definir o rebaixamento, a vida para os caçulas é sempre bastante dura. E não será diferente com os Gallos Blancos. O clube de Querêtaro montou um elenco com vários jogadores experientes e alguns jovens emprestados pelos grandes para ganhar experiência. A falta de investimento deixa o time como candidato mais forte à queda, mas o fato de Puebla e Indios terem sobrevivido nas duas últimas temporadas serve para dar esperança aos torcedores.

Indios de Ciudad Juárez

Estádio: Olímpico Benito Juárez (22.300 lugares)
Principal jogador: Edwin Santibáñez (meia)
Fique de olho: Alain Nkong (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Rodrigão (Guaratinguetá-BRA), Alain Nkong (Boulougne-FRA), César Lozano (Toluca), Tomás Campos (Cruz Azul), Héctor Gimenez (San Luis), Luis Francisco García (Necaxa) e Sindey Balderas (Tigres)
Quem saiu: Cirilo Saucedo (Tigres), Javier Saavedra (Tigres), Juan Carlos Franco (Lobos Buap), Juan Augusto Gómez (Lobos Buap) e Jorge Alberto Rodríguez (La Piedad)
Técnico: Héctor Hugo Eugui
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Os Indios foram a maior surpresa do Clausura. O time fugia do rebaixamento e acabou se classificando para a Liguilla na última rodada. Depois, eliminou o Toluca e chegou às semifinais. Sinal de que o time pode pensar em se meter no mata-mata? Não. O elenco ainda é discreto e precisa seguir no plano de evitar as últimas posições.

San Luis

Estádio: Alfonso Lastras Ramírez (35.000 lugares)
Principal jogador: Eduardo Coudet (meia)
Fique de olho: Michael Orozco (volante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Pablo Aguilar (Colón-ARG), Alfredo Moreno (América), Octavio Valdez (Monterrey), César Augusto Valoyes (Veracruz), Eduardo Coudet (Necaxa), Marvin de la Cruz (Necaxa) e Jorge Bernal (Necaxa)
Quem saiu: Angel Eduardo Reyna (América), Israel Martinez (América), Héctor Giménez (Indios), Alfredo González Tahuilán (Tigres) e Diego Álvarez (sem clube)
Técnico: Luis Américo Scatolaro
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

Depois de um semestre em que a diretoria esteve mais preocupada em salvar o Necaxa do rebaixamento do que manter o bom trabalho do San Luis (os dois clubes pertencem à Televisa), os Gladiadores voltam a ter um time forte. Os jogadores que foram cedidos a América e Necaxa retornaram e a base que levou o clube à superliderança no Apertura 2008 está de volta. Isso poderia colocar os potosinos entre os favoritos, mas ainda não dá para saber se Tressor Moreno e Alfredo Moreno voltarão a formar uma dupla de ataque envolvente e se Luna e Coudet darão solidez ao meio-campo.

Toluca

Estádio: Nemesio Díez (27.000 lugares)
Principal jogador: Sinha (meia)
Fique de olho: Francisco Vidal (defensor)
Competição continental que disputa: Concachampions
Quem chegou: Diego Novaretti (Belgrano-ARG) e Alfredo Talavera (Chivas)
Quem saiu: Mario Méndez (Atlas), César Lozano (Indios), Sergio Santana (Monterrey), Daniel Andrés Rios (Atlas), Álvaro Ortíz (Puebla) e Paulo da Silva (Sunderland-ING)
Técnico: José Manuel de la Torre
Objetivo na temporada: título

O time manteve praticamente intacta a base que fez uma das melhores campanhas do Clausura. Assim, Sinhá segue como maestro do meio-campo, Héctor Mancilla é a referência no ataque e Cristante é um símbolo no gol. No entanto, a perda do paraguaio Paulo da Silva deixa os Diablos sem um importante líder na defesa. O que pode ter impacto forte no desempenho geral do time.

