México

Geração dourada

Não foi só o título. Sim, por si só ele já é uma conquista histórica. A segunda, aliás. A categoria já era a única do futebol a conquistar para os mexicanos um título mundial. E agora repete o triunfo, sob os olhares da própria torcida, juntando-se a Nigéria, Gana e Brasil no seleto grupo das seleções a conquistarem em mais de uma oportunidade a Copa do Mundo da categoria sub-17.

A conquista fica com um sabor ainda mais gostoso se vista pelos olhos dos rivais norte-americanos. A despeito de ser a única seleção a disputar todos os 14 mundiais da categoria até hoje (o Brasil, com 13 participações, ficou de fora do torneio disputado em 1993, no Japão), o máximo que os Yanks alcançaram foi um quarto lugar, em 1999.

Jogando em casa, a Tricolor não deu chances aos adversários, vencendo todas as sete partidas disputadas, marcando 17 gols e sofrendo sete. Mais do que isso, a seleção mexicana comandada por Raúl Gutiérrez deixou adversários de peso, como Holanda, Alemanha, França e Uruguai para trás.

O título, diferente de 2005, foi conquistado por uma seleção já colocada entre as favoritas antes mesmo do pontapé inicial da Copa do Mundo. Há seis anos a taça veio com a consolidação de um time ainda irregular, que só atingiu o auge nas partidas finais, vencendo de forma acachapante os favoritos Holanda (4×0), na semifinal, e Brasil (3×0), na decisão e apelidada de “Geração Dourada.”

Mas como, afinal, o que conta nas categorias de base, até mais do que títulos, é a consolidação e utilização da safra nos times principais, vale uma análise na safra atual e também no que aconteceu com o time campeão de 2005.

Quatro dos principais nomes daquele time consolidaram-se na seleção principal e hoje são presenças constantes na El Tri: Giovani dos Santos (Tottenham-ING), Efraín Juárez (Celtic-ESC), Héctor Moreno (Espanyol-ESP) e Carlos Vela (Arsenal-ING). Os quatro também fizeram parte do time que disputou a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010.

A despeito dos quatro atuarem na Europa, vale um adendo que joga luz na realidade das revelações aztecas no futebol europeu: Dos Santos e Vela floparam até o momento no Velho Continente, enquanto Juárez não se fixou no clube escocês em sua primeira temporada e seu empresário já admite procurar novo clube. Moreno, recém-transferido para o futebol espanhol, por enquanto só conseguiu destaque na liga holandesa, tecnicamente abaixo das “grandes”.

Nomes como Sergio Arias, Patricio Araujo, César Villaluz, Omar Esparza e Enrique Esqueda ainda buscam o protagonismo, a despeito de exibirem futebol em bom nível em âmbito nacional. E é justamente nesse ponto que deve ser o foco.

Com boas exibições locais, os atletas mexicanos da base ainda carecem de maior destaque em ligar de renome, ponto crucial para adquirir experiência internacional e competitividade internacional, rendendo frutos ao time principal do selecionado.

É preciso ressaltar que, após o título de 2005, as categorias de formação do futebol azteca recebem um olhar diferenciado, tratamento superior ao dado na maior parte das seleções de ponta do futebol mundial.

A torcida azteca, bem como mídia e dirigentes, se destacam por uma paciência fora do comum com a consolidação e a maturidade de suas “futuras estrelas”, em comparação com o restante do globo. Um exemplo clássico é o meia Giovani dos Santos, considerado uma dos talentos mais promissores da base do Barcelona e destaque do Mundial de 2005, mas que demorou a engrenar nos times que defendeu, rodando por Turquia, Inglaterra (onde jogou até mesmo na segunda divisão) e Espanha. Apesar de exibições pouco brilhantes na Tricolor, “Gio” poucas vezes viu questionada sua presença no selecionado nacional.

Esse tratamento diferenciado tem a vantagem de proporcionar uma maior tranquilidade para as promessas, ao mesmo tempo em que corre o risco de tornar seleções e times aztecas dependentes e coniventes com “craques” que não chegarão ao nível mundial esperado. E esse “desnível” pode ser claramente notado nas campanhas da El Tri em Copas do Mundo e outros torneios internacionais (incluindo-se aí a participação dos clubes).

Na conquista atual destacam-se nomes como o goleador Carlos Fierro, proveniente da promissora base do Guadalajara, assim como o meia Giovani Casillas, além do capitão e líder Antonio Briseño, do Atlas, do bom meia Jonathan Espericueta, do Tigres, e de Julio Gómez, que com apenas 16 anos já estreou pelos profissionais do Pachuca e foi premiado com a “Chuteira de Ouro” de melhor atleta da competição.

A hora agora é de comemorar já pensando nos novos desafios. No fim do mês, tem início, na Colômbia, o Mundial da categoria sub-20, torneio no qual, os aztecas, desde o vice-campeonato na primeira edição, em 1977, nunca mais alcançaram algo além das quartas, revelando poucos nomes de destaque. Pode ser a hora e a vez da base mexicana, fechando um ano de ouro. Mas o que todos querem saber, afinal, é se isso gerará efeitos em 2014, 2018, 2022…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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