Fim da linha para o melhor técnico da história do Monterrey
Incoerência. Uma palavra simples e que pode justificar de maneira sucinta algumas decisões como, por exemplo, a tomada no último domingo pela direção do Monterrey. Ao término de uma rodada na qual os Rayados foram superados fora de casa pelo León, por 3 a 1, José González Ornelas, presidente do Conselho Esportivo do clube, anunciou a decisão de pôr fim ao contrato de Víctor Manuel Vucetich, treinador do clube.
Surpreende não somente por interromper um período no qual o Monterrey passou de não mais do que um clube médio para um patamar de favorito e representante do futebol azteca mundo afora. Mas, principalmente, por ser uma decisão tomada ainda na sétima rodada do torneio Apertura, restando 10 jogos e 30 pontos em disputa para uma possível recuperação.
É verdade que a campanha Albiazul não empolga nesse início de temporada. Com apenas seis pontos em sete partidas, uma vitória e três empates, o grupo está longe de mostrar um futebol entrosado que tanto o fez ser temido dentro e fora do país. Ainda assim, apenas três pontos separam o clube da zona de classificação para a Liguilla.
Mesmo assim, é impossível não causar surpresa, e um tanto quanto de incredulidade, a saída de um treinador que transformou por completo a estrutura interna e externa do clube e pode ser facilmente creditado como o grande responsável pelas últimas conquistas dos Rayados.
Ao desembarcar em Monterrey, no fim da temporada 2008/09, Vucetich assumiu um clube que contava com dois títulos nacionais e pouca abrangência internacional em pouco mais de 60 anos de história, ocupando talvez um lugar no segundo escalão, rivalizando com seu adversário local Tigres pela popularidade regional, mas certamente distante do grupo dos grandes aztecas.
Ao fim de quatro anos e nove meses de trabalho na Pandilla, o Rey Midas do futebol mexicano acumulou outras dois campeonatos nacionais (em três finais disputadas), um inédito tricampeonato continental consecutivo, uma Interliga, um terceiro lugar no Mundial de Clubes e, principalmente, respeito. Um grupo recheado de bons nomes, praticando um futebol que encantou não somente torcedores, mas jornalistas e dirigentes. Um adversário sempre duro de ser batido.
Apostando em jogadores-chave como Luis Ernesto Pérez, Jesús Arellano, José Maria Basanta, Walter Ayoví, Aldo de Nigris, Neri Cardozo e Humberto Suazo, “Vuce” montou uma espinha dorsal talentosa e experiente no Tecnologico. De brinde, concentrando a pressão sobre nomes mais renomados, foi o responsável pelo surgimento e consolidação de Jonathan Orozco, Severo Meza, Jesús Zavala e Hiram Mier, todos promessas da base Rayada que em outros tempos dificilmente encontrariam espaço para emergir e hoje já figuram na seleção mexicana.
Mesmo todos esses resultados não foram suficientes para manter o treinador. O primeiro sinal de queda pôs fim ao projeto do técnico que há mais tempo comandava um clube no futebol azteca. A justificativa para a demissão foi o desempenho nos três últimos torneios nacionais, sem levar em consideração o tricampeonato continental (que fique claro que o clube alcançou os playoffs nos três torneios, disputando, inclusive, uma final contra o Santos) e o combativo e vitorioso futebol mostrado pelo clube.
É perceptível quem mais sai perdendo nessa saída. Experiente (58 anos), Vucetich já somava três títulos nacionais antes de desembarcar em Nuevo León, com passagens por tradicionais clubes do futebol mexicano. Com a cada vez mais forte onda de contestação sobre o trabalho de José Manuel de la Torre, ganha ainda mais incentivo sua chegada ao comando da seleção azteca. E mesmo que não assuma o cargo de treinador da seleção principal, certamente não faltarão ofertas nacionais (alguém disse Chivas?) e internacionais para um técnico que construiu uma verdadeira dinastia no futebol local.
Por outro lado, são inegáveis as dificuldades enfrentadas pelos Rayados para encontrar um substituto para Vuce. O próprio Ornelas teve dificuldade para justificar a demissão do comandante e indicar qual será o perfil buscado para o próximo treinador na coletiva de anúncio da saída de Vucetich.
Além de lidar com a sombra constante do maior treinador da história do clube, o novo técnico precisará encontrar espaço em um grupo mais do que fechado com o antigo comandante. E que ainda precisará de uma reação no campeonato. O problema é que as opções são extremamente limitadas e não despontam grandes nomes no mercado para assumir a função.
