México

Futebol ajuda a cicatrizar a tragédia

Desde 1970 o Peru não via tanta gente morrer por causa a terra. No último dia 15, um terremoto de 8 graus na escala Richter com epicentro na província de Ica (150 km a sudeste de Lima) provocou a morte de mais de 500 pessoas e deixou dezenas de milhares desabrigadas. Em um cenário calamitoso como essa, não era possível a vida peruana seguir normal. Se até presos de uma penitenciária limenha doaram dois dias de suas refeições para as vítimas do tremor, não seria o futebol que ficaria à parte do problema.

O efeito foi imediato. No momento em que os abalos aconteceram, o Sporting Cristal estava nos vestiários do Monumental de Ate se preparando para o clássico contra o Universitário, que descia do ônibus. Enquanto isso, os torcedores começavam a ocupar as arquibancadas do estádio. Como os tremores foram sentidos com força em Lima também, o jogo foi adiado imediatamente.

À medida que a gravidade da tragédia ia se revelando, mais atitudes eram tomadas. Toda a rodada do fim-de-semana foi adiada, inclusive o clássico Sporting Cristal x Alianza Lima. A federação peruana decidiu que a renda do amistoso contra a Colômbia, marcado para 8 de setembro, seria revertida para a assistência aos desabrigados. Os grandes clubes também participam, usando seus estádios como centro de recolhimento de donativos ou fazendo jogos-treino com alimentos não-perecíveis como ingresso.

O impacto direto no futebol não foi maior porque não há clube na região de Ica na primeira divisão. O último foi o Estudiantes de Medicina, que faliu em 2003 e jogou a temporada 2004 – quando caiu – em Piura, sob as cores do Atlético Grau. Ainda assim, vários jogadores com origem em Pisco, Ica ou Chincha e seus familiares vivem na área mais danificada pelo terremoto.

Além de ajuda direta e da solidariedade oficial, o futebol também ajudou indiretamente. O momento é de trauma em todo o país, mas a rara alegria nos últimos dias veio no campo. No dia seguinte ao terremoto, a seleção sub-17 do Peru surpreendeu ao vencer a Coréia do Sul por 1 a 0 em Suwon. Um resultado que serviu ao menos para a população deixar de lado, ainda que por rápidos 90 minutos, a tristeza.

Uruguai 2030
O Brasil é dado como certo para sediar a Copa do Mundo de 2014 e se debate por aqui se o país tem condições de organizar evento de tal porte. E o que dá para se dizer do Uruguai? Bem, mas cresce no país o movimento para tentar receber o Mundial de 2030. O apelo, claro, é a comemoração do 100º aniversário da competição, que estreou justamente no país platino, e 200º aniversário da independência uruguaia.

Dizer que há pessoas que pensam na Copa de 2030 não é novidade. Um movimento informal e até auto-irônico foi lançado há anos e chegou a ter site oficial. A diferença é que, esta semana, autoridades cisplatinas mostraram interesse real em tentar viabilizar o projeto. No caso, a idéia veio de Gabriel Weiss, presidente da junta departamental (na organização política brasileira, seria o equivalente a governador do Estado) de Montevidéu, que chegou a falar sobre o assunto em 2005, mas estava quieto ultimamente.

Com apenas 3,4 milhões de habitantes e apenas uma cidade com mais de 100 mil habitantes (a capital Montevidéu), é evidente que o Uruguai não tem a menor condição de organizar a Copa do Mundo sozinho. Por maior que pudesse ser a boa vontade da Fifa por causa do centenário do torneio. Assim, Weiss apareceu com a proposta – que será apresentada ao presidente Tabaré Vázquez – de candidatura conjunta com a vizinha Argentina.

Se os argentinos abraçarem o projeto, pode-se até considerar a idéia viável politicamente (sem considerar o ponto de vista econômico, social e esportivo). Assim que o Brasil se colocou como concorrente para 2014, a Argentina esboçou uma candidatura com o Chile e não seria difícil fazer o mesmo com o Uruguai. Bem, ainda faltam 23 anos e tudo não passa de uma idéia curiosa e megalômana. Até porque ninguém sabe em que situação estarão os países platinos até lá.

Ainda a altitude
Virou questão pessoal. Nem com a liberação de La Paz para as eliminatórias da Copa a Bolívia abandona a briga pelo direito de jogar na altitude. Nesta quinta, o governo boliviano anunciou que investirá US$ 122,6 mil na realização de pesquisas científicas que comprovem que atletas não sofrem danos por praticarem esporte de competição na altitude.

Tais estudos serão realizados dentro do Comitê Interestadual da Defesa da Prática e da Competição Esportiva na Altura, criado pelo presidente Evo Morales especificamente para tratar a questão. Participarão das pesquisas médicos do Instituto Boliviano de Biologia da Altura, profissionais dos ministérios de Saúde e Educação e prefeituras de quatro cidades.

