Guia da Copa Ouro 2009

A Copa Ouro não tem a importância da Eurocopa, a tradição da Copa América ou a incerteza da Copa Africana. Ainda assim, é um torneio que cresce a cada edição. A Concacaf encontrou um modo de torná-lo viável. Além disso, o desenvolvimento de seleções centro-americanas e caribenhas deu um pouco mais de equilíbrio à competição, ainda que o domínio siga com norte-americanos e mexicanos.
Para 2009, a sede será mais uma vez os Estados Unidos. Isso permitirá bons públicos, devido à grande quantidade de imigrantes latino-americanos no país, e servirá de desfile para o aumento da popularidade do “soccer” entre os estadunidenses. Tanto que os 25 jogos se espalharão por 13 estádios.
Assim, confira como cada seleção chega à competição de seleções da Concacaf.
GRUPO A
Canadá
Técnico: Stephen Hart
Destaque: Julián De Guzmán (M/Deportivo de La Coruña-ESP)
Como classificou: vaga automática
História na competição: 8 participações, 1 título
Uma equipe misteriosa. O Canadá tem algum talento e jogadores com experiência em ligas fortes para o padrão da Concacaf (segundo nível da Europa e MLS). No entanto, a seleção não engrena. O fato de clubes canadeneses estarem se desenvolvendo pode dar um pouco mais de profundidade ao grupo. Fica como incógnita, pois pode cair na primeira fase ou mesmo lutar pelas primeiras posições.
Costa Rica
Técnico: Rodrigo Kenton
Destaque: Álvaro Saborío (A/Sion-SUI)
Como classificou: vice-campeão da Copa das Nações da Uncaf
História na competição: 8 participações, 1 vice-campeonato
É a equipe mais forte depois das potências Estados Unidos e México. O grupo é consistente e tem feito uma excelente campanha nas Eliminatórias da Copa. Só tem um problema: ao contrário do que ocorria nos últimos anos, a quantidade de costarriquenhos jogando fora do país caiu muito, o que deixou o time sem tanta experiência internacional. Por exemplo, falta um nome de referência como foi Medford e Wanchope.
El Salvador
Técnico: Carlos de los Cobos
Destaque: Alfredo Pacheco (D/New York Red Bulls-EUA)
Como classificou: quarto colocado na Copa das Nações da Uncaf
História na competição: 5 participações, 2 quartas de final
O mexicano Carlos de los Cobos merece todo crédito pelo trabalho que tem feito em El Salvador. A equipe é tecnicamente muito fraca, mas o treinador conseguiu passar confiança aos jogadores e dar conjunto. Assim, os salvadorenhos têm conquistado resultados melhores que o esperado, inclusive nas Eliminatórias. Essa tendência pode se manter na Copa Ouro e levar El Salvador para as quartas de final. Mais que isso, já seria surpresa demais.
Jamaica
Técnico: Theodore Whitmore
Destaque: Ricardo Gardner (D/Bolton-ING)
Como classificou: campeão do Campeonato Caribenho
História na competição: 6 participações, 1 terceiro lugar
Esqueça os Reggae Boyz de René Simões. A Jamaica ainda tem bons jogadores para os padrões da Concacaf e experiência internacional, mas, como seleção, desceu alguns degraus. Há alguns anos deixou de fazer parte do primeiro nível da região e perdeu para Trinidad e Tobago o domínio do Caribe. Se conquistar algo na Copa Ouro, será surpresa.
GRUPO B
Estados Unidos
Técnico: Bob Bradley
Destaque: Josy Altidore (A/Villarreal-ESP)
Como classificou: vaga automática
História na competição: 9 participações, 4 títulos
Mesmo sem alguns de seus principais jogadores, é o principal favorito ao título. Nesta década, os norte-americanos já tomaram do México o domínio da Concacaf e têm um elenco bastante consistente (e reforçado pela permissão especial de inscrever 30 atletas devido ao desgaste da Copa das Confederações). Além disso, jogam em casa (onde não perdem dos mexicanos há um bom tempo) e estão com ânimo extra depois do vice-campeonato da Copa das Confederações.
Granada
Técnico: Tommy Taylor
Destaque: Shalrie Joseph (M/New England Revolution-EUA)
Como classificou: vice-campeão no Campeonato Caribenho
História na competição: primeira participação
O principal nome de Granada é o atacante Jason Roberts, do Blackburn. Mas… bem… ele não disputará a Copa Ouro. Assim, os Spice Boys chegam aos Estados Unidos com uma equipe desconhecida e que busca apenas ganhar experiência. De qualquer modo, tem no currículo as eliminações de Trinidad e Tobago e Cuba no Campeonato Caribenho.
