México

Grandes tentam reagir

Primeiro colocado, Defensor Sporting. Segundo, Danubio. Terceiro, Rampla Juniors. Quarto, River Plate. A classificação do Apertura 2007 uruguaio deixou escancarada a situação escandalosa por que passam Peñarol e Nacional, as duas potências do Uruguai e clubes com história de dar inveja a muita equipe tradicional pelo mundo. Para evitar que os pequenos continuem dando as cartas, carboneros e bolsos se mexem e agitam a pré-temporada em Montevidéu.

As principais novidades vieram de Las Acácias. O Peñarol, realmente, precisava de fatos novos depois do patético 11º lugar no Apertura. Juan Pedro Damiani botou a mão na carteira, reuniu-se interminavelmente com Paco Casal (empresário de futebol que domina os principais jogadores uruguaios e estava brigado com Damiani, mas, hoje, estão bastante amigos. Até demais) e saiu contratando. Veio gente de respeito. Da Europa, vieram Estoyanoff (Valladolid), Darío Rodríguez (Schalke 04) e Rubén Olivera (Juventus). Da Argentina, chegou Carlos Bueno (Boca Juniors, ex-Sporting e Paris Saint-Germain). De clubes uruguaios, as novidades são Omar Pérez (Rampa Juniors) e Marcel Román (Danubio).

Gustavo Matosas (ex-jogador do São Paulo e campeão uruguaio pelo Danubio em 2006/7 como técnico) foi mantido no comando da equipe, uma espécie de reconhecimento da diretoria que o time que ele tinha no ano passado era fraco. A euforia é tamanha que nem as saídas de Vigneri (vendido ao Cruz Azul), Castillo (negociado com o Botafogo) e Valentierra (dispensado) causam preocupação.

Os reforços colocam o Peñarol na obrigação de conquistar o título. Ou, no mínimo, de brigar por ele até as últimas rodadas. O investimento é fora da realidade do futebol uruguaio e o time nem disputará a Libertadores. Logo na estréia em 2008, o Peñarol fez convincentes 5 a 2 no Vaduz, de Liechtenstein, na primeira rodada da Copa Ricard (torneio amistoso de pré-temporada) e deixou uma boa impressão.

Enquanto isso, o Parque Central vive um período menos extravagante. A diretoria do Nacional preferiu manter a base de 2007, apostando na continuidade de um trabalho que não era ruim (os tricolores pagaram, no Apertura, pelo desgaste da boa campanha da Libertadores). Assim, Gerardo Pelusso segue como técnico e tem um meio-campo estruturado com o bom volante Arismendi e o armador Ligüera. Na frente, duas novidades: o garoto Fornaroli, revelado pelo clube, e Richard Morales, veterano da seleção uruguaia que retorna a seu clube onde se projetou.

A expectativa em cima das duas equipes é tão grande que, no clássico disputado pela Copa Ricard (torneio amistoso de pré-temporada), 50 mil pessoas foram ao estádio Centenário. O Nacional venceu com grande facilidade (3 a 0) e ainda viu o golaço de Fornaroli rodar o mundo. No entanto, os peñarolistas não precisam se desesperar, pois Matosas escalou o time reserva, uma decisão que causou muitas críticas.

Neste fim-de-semana, bolsos e manyas voltam a se enfrentar em um torneio amistoso. Dessa vez, é a Copa Suat. O Peñarol dá a entender que jogará com o time titular, o que transformaria esse duelo no primeiro clássico de verdade de 2008. Um ano em que aurinegros e tricolores esperam decidir entre si os títulos uruguaios.

Concacaf tem sua LC
Jogadores e técnicos de países da Concacaf são unânimes em dizer: a falta de intercâmbio internacional é um dos grandes problemas da região. De fato, a discrepância técnica entre México e Estados Unidos com os demais países prejudica os torneios continentais, pois as duas potências têm pouco desafio e não têm incentivo para melhorarem. Pior, muitas vezes usam equipes alternativas e dificultam a evolução dos rivais. Um cenário que pode estar mudando.

O elemento mais forte no futebol da Concacaf é a relação entre Estados Unidos e México. Os amistosos entre as seleções e equipes dos dois países mobilizam torcedores e patrocinadores a ponto de gerarem grandes negócios. Para os demais países, muito pequenos economicamente (considerando que o Canadá ainda tem futebol muito incipiente), acompanharem as potências, é preciso inteligência e criatividade.

