México

Ficou para 2009 no Uruguai

O Uruguai estava na expectativa para uma grande rodada no último fim-de-semana. Quatro clubes entravam em campo com possibilidades de conquistar o Apertura. Danubio e Nacional dividiam a liderança, com vantagem para os franjeados no saldo de gols. Como os danubianos enfrentariam o Peñarol, alguns (como o fiel leitor Yuri) até especulavam sobre a possibilidade de os carboneros fazerem corpo mole para dificultar a vida do rival tricolor.

Nada disso aconteceu. O fim-de-semana foi melancólico para o torcedor uruguaio. O máximo de futebol que houve foi a rodada da segunda divisão. A elite ficou parada, mais uma vez por falta de segurança nos estádios.

O tema, já recorrente no país, ganhou força em novembro, quando torcedores de Danubio e Nacional protagonizaram uma briga campal após a vitória franjeada por 1 a 0 no Jardines del Hipódromo. O Apertura foi suspenso por duas semanas, tempo em que os ânimos esfriariam e as autoridades poderiam discutir medidas corretivas. O campeonato recomeçou, houve alguns problemas, mas até deu para passar um superclásico Nacional x Peñarol sem tantos incidentes.

No entanto, a chegada de uma rodada tão decisiva acendeu novo sinal de alerta. Até porque o Jardines del Hipódromo seria palco de outra partida importante com o Danubio recebendo uma torcida de massa. Era preciso ter certeza que a casa danubiana estava em ordem. E não estava.

A inspeção identificou várias irregularidades, como cercas mal presas, o que facilitaria a invasão do gramado ou o uso de partes dela para agredir um adversário. Como, no Uruguai, quase todos os times são de Montevidéu, a AUF (federação uruguaia) relutou em tirar do Danubio o direito de jogar em seu estádio (o que seria quase uma inversão de mando). Para piorar, o jogo era decisivo para várias equipes e não poderia ser adiado isoladamente. Desse modo, a entidade decidiu suspender a última rodada inteira.

A decisão foi tomada dois dias antes da rodada. A urgência foi tamanha que nem foi estabelecida a nova data dos jogos. Na última terça, foi anunciado que o Apertura 2008 seria decidido “nos primeiros dias de fevereiro de 2009”, sem data precisa e depois da pré-temporada (e de mudanças nos elencos). Além disso, o presidente da AUF, José Luis Corbo, recebeu poderes extras por um período de 60 dias, nos quais comandaria um grupo que analisaria mudanças estruturais no futebol uruguaio.

Governo x empresários

No Brasil, os clubes cada vez mais correm atrás de empresários que os ajudem a montar os elencos. Enquanto isso, no Uruguai, o trajeto é inverso. Em um universo de extrema dependência de agentes (sobretudo Paco Casal), o futebol charrúa tenta dar mais poder aos clubes.

Quem comanda o processo é o governo. Depois de a Justiça exigir esclarecimentos sobre as movimentações financeiras de Casal, foi a vez de o Poder Executivo agir. Héctor Lescano, ministro dos esportes, apresentou um projeto de lei que permite que os clubes virem empresas e, principalmente, reduz a influência dos intermediários na negociação de jogadores.

O ponto-chave do texto é estabelecer que a compra e venda de jogadores possam ser feitas apenas de clube para clube, em um processo supervisionado pelo Estado. Como os clubes seriam empresas, poderiam ser regidos pelas normas de direito comercial do país.

O projeto de lei já foi aprovado pelo presidente Tabaré Vázquez. No momento, está sob consulta dos demais ministérios, para que a norma seja transformada em lei de ordem pública (que prevaleceriam sobre contratos privados).

LDU Quito vice-campeã mundial

O principal assunto do futebol latino-americano da semana foi a participação da LDU Quito na final do Mundial de Clubes contra o Manchester United. Como o adversário era inglês, o responsável por esta coluna já analisou o jogo na coluna de futebol britânico, publicada na última segunda. Caso você não tenha lido, vai a reprodução do texto abaixo. Se já leu, pule para o próximo tópico.