Haiti
Técnico: Jairo Rios
Destaque: Frantz Bertin (M/OFI-GRE)
Como classificou: quinto colocado no Campeonato Caribenho (ocupou a vaga de Cuba, que desistiu)
História na competição: 2 participações, 1 quartas de final
Depois da década de 1970, quando chegou a disputar a Copa do Mundo, o Haiti viu seu futebol cair tanto quanto a solidez de suas instituições políticas. Houve um princípio de renascimento futebolístico entre 2002 e 2007, mas o momento já passou. Hoje, os haitianos têm uma seleção fraca e que chega à Copa Ouro apenas para fazer uma campanha digna.
Honduras
Técnico: Reynaldo Rueda
Destaque: Carlo Costly (A/GKS-POL)
Como classificou: terceiro colocado da Copa das Nações da Uncaf
História na competição: 8 participações, 1 vice-campeonato
Com David Suazo, Maynor Figueroa, Wilson Palacios e Carlos Pavón, suas principais estrelas, Honduras poderia sonhar com o título da Copa Ouro. No entanto, os catrachos vão à competição com uma equipe mista. Reynaldo Rueda aproveitará o torneio para dar experiência a alguns jogadores. Pode ser interessante em médio prazo, mas mina as chances de La H em curto prazo.
GRUPO C
Guadalupe
Técnico: Roger Salnot
Destaque: Miguel Comminges (D/Cardiff City-GAL)
Como classificou: terceiro colocado no Campeonato Caribenho
História na competição: 1 participação, 1 semifinal
Comandada pelo veteraníssimo Angloma, Guadalupe foi a grande zebra na Copa Ouro 2007, quando chegou às semifinais depois de superar Honduras e dar trabalho para o México. Não se espera que a façanha seja repetida. A equipe fez uma campanha decente no Campeonato Caribenho, passando por Haiti e Cuba. No entanto, sofre por ter pouca oportunidade de disputar competições internacionais (por ser um departamento ultramarino francês, a ilha não é filiada à Fifa e não pode disputar competições intercontinentais como a Copa do Mundo). Como o grupo não é dos mais fortes, até dá para passar de fase.
México
Técnico: Javier Aguirre
Destaque: Carlos Vela (A/Arsenal-ING)
Como classificou: vaga automática
História na competição: 9 participações, 4 títulos
Um time sob pressão. O México sempre esteve tranquilo no posto de superpotência da Concacaf, mas se acomodou e acabou ultrapassado pelos Estados Unidos. Para piorar, Javier Aguirre tenta juntar os cacos depois do trabalho fracassado de Sven-Göran Eriksson na seleção. La Tri ainda não tem padrão de jogo, nem uma base definida. Por tradição, apoio da torcida (que deve ser maioria até em confronto contra os Estados Unidos) e talento, é candidato natural ao título. Mas precisará fazer mais do que tem feito para confirmar tal status.
Nicarágua
Técnico: Otoniel Olivas
Destaque: Wilber Sánchez (M/Ferretti)
Como classificou: quinto colocado da Copa das Nações da Uncaf
História na competição: primeira participação
O simples fato de estar na Copa Ouro já é uma vitória para a Nicarágua. O país – que tem como esporte principal o beisebol – venceu a Guatemala na disputa do quinto lugar na Copa Uncaf e conquistou uma inesperada classificação. Devido a essa campanha, alguns jogadores foram contratados por clubes salvadorenhos, o que dá um pouco mais de experiência ao time. No entanto, o grande destaque dos pinoleros, Emilio Palacios, não disputará a Copa Ouro. Ou seja, não dar vexame é o objetivo
Panamá
Técnico: Gary Stempel
Destaque: Luis Tejada (A/Millonarios-COL)
Como classificou: campeão da Copa das Nações da Uncaf
História na competição: 3 participações, 1 vice-campeonato
É difícil entender como o Panamá não está no hexagonal final das Eliminatórias da Concacaf para a Copa 2010. Os canaleros têm uma equipe talentosa, com experiência internacional (sobretudo no futebol mexicano e colombiano) e que cresce ano a ano. Além disso, a dupla de ataque Blas Pérez e Luis Tejada é uma das mais interessantes da Copa Ouro. Deve passar de fase sem problemas e, dependendo do cruzamento do mata-mata, pode chegar às semifinais.