A intenção do governo boliviano é apresentar à Fifa os resultados científicos das pesquisas. Com isso, pretendem acabar de vez com a possibilidade de veto em jogos acima de 2,5 mil m de altitude. No momento, a entidade internacional liberou jogos até 3 mil m e abriu exceção para La Paz (3,6 mil m), mas tal decisão vale apenas para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. No entanto, Joseph Blatter declarou que, para 2014, poderia ser imposto limite de 2,5 mil m, com tolerância para 2,8 mil m.

Como não há problemas para o futuro imediato, a Bolívia continua tendo na altitude sua principal arma. Tanto que Erwin Sánchez, técnico da Máquina Verde, entrou em atrito com a federação local pela falta de amistoso em La Paz. O ex-meia quer acostumar o time nas condições ambientais da maior cidade do país. Afinal, vários jogadores da seleção boliviana jogam fora do país ou em Santa Cruz de la Sierra, longe do ar rarefeito dos Andes.

CURTAS

SUPERLIGA
– depois dem empate em 2 a 2 no tempo normal, o Pachuca venceu o Houston Dynamo nos pênaltis (4 a 3) e assegurou um lugar na final da SuperLiga. O adversário será o Los Angeles Galaxy, que bateu o DC United por 2 a 0 na outra semifinal. O primeiro gol dos angelinos foi marcado por Beckham.

BOLÍVIA
– O Bolívar não consegue sair da crise técnica e financeira. No último fim-de-semana, perdeu de 4 a 1 no clássico contra o The Strongest. Depois, seus jogadores entraram em greve por atrasos nos salários. A diretoria os convenceu a voltar aos treinos, com a promessa de que serão pagos até 25 de agosto.

CHILE
– O atacante Jaime Grondona, de 17 anos, foi suspenso por 9 meses e terá de pagar uma multa de 7 mil francos suíços. O motivo foi a agressão ao quarto árbitro e a um bandeirinha na derrota chilena para a Argentina nas semifinais no Mundial Sub-17. A federação chilena e o Santiago Wanderers pretendem diminuir a pena e apelaram da decisão.

COLÔMBIA
– A Colômbia pode ter desfalques para os amistosos contra México e Estados Unidos. O motivo é curioso: falta de visto. Freddy Guarín, Cristian Zapata, Rubén Darío Bustos e Giovanni Hernández não receberam visto do governo norte-americano e não podem entrar nos Estados Unidos, onde se realizarão as duas partidas. A federação colombiana tentará negociar a liberação dos quatro, mas é possível que substitutos sejam convocados.

EQUADOR
– Yori Tenorio, irmão do atacante Carlos Tenório, foi seqüestrado. Segundo a imprensa equatoriana, o resgate seria de US$ 1 milhão.

MÉXICO
– Em sua estréia em Cancun, o Atlante venceu os Pumas por 1 a 0. O estádio não esteve lotado, mas os cerca de 70% de ocupação já são bem melhores que os públicos dos Potros na Cidade do México.

PARAGUAI
– O brasileiro Pedrinho, do Nacional, acusou o zagueiro Nelson Cabrera, do Cerro Porteño, de insultá-lo com termos racistas no duelo entre as duas equipes na segunda rodada do Clausura. O caso está sob investigação da APF (federação paraguaia).

– Veja os convocados de Gerardo Martino para o amistoso do Paraguai contra a Venezuela em 22 de agosto: goleiros: Henry Lapczyk (Olimpia) e Joel Zayas (Guaraní); defensores: Marcos Cáceres (Racing/ARG), Pablo Aguilar (Sportivo Luqueño), Nelson Cabrera (Cerro Porteño), Cristian Martínez (Olimpia), Julio Irrazábal (Nacional), Carlos Báez (Independiente/ARG) e Derlis Cardozo (Libertad); meio-campistas: David Villalba (Olimpia), Ángel Ortiz (Olimpia), Diego Gavilán (Grêmio/BRA), Fabio Ramos (Nacional) e Víctor Ferreira (Cerro Porteño); atacantes: Alejandro da Silva (Newell’s Old Boys/ARG), Néstor Ayala (Tigre/ARG), Cristian Bogado (Nacional) e Dante López (Libertad).

PERU
– No último domingo, o Alianza Lima foi humilhado pelo Deportivo San Martín. Mesmo jogando em seu estádio, no bairro de Matute, os íntimos perderam por 5 a 0. O San Martín, campeão do Apertura, assumiu a liderança do Clausura.

URUGUAI
– O Nacional contratou Derlis Florentín, ex-atacante do Palmeiras.

VENEZUELA
– O Trujillanos foi o único clube a manter os 100% de aproveitamento após duas partidas no Apertura venezuelano. O Deportivo Táchira também não perdeu ponto, mas um de seus jogos foi adiado e o time aurinegro tem apenas três pontos.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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