México

Genérico surpreendente

Para a temporada 2008, Nacional e Peñarol decidiram botar a mão no bolso. Os dois grandes do Uruguai investiram em reforços e montaram equipes fortes. Os resultados foram vistos imediatamente. A dupla faz campanha convincente, com apenas três jogos sem vitória na soma das campanhas. Ainda assim, nenhum deles é líder. Esse status está com o surpreendente River Plate.

O time de La Dársena tem o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. Empatou uma partida (2 a 2 diante do Peñarol, empatando depois de estar com 0 a 2 contra) e venceu todas as demais. Nesse caminho, há placares aviltantes como 4 a 1 no Cerro, 7 a 0 no Rampla Juniors (vice-campeão do Apertura), 5 a 1 no Danubio fora de casa, 5 a 0 no Tacuarembó e 3 a 0 no Progreso fora de casa.

Por trás dessa campanha está um personagem já conhecido no Brasil: Juan Ramón Carrasco. Ex-jogador do São Paulo, o técnico comandou a seleção uruguaio no início das Eliminatórias para a Copa de 2006. Sua contratação tinha como base a excelente campanha com o Fénix, pequeno time que, com um futebol ofensivo e heterodoxo, conquistou uma vaga na Libertadores de 2003.

Na Celeste, o trabalho de Carrasco não foi dos melhores. JR exagerou na ofensividade e o time se desmanchou atrás, a ponto de perder em casa para Venezuela e Peru, sofrendo três gols em cada um desses jogos. Depois de sua demissão, o técnico ficou sumido e voltou no início da temporada 2007/8 para comandar uma equipe pequena. No caso, o River Plate.

O treinador continuou fiel a suas crenças. Manteve um time ofensivíssimo e obteve resultados razoáveis. No Apertura, os darseneros foram quartos colocados, empatados em pontos com o Nacional. O clube de Parque Saroldi ainda teve o melhor ataque da competição, com 37 gols em 15 jogos.

O principal responsável foi Richard Porta. O atacante nascido na Austrália e criado no Uruguai alcançou a incrível marca de 19 gols em 15 partidas. Um desempenho que lhe valeu a artilharia da competição (ao lado de Stuani, do Danubio) e uma transferência para o Siena em janeiro. Com o dinheiro da venda de seu goleador, o River preferiu investir na infra-estrutura. Está nos planos a instalação de iluminação no Parque Saroldi, que poderia receber jogos noturnos.

O mais importante é que a base jovem foi mantida, só que está um semestre mais experiente. Ainda que não tivesse mais Porta, Carrasco continuou contando com a mesma estrutura de meio-campo. O sistema de jogo pôde ser mantido, com um 3-4-3 com meio-campo em diamante.

A figura mais importante do time é Roberto Flores, meia de referência na armação. As jogadas passam por seus pés, de onde a bola é distribuída nos atacantes. Henry Giménez cai mais pela direita e Urretaviscaya abre na esquerda, com Sergio Souza um pouco mais fixo no meio. Isso em teoria, porque há troca de posições constantes entre esses quatro jogadores e, eventualmente, dos meias abertos que também ajudam em jogadas pelas pontas.

A poderosa campanha do River Plate no Clausura também é reflexo da melhora na defesa, que tomou quase dois gols por partida no Apertura. Darío Flores, formado no Parque Saroldi, mas que estava no Montevideo Wanderers, foi a única contratação mais importante da equipe no início do ano. E fez total diferença. Como homem de centro na linha defensiva de três, ele deu mais estabilidade e confiança à retaguarda darsenera.

Em um campeonato escasso de técnica, é bem vinda a aparição de uma equipe ofensiva e vencedora. Ainda mais em um time pequeno, que deixa de lado o temor natural da derrota para ousar e surpreender. É cedo para cravar que o River Plate é favorito ao título do Clausura (que daria um lugar na final anual contra o Defensor Sporting, sendo que os darseneros nunca foram campeões uruguaios), até porque Peñarol e Nacional estão fortes. De qualquer modo, é um time que merece crédito e tem jogadores que merecem ser observados.

Libertadores: altitude ficou para trás

Depois de muita reclamação, muita briga na Justiça e muita ameaçada de não viajar, o Flamengo acabou enfrentando o Cienciano nos cerca de 3,4 mil metros. E venceu por 3 a 0 em um jogo tão tranqüilo que deixou até o time carioca meio assustado. Após a partida, os jogadores admitiam que sentiram pouco os efeitos da altitude e o técnico Joel Santana admitiu que a diretoria rubro-negra exagerara no modo como tentou lutar contra a altitude.

A César o que é de César. Antes de tudo, é preciso reconhecer o mérito do departamento médico do Flamengo. O clube realizou uma preparação mais profunda e fez um trabalho para o corpo dos jogadores sentir com menos intensidade os efeitos da altitude.

Outro ponto em que o Rubro-Negro mostrou evolução foi na estratégia de jogo. Ao invés de atuar como se o estádio Inca Garcilaso de la Veja fosse um campo em condições normais (um dos problemas do duelo contra o Real Potosí no ano passado), o time desenvolveu um futebol mais compatível com as limitações impostas pelos Andes. Ou seja, praticou um futebol mais cadenciado.

Tocando a bola com paciência e cercando o adversário, o Flamengo impediu que o Cienciano impusesse sua correria em campo. Enquanto os brasileiros se poupavam, os peruanos tinham de se desgastar física e psicologicamente para encontrar espaços e resolver logo a partida. Um cenário muito propício para o Rubro-Negro tirar proveito de sua superioridade técnica.

