México

Grandes que renascem na Libertadores

Um começou a temporada com seguidos tropeços para pequenos clubes de São Paulo e um empate pálido com o Cúcuta. O outro estreou na Libertadores perdendo para o frágil Deportivo San Martín. Tropeços como esses fizeram que Santos e River Plate conquistassem a classificação para o mata-mata da Libertadores apenas na última rodada. No entanto, pelo embalo apresentado, estão de cara nova, que não lembram as equipes claudicantes do início da competição continental.

Para os brasileiros, o caso mais claro é o Santos. O Peixe estava completamente desconjuntado depois da saída de Vanderlei Luxemburgo. A aposta da diretoria era em lançar uma boa geração de jovens, uma idéia arriscada e cruel em uma temporada que tem a Libertadores logo de cara. No estadual, ficou evidente que era precipitado. A diretoria contratou, na emergência quatro estrangeiros – Molina, Sebastián Pinto, Quiñonez e Trípodi – e começou a torcer.

Ainda que Pinto, Trípodi e Quiñonez não tenham mostrado grande futebol, a chegada de Molina foi importante para a virada. Habilidoso e determinado a relançar sua carreira, o colombiano passou a comandar o meio-campo santista. O meia fez gol após jogada individual na vitória em casa sobre o Chivas, fundamental para a mudança de ânimos na Vila Belmiro.

Com Fábio Costa, Kleber, que retornou de contusão, Molina e Kleber Pereira, o foco saiu dos garotos e a responsabilidade já estava nas mãos de jogadores mais experientes. Quem também se beneficiou foram os jogadores mais contestados, como Betão e Marcinho Guerreiro. Ainda não são unanimidades, mas não despertam tantas críticas.

Com um sistema tático tradicional, em 4-4-2 com dois volantes e dois meias (o 4-2-2-2), o Santos faz o simples, como é feitio dos times de Leão. No entanto, o grupo parece compromissado a se entregar em campo, o que permite vitórias agônicas como a sobre o Cúcuta, que deu a classificação ao Peixe.

Na Argentina, a trajetória parecida foi vivida pelo River Plate. Diego Simeone assumiu o comando da equipe e teve dificuldades em dar um padrão. No primeiro turno da fase de grupos da Libertadores, uma derrota patética e duas vitórias nos minutos finais. Ainda que o futebol não convencesse, esses resultados – somados à boa campanha no Clausura argentino – deram alguma tranqüilidade à equipe.

Aí, o ex-volante mostrou porque é um dos técnicos mais promissores da Argentina. O ataque tem Abreu como referência, mas conta com opções como Abelairas, Rosales, Ortega, Falcao García, Buonanotte e Aléxis Sánchez. A partir daí, todos são jogadores leves e rápidos, que entram e saem do time sem que a característica de jogo mude.

O poder desse ataque ficou evidente contra o San Martín. Ainda que o adversário seja fraco, a capacidade millonaria de produzir jogadas perigosas é notável. Os 5 a 0 saíram com naturalidade e até um atacante oscilante como Abreu conseguiu se consagrar (já é vice-artilheiro da Libertadores, com seis gols).

Santos e River ainda não podem ser colocados no grupo de candidatos ao título da Libertadores. Por enquanto, são forças ascendentes em um torneio que vê favoritos como Boca Juniors e São Paulo jogarem mal. De qualquer modo, santistas e riverplatenses já merecerem o respeito de qualquer adversário. E um encontro com eles nas oitavas-de-final é algo a ser evitado.

Só dependem de si, mas…

A Libertadores chega à sua última semana da fase de grupos com duas grandes interrogações: Boca Juniors e São Paulo. Parece incrível, mas as duas equipes que pintaram como principais candidatas ao título estão próximas da eliminação prematura. Ainda que dependam de suas forças, a falta de consistência já foi suficiente para colocar xeneizes e tricolores sob suspeita.

Teoricamente, a situação mais complicada é do Boca Juniors. Os argentinos recebem o já eliminado Unión Maracaibo em La Bombonera e precisam vencer. O problema nem é esse, pois o UAM está em crise e os xeneizes, quando jogaram em casa, deram conta do recado. O problema é a necessidade de golear.

O duelo será realizado ao mesmo tempo que Colo-Colo x Atlas em Santiago. Se os mexicanos vencerem, o que é menos provável, o Boca depende de uma vitória simples. Um empate no Chile obriga os argentinos a fazerem dois gols de diferença, o que também é acessível. Mas uma vitória colocolina – resultado perfeitamente cabível – complica. Os portenhos seriam obrigados a vencer o Maracaibo por 5 gols de vantagem.

No ano passado, o Boca passou por situação parecida. Caso Toluca e Cienciano empatassem no México, os argentinos teriam de vencer o Bolívar em casa por 4 gols. No entanto, havia dois atenuantes em comparação com 2008: a defesa do Bolívar é bem mas aberta que a do UAM e, no fundo, era muito provável que o Toluca venceria e vitória por qualquer placar já daria a classificação aos boquenses. Sem a necessidade de golear nas costas, foi fácil para o time de Riquelme e Palermo faz 7 a 0.

O grande problema do Boca na Libertadores 2008 foi se mostrar perdulário fora de casa. Talvez confiando demais na sua capacidade de fazer os resultados em casa, os argentinos se deixaram envolver pelo Colo-Colo em Santiago, jogaram fora dois pontos em Maracaibo e perderam um jogo que começou equilibrado contra o Atlas. Como Atlas e Colo-Colo se mostraram times fortes, tiveram força para deixar os xeneizes para trás. O risco da vexatória eliminação prematura é o preço a se pagar pela falta de concentração e dependência de um Riquelme que se contundiu.

