México

Gol para a história: Chicharito se torna o maior artilheiro da seleção mexicana

Nenhum jogador da seleção mexicana atual é mais adorado que Chicharito Hernández. Há um carinho especial do país por seu atacante mais proeminente. O camisa 14 pode não ser o mais técnico, mas todos viram o seu desenvolvimento. O prodígio que surgiu no quintal de casa e teve seu sucesso em grandes clubes da Europa. Suas atuações estampam com frequência os principais veículos esportivos e ele não costuma se envolver em polêmicas relacionadas à equipe nacional, exibindo o seu orgulho pelas origens. Já se passaram quase oito anos da estreia do centroavante pelo time principal de El Tri. E, nesta sexta, ele escreveu seu nome definitivo na história: Chicharito se transformou no maior artilheiro da seleção em todos os tempos.

O centroavante brilhou em um jogo fundamental. Chicharito abriu o placar na vitória por 2 a 0 sobre a Costa Rica, no Estádio Azteca. Aproveitou o passe de Carlos Vela para tocar na saída de Keylor Navas. Já no final do primeiro tempo, Nestor Araújo ratificou o triunfo. Com o resultado, o México chegou aos sete pontos no hexagonal final das Eliminatórias da Copa de 2018 na Concacaf. A equipe de Juan Carlos Osorio ultrapassou justamente os Ticos na tabela, assumindo a primeira colocação. Mais abaixo, muito equilíbrio, com as outras quatro seleções acumulando uma vitória.

Já na história, Chicharito chegou ao mesmo patamar de Jared Borgetti. Curiosamente, o atacante do Bayer Leverkusen precisou dos mesmos 89 jogos para alcançar os 46 gols do velho ídolo. Além disso, o atual camisa 14 apresenta uma média de respeito: com 0,52 gols por jogo, está acima dos outros jogadores do passado que figuram no Top 10, incluindo o lendário Hugo Sánchez. E deve demorar pouco para Chicharito figurar também na relação de 10 que mais entraram em campo, a 20 jogos de igualar Alberto García Aspe e fazer parte da lista.

“Estou muito emocionado. Eu juro que nunca imaginei isso ou sonhei, e bom, compartilho agora com uma das maiores lendas do futebol nacional. Tive a felicidade de jogar com ele, não na seleção, mas no Chivas. Borgetti me ensinou muitas coisas. A verdade é que aprendi muitíssimo com ele, é alguém que estimo muito e agradeço”, declarou Chicharito, na saída do estádio. “Você pode conseguir tudo com esforço, com a ajuda de Deus, de toda a minha família. Estou muito feliz, ganhamos por 2 a 0 de uma seleção complicadíssima. Joguei contra um dos meus melhores amigos, fiz um gol nele. Meus avós estavam no estádio, meus pais. E foi justo no Azteca que aconteceu este gol, que me faz ser o artilheiro”.

Além disso, Chicharito comparou a sentimento vivido nesta sexta com o gol anotado contra a França na Copa de 2010, o seu primeiro em Mundiais: “Quando vi a bola entrando, veio uma sensação como a do gol contra a França. Logicamente, aquele é meu gol favorito, mas esse também é muito especial. Queria correr na comemoração, me dirigi para onde estava minha família. Gritei, quis gritar, viver o momento. Logo me virei para ver todos os meus companheiros, agradecer a todos – desde os tempos em que estreei com Javier Aguirre. Sou muito grato, porque sei que na vida você nunca consegue sozinho. É preciso ser um bom ser humano, principalmente, porque primeiro sou Javier Hernández e depois sou Chicharito. Também agradeço à torcida, que saiu muito contente e conectada conosco. Não vivo no México, mas, em sete anos que estou fora, valorizo muito mais as coisas do meu país”.

Que tenha as suas limitações, Chicharito não é desprezado no México por isso. Pelo contrário, seus compatriotas sabem reconhecer o seu esforço dentro de campo, também para elevar a bandeira nacional um pouco mais no mundo. E é essa simplicidade que torna o centroavante ainda mais festejado por sua marca histórica.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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