GRUPO 2

América

Estádio: Azteca (114.465 lugares)
Principal jogador: Guillermo Ochoa (goleiro)
Fique de olho: Ángel Reyna (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Fernando López (Necaxa), Ángel Reyna (San Luis), Aquivaldo Mosquera (Sevilla-ESP), Israel Martinez (San Luis), Rosinei (Internacional), Daniel Montenegro (Independiente-ARG), Ricardo Rojas (Necaxa), Arnhold Rivas (Estudiantes Tecos)
Quem saiu: Enrique Vera (LDU Quito), Robert (sem clube), Diego Alberto Cervantes (Atlante), Alfredo Omar Tena (Gallos Blancos), Alejandro Argüello (Jaguares), Carlos Infante (Puebla), Alfredo Moreno (San Luis), Milton Michell Aguilar (Santos Laguna), Fernando Ortíz (Tigres), Federico Insúa (Boca Juniors) e Edgar Eduardo Castillo (Tigres)
Técnico: Jesús Ramírez
Objetivo na temporada: título

É impossível não considerar o América candidato forte ao título. E é impossível não colocá-lo como candidato forte a decepção. Como sempre, a diretoria investiu muito em reforços, em uma espécie de Real Madrid azteca. Mas falta critério. Ricardo Rojas, Reyna e Mosquera foram boas contratações, mas Montenegro e Rosinei precisam reencontrar o futebol do início da carreira. De qualquer modo, o fato de Cabañas, Ochoa e Pardo seguirem em Coapa serve para animar a torcida.

Jaguares de Chiapas

Estádio: Victor Manuel Reyna (27.500 lugares)
Principal jogador: Adolfo Bautista (atacante)
Fique de olho: Danilinho (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Josiel (Flamengo-BRA), Yasser Anwar Corona (Mérida), Francisco Mendoza (Chivas), Alejandro Argüello (América), Óscar Pérez (Cruz Azul), Salvador Median (Pumas), Hugo Sánchez Guerrero (Tigres) e Ezequiel Francisco Orozco (Necaxa)
Quem saiu: Fabián Israel Villaseñor (Estudiantes Tecos), Felipe de Jesús Ayala (Puebla), Gilberto Mora (Puebla), Itamar (Tigres), André Neles (sem clube), Aaron Padilla (Veracruz) e Daniel Silva (León)
Técnico: Miguel Ángel Brindisi
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

A força está no ataque. Itamar, que foi a principal referência da equipe em 2008, perdeu espaço no Clausura e acabou saindo. Para seu lugar, a diretoria contratou o incerto Josiel, artilheiro do Brasileirão 2007 pelo Paraná e decepção no Flamengo. Ainda assim, o gaúcho chegou para ser reserva (ou compor um ataque com três), porque a dupla principal é Bofo Bautista e Danilinho. O ex-atleticano teve grande desempenho no Clausura, a ponto de a diretoria não vendê-lo contra seu próprio pedido. O resto da equipe é mediano, e pode aproveitar o calor úmido de Tuxtla Gutiérrez para fazer bons resultados em casa e chegar à Liguilla.

Monterrey

Estádio: Tecnológico (33.485 lugares)
Principal jogador: Humberto Suazo (atacante)
Fique de olho: Eduardo Zavala (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma*
Quem chegou: Duilio Davino (Puebla), Omar Ortíz (Atlante) e Sergio Santana (Morelia)
Quem saiu: Clemente Ovalle (Atlante), José Joel González (Atlante), Héctor Castro (Gallos Blancos), Luis Alonso Sandoval (Morelia), Carlos Ochoa (Santos Laguna) e Octavio Valdéz (San Luis)
Técnico: Victor Manuel Vucetich
Objetivo na temporada: título

O Monterrey é dado a variações de humor. Por isso, muitas vezes entra em crises devido a cobranças internas e sabota sua própria campanha. De qualquer modo, o time que inicia o Apertura é um dos melhores do México. Davino chegou para dar mais experiência à defesa, que já tinha o panamenho Baloy, Ayoví, Galindo e Juan Carlos Medina formam um bom meio-campo e o ataque conta com o oportunista Suazo e o eficiente Santana.

