México

Garra superou a técnica

Verón é craque. Apenas uma pessoa com muita má vontade com o futebol argentino ou que ache que o termo “craque” deva ser empregado para jogadores de um talento quase inatingível irão discordar. Todo o jogo do Estudiantes gira em torno dele. Não à toa: seus lançamentos denotam uma precisão e visão de jogo muito acima da média, o suficiente para surpreender qualquer defesa.

O meia é o único jogador que pode desequilibrar uma partida para o Estudiantes. De resto, há bons jogadores, como Andújar, Angeleri e Boselli, e uma incrível determinação em campo. Nada que pudesse se comparar tecnicamente ao Internacional, que conta com Nilmar, Alex e D’Alessandro. No entanto, não foi com o talento que o Colorado superou os Pincharratas. Foi na base da determinação.

O primeiro jogo já havia tido esse tom. Foi uma mistura de inteligência tática com disciplina e determinação comoventes (clique aqui para relembrar). Esperava-se que, no jogo de volta no Beira-Rio, a história seria diferente e a superioridade técnica gaúcha prevaleceria. Mas, novamente, o que saltou aos olhos foi como o Internacional usou a raça para atingir seu objetivo.

O time brasileiro não teve uma boa atuação na última quarta. Tomou a iniciativa no início e usou a velocidade de seu setor ofensivo para pressionar a equipe argentina. No entanto, faltava concentração no momento de definir as jogadas. Desse modo, os platenses foram se soltando e, a partir da metade do primeiro tempo, já havia equilíbrio.

Depois do intervalo, viu-se um Internacional particularmente pouco inspirado. Aparentando nervosismo e ansiedade, o time parou de criar jogadas com um mínimo de lógica e permitiu que o Estudiantes crescesse ainda mais. Alayes abriu o marcador em uma falha de marcação gaúcha após cruzamento na área. Quando Gustavo Nery e Taison entraram (para saídas de Andrezinho e Alex), o meio-campo colorado perdeu ainda mais força de armação e, pior, não contava mais com a capacidade de improviso e decisão de Alex.

Na prorrogação, o Internacional precisava recuperar o foco. E a base dessa recomposição foi a determinação. Mesmo desmontado e sem seu melhor jogador (substituído, segundo a rádio Band-RS, por não obedecer as instruções do técnico Tite), o Colorado encontrou forças para empurrar o Estudiantes para dentro de seu campo. Taison se encontrou em campo, D’Alessandro foi um monstro e Nilmar se mostrou decisivo.

O principal mérito do Inter no jogo de volta da final foi não se limitar a ser um time muito bom. Foi encontrar determinação para, mesmo em um dia pouco inspirado tecnicamente, reverter um cenário desfavorável e conquistar o título.

Deportivo Quito, depois de 40 anos

Nada da LDU campeã sul-americana, nada do sempre forte El Nacional, nada do rico Barcelona. O Campeonato Equatoriano 2008 foi para o Deportivo Quito, um time de tradição e alguma torcida, mas que não ganhava o título nacional havia 40 anos.

A conquista não foi casual. A Academia investiu pesado nesta temporada, montando um dos times mais fortes do Equador. A defesa conta com o experiente goleiro Ibarra, o zagueiro Cagua e o lateral Isaac Mina, todos com passagem pela seleção tricolor. O meio-campo é o setor mais bem servido, com Edwin Tenório e Saritama (ambos com passagem pela seleção equatoriana) e, um pouco à frente, o argentino Andrizzi (autor do gol do título do Arsenal de Sarandi na Copa Sul-Americana). O ataque tem o colombiano Léider Preciado.

Com essa base, os azulgranas dominaram a primeira etapa do campeonato, aproveitando ainda que a LDU estava mais preocupada com a Libertadores. No segundo semestre, o Quito fez uma boa campanha, terminando na segunda posição do grupo. Com isso, garantiu três pontos extras para a disputa do hexagonal final.

Na fase decisiva, o Quito nadou de braçada. Manteve a liderança desde o início, tendo como sombra, em momentos pontuais, LDU e Barcelona. Mesmo assim, arrancou na reta final e conquistou o título com uma rodada de antecipação. A vantagem era tão grande em relação aos demais (23 pontos, contra 15 de LDU e 13 do El Nacional) que, mesmo sem os pontos extras, os azulgranas seriam campeões.

San Martín campeão. Ou não?

Com um empate por 1 a 1 entre Sporting Cristal e Alianza Atlético, o Universidad San Martín conquistou o título do Clausura peruano. A duas rodadas do final, a vantagem do San Martín para o vice-líder Cristal está em oito pontos. No entanto, essas duas rodadas que faltam ainda estão cheia de definições. Inclusive, do campeão peruano de 2008.

Pelo regulamento do Campeonato Peruano, o título é decidido entre os vencedores de Apertura e Clausura. Para haver final, porém, o campeão de um torneio precisa ficar entre os sete primeiros do outro. O San Martín atende a essa exigência, pois foi terceiro no Apertura. Resta saber como o campeão do Apertura está no Clausura.

O Universitário perdeu o embalo no segundo semestre e relaxou demais. Com isso, não conseguiu se manter em uma boa posição no Clausura. No momento, os Cremas estão em 10º, a três pontos do Alianza Atlético (o sétimo). O time mais popular do Peru precisa ganhar essas três posições para se qualificar à decisão. Se não conseguir, o título vai para o San Martín automaticamente.

