México

Flu parou, LDU comemorou

Todo o cenário indicava uma soberba nociva ao Fluminense. Torcida lotando treino e soltando rojão, alguns dirigentes sem esconder o otimismo exacerbado, Renato Gaúcho falando em marcar quantos gols fossem necessários, imprensa sem noção dos limites da prudência jornalística. Em campo, o Tricolor conseguiu superar esse ambiente venenoso. Mas faltou dar o passo decisivo. Preferiu esperar e acabou perdendo a Libertadores para a LDU Quito.

O principal problema do Fluminense foi ter se contentado em levar a disputa para os pênaltis. O time se focou tanto em fazer dois gols de vantagem para anular a vitória dos blancos em Quito que pareceu esquecer que o título só viria com mais um tento. Como se contentou no 3 x 1, se viu a mercê da sorte.

Apesar do resultado quase épico, os tricolores não fizeram uma partida perfeita. A defesa esteve insegura. Thiago Silva e Luiz Alberto tiveram de se adiantar na marcação e ficaram mais expostos à velocidade dos equatorianos. Silva, em particular, mostrou nervosismo e cometeu alguns erros infantis, ainda que seu poder de recuperação o tenha permitido desfazer o equívoco imediatamente.

Outro problema sério da retaguarda tricolor eram os laterais. Como esperado, Bolaños e, principalmente, Guerrón aproveitaram os espaços deixados por Gabriel e Júnior César para criar jogadas pelas pontas. Foi assim que os equatorianos abriram o marcador, em um momento que o Fluminense ainda parecia anestesiado pelo ambiente que rondava em torno da partida.

De certa forma, sofrer o susto rapidamente foi bom para o time das Laranjeiras acordar e ainda ter tempo para reagir. Thiago Neves empatou o jogo em um chute de fora da área e reequilibrou a partida. A LDU tinha ímpeto suficiente para seguir na busca de contra-ataques, mas não tinha mais a mesma confiança. Enquanto isso, os tricolores estavam mais fortes depois de escaparem ilesos do gol equatoriano.

O segundo gol do Fluminense foi um marco na partida. A defesa quitenha falhou na marcação e permitiu que Cícero recebesse livre um lançamento vindo de cobrança de lateral. O meia-volante-atacante cruzou e Thiago Neves virou o placar.

Neste momento, a Liga de Quito morreu em campo. Nervosos pela força do adversário, os equatorianos abdicaram do contra-ataque e viram o Fluminense pressionar. O terceiro gol só demorou a sair porque Washington estava inseguro no ataque. O centroavante perdeu diversas chances claras, inclusive em uma que ele demorou para dominar a bola e acabou derrubado dentro da área.

Tudo ia bem até o terceiro gol carioca, marcado aos 11 minutos do segundo tempo (contando os acréscimos, a mais de 35 minutos do final do tempo normal). A igualdade no placar somado acendeu o alerta na LDU, que voltou a se soltar em campo e criar algum perigo ao gol de Fernando Henrique. O Fluminense pode até ter sentido o desgaste de virar a partida, mas faltou um pouco mais de ímpeto para correr atrás do quarto gol.

Aí ficaram expostos alguns problemas dos tricolores. Conca não fez uma partida brilhante, Júnior César recuou muito no segundo tempo (quando anulou Guerrón) e Arouca tinha de ficar mais atrás para evitar o contra-ataque blanco, fazendo que Thiago Neves ficasse sobrecarregado na armação. Para piorar, Washington estava claramente tenso e Dodô parecia alheio à partida, mais preocupado em fazer jogadas de efeito.

Quando Thiago Neves não teve mais forças para carregar a equipe nas costas (para ser justo, ao lado de Cícero, que também teve boa atuação), o Fluminense morreu ofensivamente. Pior, o time não pareceu muito preocupado com isso. A equipe não buscou opções para seguir a pressão, sendo que tinha 35 minutos para fazer mais um gol.

Pelo modo como o jogo se desenrolou, o clima de oba-oba criado no Rio de Janeiro não teve presença tão marcante na atuação das equipes. Claro que, indiretamente, esse ambiente foi importante para a derrocada. Afinal, o Flu não se preparou adequadamente para o jogo de ida da decisão, deixando de estudar bem o adversário e, principalmente, perdendo a oportunidade de viajar cedo ao Equador para se acostumar com a altitude. A soberba também pode ter influenciado a falta de concentração no início da partida, quando saiu o gol da LDU.

Uma análise nesse sentido não é errada. Mas também deixa de reconhecer o esforço dos jogadores do Fluminense. Pelo menos até o terceiro gol. A partir daí, o Tricolor realmente ficou confiante demais que o quarto gol sairia naturalmente nos 35 minutos finais do tempo normal ou nos 30 da prorrogação. Justamente quando o Flu parou, a LDU passou a ameaçar e arrastou o jogo para os pênaltis. Aí, a experiência e menor desgaste físico dos equatorianos fez a diferença.

Considerando as idas e vindas da partida, a final da Libertadores 2008 foi um dia quase heróico para o Fluminense. È verdade, porém, que o time deixou de completar a obra, um pecado mortal. Melhor para a LDU, justa campeã por ter sabido aproveitar melhor os recursos técnicos que tinha à disposição.

Universitario campeão

Com uma vitória por 3 a 1 sobre o Cienciano no estádio Monumental, o Universitário conquistou o Apertura peruano. O título veio com muita folga, com os cremas abrindo 10 pontos de vantagem sobre o Sporting Cristal com três rodadas para o final da competição. Uma conquista representativa, pois o time mais popular e vencedor do Peru não conquista um campeonato nacional desde 2000 e não vencia um torneio desde o Apertura 2002 (ou seja, há 11 torneios).

O grande destaque da equipe crema foi o técnico argentino Ricardo Gareca. O ex-atacante assumiu o time e não pediu reforços de peso. Preferiu aceitar a realidade econômica do clube e usou os recursos que tinha à disposição. Ou seja, jogadores jovens que já faziam parte do elenco e um ou outro reforço sem grande expressão.

Gareca apostou na experiência do colombiano Mayer Candelo. O meia teve um início de carreira promissor, mas nunca confirmou seu potencial e estava desde 2006 em Ate. Em 2008, Candelo redescobriu seu futebol e foi o condutor da U. A seu lado, o meia teve a companhia de Donny Neyra. Juntos, ambos deram consistência ao time, criando jogadas tendo como referência ofensiva Héctor Hurtado, outro colombiano. Na defesa, a melhor do Apertura, se destacaram Antonio González e o goleiro Raúl Fernández.

Com essa base, o Universitario teve um conjunto forte, sem grandes estrelas, mas muita consistência para manter um ritmo forte durante toda a competição. Das 22 partidas realizadas, os cremas venceram 15 e empataram cinco. O time está invicto há 13 jogos e venceu nas últimas oito rodadas.

Com esse nível de desempenho, era praticamente inviável que outra equipe pudesse acompanhar a arrancada crema. Ainda que a conquista do Apertura não valha o título nacional (que será decidido em dezembro com o vencedor do Clausura), já foi o suficiente para deixar claro que o Universitario voltou ao topo no Peru. Pela importância e tradição do clube, um fator que não pode ser desprezado.

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Equipe Trivela

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