Jogadores e os próprios dirigentes parecem confusos quanto ao perfil e os atributos do próximo treinador a comandar o clube. Uma incógnita que só torna ainda mais injustificável e incoerente a saída de Vucetich. Uma saída que ainda deve cobrar seu preço dos Rayados. E que poderia ter sido facilmente evitada.
Curtas
– Seleção do site Mediotiempo da 7ª rodada do Apertura: Alejandro Palacios (Pumas UNAM), Apodi (Querétaro), Rafael Márquez (León), Francisco “Maza” Rodríguez (América) e Julio César Domínguez (Cruz Azul); Luis Ángel Mendoza (América), Lucas Lobos (Tigres UANL), Carlos Peña (León) e Joao Rojas (Cruz Azul); Mauro Boselli (León) e Raúl Jiménez (América); T: José Saturnino Cardozo (Toluca).
Costa Rica
– Saprissa e Herediano lideram o Campeonato de Invierno, ambos com 7 pontos em 4 partidas. Os Morados bateram o Limón por 2×1, enquanto o Florenses superaram o Santos por 3×2. Em má fase, a Alajuelense perdeu mais uma, para o Puntarenas, e ocupa apenas o 11º lugar, com um ponto.
Guatemala
– Na acirrada disputa entre os dois maiores campeões nacionais da Liga Nacional, o Comunicaciones manteve os 100% de aproveitamento com um bom triunfo sobre a Universidad SC, somando 12 pontos em 4 partidas. Já o Municipal, recuperando-se da péssima campanha no último campeonato, superou o Coatepeque e alcançou 10 pontos, na vice-liderança do Apertura.
El Salvador
– Mesmo com um empate frente ao Juventud Independiente, o Alianza manteve a ponta na Liga Mayor, com 11 pontos em 5 jogos, já que o vice-líder, Atlético Marte, também empatou na rodada, contra o Águila, e soma 9 pontos, ao lado de Isidro Metapán e FAS, que venceram Dragons e Santa Tecla, respectivamente, na rodada do Apertura.
Honduras
– Mesmo perdendo por 3×0 até os 20 minutos da segunda etapa e fora de casa, o Real Sociedad buscou uma improvável reação e conseguiu o empate frente ao Motagua, mantendo a invencibilidade e a liderança do Apertura da Liga Nacional, com 10 pontos em 4 partidas. Vice-líder, o Real España bateu o Victoria e soma 9 pontos, dois a mais que o atual tetracampeão Olimpia, que venceu o Parrillas One.
Panamá
– Superado em casa pelo Chorrillo, o San Francisco teve encerrada sua sequência de quatro vitórias consecutivas e perdeu a liderança do Apertura da Liga Panamenha, com 13 pontos em 7 jogos. A ponta agora é ocupada pelo Tauro, que superou o Río Abajo por 2×1 e alcançou 14 pontos na tabela.
Haiti
– De virada, o atual campeão Valencia bateu o Aigle Noir e manteve a posição no topo do hexagonal decisivo da Digicel Première Division, com 9 pontos em 4 partidas. Com um contundente 3×0, o Racing Club Haïtien venceu o Petit-Goâve e aparece logo a seguir, com 7, seguido do Mirebalais, que apenas empatou com o Baltimore e soma 6 pontos.
– No hexagonal contra o descenso, o Victory perdeu mais uma, dessa vez para o FICA, e continua sem somar pontos em quatro rodadas, caminhando forte para a queda à D2. Já o Don Bosco empatou com o Tempête e soma 4 pontos, entrando na briga pela permanência na elite. Até o momento, FICA (10 pontos), América des Cayes (7), Cavaly (7) e Tempête (5) escapariam da queda, caso a Liga Haitiana terminasse hoje.
Nicarágua
– Melhor ataque, melhor defesa, 100% de aproveitamento e liderança incontestável da Liga Nacional. Esse é o panorama atual do Real Estelí, que superou o San Marcos em seu quinto triunfo consecutivo e caminha firme em busca do pentacampeonato da Primera División, com 15 pontos. Já o Diriangén ficou no empate sem gols contra o Managua e, com 10 pontos, perdeu a vice-liderança para o Walter Ferretti, que venceu o Ocotal e chegou aos 12.