O anúncio da Liga dos Campeões da Concacaf tem um pouco dessa marca. Até 2008, o principal torneio de clubes da região será a Copa dos Campeões. O torneio tem formato antiquado e desgastado. Dura apenas meio ano e reúne, em mata-mata, oito equipes (duas norte-americanas, duas mexicanas, três centro-americanas e uma caribenha) ocupavam apenas seis datas para jogarem quartas-de-final, semifinais e final. Com boa vontade, dava para acrescentar o Torneio Uncaf (seletiva da América Central) e o Copa do Caribe (seletiva caribenha).

Uma competição como essa não motiva os clubes norte-americanos e mexicanos, pois é rápida demais e acaba entrando como algo secundário no planejamento da temporada. As televisões também não se sentem atraídas por um torneio de seis datas. Assim, o único resquício de interesse que havia era o fato de o campeão ter vaga no Mundial de Clubes. Por isso, a tendência é que mexicanos e norte-americanos se aproximassem cada vez mais da América do Sul e de suas Libertadores e Copa Sul-Americana.

A Liga dos Campeões, a ser implementada na temporada 2008-09 e já apelidada no México de Concachampions, é uma competição estruturada. Serão 24 participantes: quatro de México e Estados Unidos, três do Caribe e dois de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá e um de Canadá, Belize e Nicarágua. Desses, oito – dois do México, dois dos Estados Unidos e um de Costa Rica, Honduras, Guatemala e El Salvador – terão vaga automática na fase de grupos.

Os 16 clubes se dividem em quatro grupos na primeira fase e depois fazem o mata-mata. No total, dez países terão representantes (sem contar os caribenhos) – sendo que seis terão, no mínimo, um time na fase de grupos – e a televisão terá 14 semanas com jogos (sendo 36 datas, contando terças, quartas e quintas).

Aí já se torna uma competição bastante interessante. Mexicanos e norte-americanos têm vários jogos e concorrência razoável para se motivarem e os países centro-americanos não verão seus times morrerem em duas partidas. Além disso, o modelo facilita a mobilização das comunidades centro-americanas (sobretudo salvadorenhas e panamenhas) que nos Estados Unidos. Ou seja, esse público passa a representar um mercado atingido pelo torneio.

Ainda é cedo para dizer o que ocorrerá com o futebol dos países da Concacaf. De qualquer modo, já há uma base para conseguirem, em médio prazo, o intercâmbio que os jogadores pedem e o dinheiro que os clubes tanto precisam. E, claro, dificultar um pouco a eventual união com a América do Sul.

CURTAS

COPA LIBERTADORES
– Masakatsu Sawa foi o autor do único gol da vitória do Cienciano sobre o Montevideo Wanderers em Cuzco. Com isso, ele se tornou o primeiro japonês a marcar um gol pela Libertadores.

– Outros resultados da Pré-Libertadores: Atlas 2×0 La Paz, Cruzeiro 3×1 Cerro Porteño, Olmedo 1×0 Lanús e Arsenal-ARG 2×0 Mineros-VEN.

BOLÍVIA
– Jorge Wilstermann e Blooming farão a decisão da Copa Aerosur.

CHILE
– O destaque da primeira rodada foi a extravagante goleada de 8 a 2 da Universidad Católica sobre o Santiago Morning. O Colo-Colo fez 3 a 0 no Provincial Osorno fora de casa.

– O projeto de Marcelo Salas de comprar o Provincial Temuco não foi concretizado por divergências entre o jogador e os dirigentes do clube.

COLÔMBIA
– Veja os convocados de Jorge Luis Pinto para o amistoso da Colômbia contra o Uruguai em 6 de fevereiro: goleiros: Agustín Julio (Independiente Santa Fe) e David Ospina (Atlético Nacional); defensores: Amaranto Perea (Atlético de Madrid/ESP), Walter Moreno (Atlético Nacional), Cristian Zapata (Udinese/ITA), Rubén Darío Bustos (Internacional/BRA), Camilo Zúñiga (Atlético Nacional) e Estiven Vélez (Atlético Nacional); meio-campistas: Yulián Anchico (Independiente Santa Fe), Gerardo Bedoya (Millonarios), Macnelly Torres (Cúcuta), Giovanny Hernández (Atlético Junior) e Danilson Córdoba (Independiente Medellín); atacantes: Wason Rentería (Strasbourg/FRA), Edixon Perea (Grêmio/BRA) e Radamel Falcao García (River Plate/ARG).