No segundo tempo, com o Cienciano já desesperado com a demora em fazer seu gol, o time da Gávea usou o contra-ataques para vencer. Diante da expectativa criada pelo Flamengo em torno do jogo, o resultado foi surpreendente. Mas, considerando o bom trabalho feito e a inegável superioridade técnica dos cariocas, o resultado foi natural.

Copa dos Campeões da Concacaf: final latina

Decepção norte-americana. Favoritos nas semifinais da Copa dos Campeões da Concacaf, DC United e Houston Dynamo não conseguiram passar por um Pachuca estagnado e um Saprissa inferior tecnicamente. Assim, os dois representantes a MLS caíram na principal competição de clubes das Américas Central e do Norte, deixando a decisão para mexicanos e costarriquenhos.

Os dois jogos foram pautados pelos resultados no jogo de ida. Em Washington, o DC teve de tomar a iniciativa desde os primeiros minutos para reverter a derrota por 2 a 0 em Pachuca. No primeiro tempo, a pressão foi intensa, mas o Pachuca soube se organizar defensivamente e evitar que os norte-americanos abrissem o marcador.

No segundo tempo, o DC cansou. O insucesso no ataque provocou um natural desgaste e permitiu que o Pachuca controlasse as ações com mais facilidade. Aos 31 minutos, Damián Álvarez colocou os mexicanos na frente. No desespero, os norte-americanos conseguiram a virada, mas com gols aos 40 e 45 minutos, quando os tuzos já haviam relaxado diante da iminente classificação.

Em San José, o Saprissa fez o que sabe melhor: aproveitar a pressão insana de sua torcida no apertado estádio Ricardo Saprissa. Com a possibilidade de se classificar com vitória simples (o jogo de ida foi 0 a 0), os costarriquenhos criaram um clima de Libertadores para o Houston Dynamo. Com muita intensidade, acuou o adversário até o gol sair. Depois, administrou a vantagem, se aproveitando do desespero texano para ampliar o marcador nos contra-ataques.

Na decisão, o Pachuca é favorito, ainda que o fato de superar o bom Houston Dynamo dê crédito ao Saprissa. Além disso, a fase do time mexicano não é tão boa quanto no ano passado.

México: adiós Cañedo White

Este fim-de-semana é marcado pelo duelo Chivas x América, o superclásico ou Clásico de Clásicos. O encontro entre o cosmopolita time da capital e o nacionalista e popular time de Guadalajara sempre atrai as atenções do país. Ainda mais em um raro caso de favoritismo destacado das Chivas. Não apenas pelo fato de a partida ser no Jalisco ou da boa campanha do Rebaño no Clausura, mas também pelas interminável crise americanista.

Na semana passada, as águilas perderam de 4 a 0 do quase rebaixado Veracruz (para se ter uma idéia, no jogo seguinte, os veracruzanos tomaram de 7 a 2 do mediano Monterrey). Em seguida, mais problemas. Guillermo Cañedo White, presidente do clube azulcrema, anunciou que deixará o comando do América ao final da temporada, quando completará quatro anos no cargo.

A gestão de Cañedo White, filho do ex-presidente da federação mexicana Guillermo Cañedo de la Bárcena, foi discreta. Apesar dos milhões investidos na montagem de times, o América só conquistou dois títulos: o Clausura 2005 e a Copa dos Campeões da Concacaf de 2006. Até é razoável, mas poderia ser muito melhor pelo montante gasto. Até porque parte dos fracassos, sobretudo nos últimos dois anos, tem a ver com equívocos na escolha dos reforços.

A saída de Cañedo White deve deixar ainda mais instável o ambiente em Coapa. A expectativa de mudança no comando pode aumentar as especulações de reformulação em elenco e comissão técnica. Uma situação pouco propícia para um time que precisa de tranqüilidade para se recuperar de uma série de resultados negativos. Uma vitória contra o maior rival pode dar o ânimo que o América precisa. Mas a tendência é de a crise só se agravar.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da 13ª rodada do Clausura mexicano do site Medio Tiempo: Oswaldo Sánchez (Santos Laguna); Sergio Ponce (Toluca), Edgar Dueñas (Toluca), Luis Omar Hernández (Necaxa) e Carlos Rodríguez (Pachuca); Gerardo Torrado (Cruz Azul), Eduardo Coudet (San Luis), Braulio Luna (San Luis) e Jesús Arellano (Monterrey); Humberto Suazo (Monterrey) e Sebastián González (Tecos de la UAG). Técnico: Raúl Arias (San Luis).

Convocação

Veja quem Jesús Ramírez convocou para o amistoso que o México disputará contr a China em Seattle em 16 de abril: goleiros: Oswaldo Sánchez (Santos Laguna) e Jesús Corona (Tecos de la UAG); defensores: Leaobardo López (Pachuca), Patricio Araujo (Chivas de Guadalajara), Fausto Pinto (Pachuca), Adrián Aldrete (Morelia), Omar Trujillo (Morelia), Alejandro Castro (Cruz Azul) e Omar Esparza (Chivas de Guadalajara); meio-campistas: Amaury Ponce (Toluca), Luis Pérez (Monterrey), Jorge Hernández (Atlas), Sinha (Toluca), Carlos Gerardo Rodríguez (Pachuca) e José Joel González (Monterrey); Sergio Santana (Chivas de Guadalajara), Juan Carlos Cacho (Pachuca), César Villaluz (Cruz Azul), Christian Bermúdez (Atlante) e Pablo Barrera (Pumas de la Unam).
 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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