No Morumbi, a situação é mais simples. Uma vitória em casa contra o Atlético Nacional já basta. Um empate pode ser suficiente se o Audax Italiano ao vencer o Sportivo Luqueño em Luque. Com derrota, o São Paulo só se classifica com derrota dos chilenos no Paraguai.

A tarefa tricolor é bastante acessível. No entanto, há três agravantes em relação ao Boca Juniors: o oponente é concorrente direto pela classificação, o futebol do São Paulo na Libertadores é menos convincente e os tricolores virão desgastados por um clássico decisivo contra o Palmeiras. Até agora, o time paulista precisou dos minutos finais para vencer Audax e Luqueño. Contra os verdolagas, a equipe precisa ser mais contundente. Até porque a estabilidade psicológica do jogo da próxima quarta será muito mais volátil.

De qualquer modo, o São Paulo já tem o caminho da vitória. A lição não está nos jogos contra Audax Italiano e Sportivo Luqueño, mas nos 2 a 1 sobre o Palmeiras no jogo de ida das semifinais do Campeonato Paulista. Se repetir o futebol confiante e seguro desta partida, é difícil que não vença o Atlético Nacional. De qualquer modo, esse sofrimento todo deveria ser evitado.

Concentração do Chile

Como já foi dito nesta coluna, a federação chilena parece fazer questão de jogar contra a Bolívia em La Paz. Aí, não é uma defesa incondicional aos jogos na altitude, mas uma medida diplomática. Chile e Bolívia vivem às turras desde que os chilenos pegaram o litoral boliviano, na região do Atacama (atual norte chileno). Os bolivianos odeiam os chilenos, a quem acusam de roubar as riquezas (sobretudo cobre) da região e levaram seu país à pobreza. Os chilenos não gostam do tratamento que recebem na Bolívia e também têm postura pouco aberta com os vizinhos.

Nesse cenário, criar caso por causa de um jogo de futebol soaria como covardia ou, pior, atitude politicamente agressiva. O governo e a federação do Chile tiveram essa sensação e acharam mais fácil mandar um time de futebol até La Paz do que brigar nos bastidores pela mudança de sede da partida.

O problema está sendo convencer os jogadores. As regras da Fifa para jogos das Eliminatórias na altitude prevêem que partidas a mais de 3 mil metros só sejam realizadas se o time visitante tiver 15 dias de adaptação. Para respeitar esses parâmetros e ainda agradar aos bolivianos, o Chile decidiu realizar duas semanas de concentração na altitude (Calama e El Salvador são as candidatas naturais). Uma idéia que desagradou aos atletas.

Se isso realmente ocorrer, os jogadores que atuam no Chile ficariam de fora das semifinais do Apertura. O assunto era tratado discretamente, mas Marcelo Salas expôs a situação ao dizer que não aceita tais condições. A federação chilena ameaça punir quem não aceitar a convocação ou a concentração antecipada, mas ainda há muito tempo para que se chegue a um consenso.

Nas Eliminatórias para a Copa de 1998 e 2002, o Chile se concentrou nove dias antes de jogar em La Paz. Empatou por 1 a 1 e perdeu por 1 a 0. Para a Copa de 2006, a aclimatação foi de oito dias e o Chile ganhou por 2 a 0.

México: placar enganoso

Chivas é líder, América é lanterna. Um placar de 3 a 2 para o Rebaño dá a sensação de que foi um grande jogo, em que a rivalidade criou um equilíbrio que não existe. Mas não foi assim. O jogo, como a classificação dos times sugere, foi amplamente dominado pelos tapatíos. As águilas nada puderam fazer diante da solidez do adversário.

E por que foi só 3 a 2? Foi um acaso. Desde o primeiro minuto, as Chivas dominaram as ações. Foram criadas diversas chances e os gols saíram com naturalidade. Até a metade do segundo tempo, os 3 a 0 eram poucos diante do massacre. Não fosse a excelente fase do goleiro Ochoa, do América, e o superclásico mexicano estaria 6 ou 7 a 0 para o time de Guadalajara.

Aos 32 minutos do segundo tempo, no primeiro ataque do América na partida, Magallón cometeu pênalti em Esqueda. Cabañas converteu. Dois minutos depois, em uma jogada despretensiosa, Cabañas arrematou de longa distância e fez o segundo gol das águilas. Nem a aproximação inesperada no placar deu ânimo ao América, que seguiu sem forças para reagir e viu passivo as Chivas administrarem a vitória.

O resultado assegurou matematicamente a classificação do Rebaño no mata-mata. Mesmo que a combinação seja a mais desfavorável possível, o time rojiblanco tem vaga na represcagem. Enquanto isso, o América segue na lanterna e, agora, nem um milagre dá uma vaga na segunda fase do Clausura.

SELEÇÃO DA RODADA

– Veja a seleção da 14ª rodada do Clausura mexicano do site Medio Tiempo: Yosgard Gutiérrez (Cruz Azul); Jorge Ivan Estrada (Santos Laguna), Melvin Brown (Puebla), Walter Vílchez (Puebla) e Edgar Castillo (Santos Laguna); Jorge Zamogilny (Puebla), Gerardo Torrado (Cruz Azul) e Sergio Ávila (Chivas de Guadalajara); Sergio Santana (Chivas de Guadalajara), Omar Bravo (Chivas de Guadalajara) e Matías Vuoso (Santos Laguna). Técnico: Daniel Guzmán (Santos Laguna).
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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