EQUADOR
– A LDU Quito conquistou a Copa del Pacífico, torneio de pré-temporada disputado em Guaiaquil. Na decisão, empatou por 2 a 2 com o Emelec e venceu por 5 a 4 nos pênaltis. O pódio foi completado pelo Once Caldas, que venceu o Sporting Cristal por 1 a 0 na disputa do terceiro lugar.

MÉXICO
– Veja a seleção do site Medio Tiempo da 2ª rodada do Clausura mexicano: Jorge Bava (Atlas); Sergio Ponce (Toluca), Hugo Sánchez (Tigres), Ismael Fuentes (Jaguares) e Eduardo Rergis (Atlas); Alan Zamora (Atlante), Christian Bermúdez (Atlante), Aldo Leao Ramírez (Morelia) e Adolfo Bautista (Jaguares); Daniel Ludueña (Santos Laguna) e Bruno Marioni (Atlas).

PARAGUAI
– Veja os convocados de Gerardo Martino par ao amistoso do Paraguai contra Honduras em 6 de fevereiro: Aldo Bobadilla (Independiente Medellín/COL) e Derlis Gómez (Nacional); defensores: Darío Verón (Pumas de la Unam/MEX), Paulo Da Silva (Toluca/MEX), Marcos Cáceres (Racing/ARG), Julio Mansur (Pachuca/MEX), Edgar Balbuena (Libertad), Enrique Meza (Nacional) e Carlos Bonet (Cruz Azul/MEX); meio-campistas: Edgar González (Estudiantes/ARG), Víctor Cáceres (Libertad), Sergio Aquino (Libertad) e Jonathan Santana (Wolfsburg/ALE); atacantes: Pablo Zeballos (Cruz Azul/MEX), Dante López (Libertad), Oscar Cardozo (Benfica/POR), Luis Páez (Sporting/POR), Manuel Maciel (Universidad de Concepción/CHI) e Nelson Romero (Libertad).

PERU
– Com 18 anos, quase 19, Damián Ismodes já saiu do Sporting Cristal. Foi contratado pelo Racing de Santander. Aqui no Brasil, poucos sabem quem é o garoto, mas se trata de uma das principais promessas do Peru para a próxima década. Pela característica de jogo e o porte físico, é apelidado de “Robinho peruano”.

URUGUAI
– O Nacional conquistou a Copa Ricard. Na primeira fase, empatou com Vaduz (2×2) e venceu o Peñarol (3×0). Na final, venceu o Saprissa por 4 a 3 nos pênaltis, depois de 0 a 0 no tempo normal. Na disputa do terceiro lugar, o Peñarol empatou por 2 a 2 com o Defensor Sporting e fez 5 a 3 nos pênaltis.

– Veja os convocados de Óscar Tabárez para o amistoso do Uruguai contra a Colômbia em 6 de fevereiro: goleiros: Fabián Carini (Murcia/ESP) e Juan Guillermo Castillo (Botafogo/BRA); defensores: Diego Lugano (Fenerbahçe/TUR), Diego Godín (Villarreal/ESP), Martín Cáceres (Recreativo de Huelva/ESP), Jorge Fucile (Porto/POR), Maxi Pereira (Benfica/POR) e Andrés Scotti (Argentinos Juniors/ARG); meio-campistas: Álvaro González (Boca Juniors/ARG), Diego Pérez (Monaco/FRA), Walter Gargano (Napoli/ITA), Cristian Rodríguez (Benfica/POR) e Diego de Souza (Defensor Sporting); atacantes: Luis Suárez (Ajax/HOL), Diego Forlán (Atlético de Madrid/ESP), Sebastián Abreu (River Plate/ARG) e Edinson Cavani (Palermo/ITA).

VENEZUELA
– Depois de duas rodadas, os favoritos já vão se destacando. Caracas e Unión Maracaibo têm 100% de aproveitamento. O único clube que segue o ritmo de ambos é o Atlético El Vigía.

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Equipe Trivela

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