Morelia

Estádio: Morelos (41.056 lugares)
Principal jogador: Miguel Sabah (atacante)
Fique de olho: Jorge Kalú Gastelum (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Luis Gabriel Rey (Atlante), Jorge Hernández (Atlas), Luis Alonso Sandoval (Monterrey), Jaime Duran (Atlas) e Aldo Leao Ramírez (Atlético Nacional-COL)
Quem saiu: Ever Guzmán (Atlante), Omar Trujillo (Atlas), Horacio Cervantes (Cruz Azul), Andrés Augusto Mendoza (sem clube), Óscar Emilio Rojas (Venados de Mérida) e Óscar Ignacio Carrasco (Tijuana)
Técnico: Tomás Boy
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

Não é um time espetacular, mas tem nomes que podem dar alguma competitividade. O destaque é Miguel Sabah, principal jogador do México na Copa Ouro. Mas os Monarcas ainda contam com Droguett, Leao Ramírez, Aldrete e Sandoval, que podem formar uma base interessante.

Pachuca

Estádio: Hidalgo (30.000 lugares)
Principal jogador: Christian Giménez (meia-atacante)
Fique de olho: Damián Manso (meia)
Competição continental que disputa: Concachampions
Quem chegou: Juan Carlos Cacho (Pumas), Gregório Torres (Atlas) e Damián Manso (LDU Quito)
Quem saiu: Blas Pérez (sem clube) e José Maria Cárdenas (Santos Laguna)
Técnico: Enrique Meza
Objetivo na temporada: título

Ao final de 2008, com uma campanha fraca no Mundial de Clubes, parecia que a era Enrique Meza tinha terminado no Pachuca. No entanto, o time reagiu à eliminação na Pré-Libertadores com uma excelente campanha no Clausura, terminando com a superliderança e o vice-campeonato. Como a base é praticamente a mesma, com a saída de Blas Pérez e o retorno de Cacho no ataque, dá para ver os Tuzos novamente entre os primeiros. Ainda que a base esteja cada vez mais desgastada.

Puebla

Estádio: Cuauhtémoc (42.648 lugares)
Principal jogador: Jared Borgetti (atacante)
Fique de olho: Isidro Sánchez Macip (volante)
Competição continental que disputa: nenhuma*
Quem chegou: Jared Borgetti (Chivas), Roberto Carlos Juárez (Cruz Azul), Felipe de Jesús Ayala (Jaguares), Joaquín Reyes (Santos Laguna), Carlos Infante (América), Gilberto Mora (Jaguares), Jorge Daniel Achucarro (Atlas), Alexandro Álvarez (Necaxa), Álvaro Ortíz (Toluca), Luis Enrique Muñoz (Tigres), Carlos Ruiz (Olímpia-PAR), Alejandro Nicolas Martinez (Olímpia-PAR) e Nicolas Olivera (Veracruz)
Quem saiu: Daniel Osorno (Atlas), Duílio Davino (Monterrey), Ramón Fernando Núñez (Cruz Azul), Alejandro Villalobos (Tigres), Walter Vílchez (sem clube) e Álvaro González (Lobos Buap)
Técnico: José Luis Sánchez Solá
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

O Puebla chegou às semifinais do Clausura, mas continua em situação crítica na tabela de rebaixamento. De qualquer modo, o time se reforçou bastante para o Apertura. Para compensar as saídas de jogadores importantes como Osorno e Davino, chegaram Borgetti, Achucarro e Carlos Ruiz (guatemalteco que foi grande destaque na MLS, onde defendeu Los Angeles Galaxy, FC Dallas e Toronto FC). Até dá para chegar ao mata-mata, mas o rebaixamento deve ser a preocupação principal ainda.

* Monterrey e Puebla disputaria a Copa Sul-Americana, mas foram excluídos pela decisão da Concacaf de não enviar representantes ao torneio da Conmebol

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