A parte de baixo da tabela também projeta emoção. O Alianza Lima tem 60 pontos e está na 11ª posição na classificação anual (somando Apertura e Clausura). Os íntimos têm apenas dois pontos a mais que o Juan Aurich (13º colocado), que seria rebaixado hoje. O pior é que a tabela é pouco agradável aos aliancistas. O time tem pela frente o clássico contra o Sporting Cristal e o confronto direto contra o Atlético Minero (12º na classificação geral com 58 pontos). Assim, a possibilidade de queda do segundo clube mais popular do país é real.

A volta dos itálicos

O Deportivo Italia já foi um clube conhecido no Brasil. Em 1971, os itálicos venceram o Fluminense por 1 a 0 no Maracanã, resultado que virtualmente eliminou o Tricolor da Libertadores. Na época, o futebol venezuelano era semi-amador e o episódio ficou conhecido na Venezuela como “Pequeño Maracanazo”. Na época, os azules eram uma das maiores forças do país.

Depois disso, o time perdeu espaço. A vinculação com a colônia italiana limitou o alcance do clube e o Italia esteve perto de fechar as portas. Na década de 1990, a equipe se fundiu com o Deportivo Chacao e, depois de receber o patrocínio da Parmalat, mudou o nome para Deportivo Italchacao. Nova crise e o nome tradicional voltou.

Os azules passaram pela segunda divisão, mas ganharam espaço com a expansão do Campeonato Venezuelano para 18 clubes. E aproveitou bem a vaga. Manteve a mesma base que disputou a Segundona na temporada 2007/8, o que dava a sensação de que escapar do rebaixamento seria a principal missão.

No entanto, os bons resultados nas primeiras rodadas deram confiança ao time, que embalou e iniciou uma longa série de vitórias. Os favoritos – Caracas, Unión Maracaibo e Deportivo Táchira – não pareciam se incomodar, imaginando que os itálicos perderiam fôlego em algum momento. Aí, o regulamento favoreceu o Deportivo Italia.

Na Venezuela, o Apertura tem apenas jogos de ida (a volta ocorre no Clausura). Assim, as equipes se enfrentam apenas uma vez, o que não ocorria até a temporada 2006/7, quando havia apenas 12 times (e torneios de dois turnos). Isso fez que o Italia tivesse menos confrontos diretos com os concorrentes, facilitando a manutenção da vantagem diante dos times mais fracos.

A conquista do Apertura não significa que o Deportivo Italia é campeão venezuelano. No país, os vencedores dos dois torneios semestrais se enfrentam. Assim, os itálicos precisam esperar o campeão do Clausura para fazer a final da temporada. De qualquer modo, é o retorno ao topo de um time que já tem cinco títulos nacionais e parecia fadado ao desaparecimento.

México: Cruz Azul pelo fim do jejum

O Cruz Azul tem esse nome devido a uma fabricante de cimento que o criou. Além disso, foi fundado em Hidalgo e se mudou para a Cidade do México apenas na década de 1960. Apesar dessa história, digamos, muito “corporativa”, o Cruz Azul é um clube importante. Nenhuma equipe mexicana ganhou tanto na década de 1970, o que garantiu à Máquina Cementera uma popularidade razoável. Hoje, o Cruz Azul disputa com os Pumas de la Unam o posto de terceira maior torcida do país.

Por isso, a pressão no clube é grande por títulos. Até porque, desde 1980, o time só conquistou um Campeonato Mexicano, em 1997 (obteve ainda duas Copas dos Campeões da Concacaf e um vice da Libertadores). Assim, a Cementos Cruz Azul investe pesado para ter um elenco forte e colocar o time sempre como favorito. Em geral, não dá certo e a equipe ganhou fama de amarelar. Mas parece que a coisa pode mudar neste ano.

Como qualquer torneio com primeira fase longa e mata-mata no final, o campeão nem sempre é o melhor time, mas o que entrar em boa fase na hora H. E o Cruz Azul dá pinta que será este clube no Apertura 2008.

Na última semana, os cementeros eliminaram os Pumas por 3 a 1 em um clássico da capital. Depois, bisou o placar no jogo de ida das semifinais, contra o Atlante. Nesse momento, cresceu o futebol de Gerardo Torrado, meia experiente que dita o ritmo do Cruz Azul. Como coadjuvante, apareceram o oportunista Sabah, o eficiente Riveros e o promissor Villaluz.

O Atlante tem um grande time e pode reverter a desvantagem no jogo de volta das semifinais, em Cancun. Na final, Toluca e Santos Laguna também teriam condições técnicas de bater a Máquina Cementera. No entanto, o momento parece melhor para os capitalinos. Sobretudo se passar pela pressão atlantista na semifinal.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da rodada de volta das quartas-de-final do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Hernán Cristante (Toluca); Sergio Ponce (Toluca), Paulo da Silva (Toluca), Fernando Ortiz (Santos Laguna) e Luis Gerardo Vanegas (Atlante); Lucas Lobos (Tigres de la UANL), Christian Riveros (Cruz Azul), Gerardo Torrado (Cruz Azul) e Gabriel Pereyra (Atlante); Hector Mancilla (Toluca) e Miguel Sabah (Cruz Azul). Técnico: Benjamin Galindo (Cruz Azul).

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Equipe Trivela

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