Soberba quase atrapalha

Em ‘Encontros e Desencontros’ (tradução tenebrosa de ‘Lost in Translation’), o ator Bob Harris (Bill Murray) vai a Tóquio gravar o comercial da bebida Suntory. Fora os compromissos profissionais, ele fica enfurnado em seu hotel, sentindo-se claramente deslocado na massa urbana da capital japonesa e no fuso horário. Foi mais ou menos o que passou o Manchester United nesta semana, com a diferença que os jogadores, até onde se sabe, não conheceram a Scarlett Johansson nesse meio-tempo.

Os Red Devils não fizeram muita questão de esconder que viram a participação no Mundial de Clubes apenas como compromisso profissional e institucional. Antes da competição, houve reclamações a respeito da longa viagem no meio da temporada. Depois, o alvo era o fuso horário e a dificuldade de dormir (a delegação manteve-se no horário britânico para não bagunçar o sono).

Isso ficou evidente pelo modo contido como os jogadores comemoraram o título. Como escreveu o jornalista inglês Barry Glandenning no seu relato da final contra a LDU Quito, parecia que o time conquistara a Community Shield. Claro, é maldade dizer que o Mundial de Clubes vale tão pouco para o Manchester United quanto a Supercopa da Inglaterra. Até porque, na falta de êxtase na comemoração, misturou-se também um certo enfado por ganhar uma competição em que não havia um desafio técnico notável.

O abismo técnico entre os Red Devils e a LDU era marcante. Mesmo sem imprimir um grande volume de jogo, os mancunianos dominaram os equatorianos todo o tempo, dosando suas forças para ‘evitar a fadiga’ (como diria o carteiro Jaiminho). No primeiro tempo, foram quatro chances claras de gol, três defendidas por um sempre estabanado – mas dessa vez inspirado – Cevallos (Park, Tevez e Rooney) e uma que foi pelo alto (Rooney).

A Liga não conseguiu esconder o temor que sentia do adversário. Errou passes tolos por nervosismo e os jogadores em geral pareciam mais preparados para as funções defensivas (na qual o time fez o possível) do que para criar algo. Manso foi o único a chamar o jogo para si. Bolaños esteve mais recuado que o normal e Bieler não incomodou a marcação inglesa como precisa fazer o centroavante isolado de um time que joga em contra-ataque.

A pequena possibilidade que os Blancos tiveram moraram na soma de dois fatores: a demora para o United definir o jogo – que ficou à mercê de um lance isolado – e a expulsão de Vidic. Nesse momento, concentrado no segundo tempo, os sul-americanos tiveram alguma esperança realista de vencer. Se um chute de fora da área ou um passe não dado de Manso tivessem resultado em gol, o rumo da partida poderia ser muito diferente.

Não foi assim. Van der Sar fez uma grande defesa em um lance e, no outro, o meia argentino não passou a bola para Bieler e acabou desarmado. Minutos depois, Cristiano Ronaldo pegou a bola na entrada da área, gingou e atraiu a marcação de dois zagueiros, o que deixou Rooney livre. O português rolou para o atacante inglês, que chutou no canto de Cevallos e levou ao marcador a superioridade técnica vista em campo.

No fim, o minguado 1 a 0 fez que a LDU visse de perto o título mundial. Mas isso só foi possível porque os Red Devils estiveram assoberbados e fizeram questão de tratar o torneio como um intruso no calendário. Se tivessem entrado no clima da competição, talvez o placar final fosse diferente.”

América de Cali volta ao topo

O América de Cali era um gigante combalido. Sem acesso a parte de seu dinheiro por um bloqueio do governo norte-americano a bens de empresas que foram ligadas ao tráfico de drogas colombiano, os escarlatas definhavam. Não conseguiam investir em reforços e viam os resultados caírem campeonato a campeonato. Até que resolveram adotar a estratégica básica de equipes latino-americanas que querem vitórias sem malabarismos administrativos: trabalharam as categorias de base. O fim dessa história foi o título do Finalización 2008.

O grande responsável por esse título – o 13º da história do clube, que se igualou ao Millonarios como maior vencedor da Colômbia – foi Diego Umaña. O técnico teve paciência para trabalhar a boa geração de garotos que o América tinha em mãos. Assim, foi formando um grupo sólido e com talento, algo que já faz a diferença em um futebol como o colombiano, em que ninguém tem tantas estrelas no elenco.

No primeiro semestre, a equipe caleña chegou à final do Apertura, mas pecou pela inexperiência: não lidou com a pressão de reconduzir o clube aos títulos e caiu diante do surpreendente – e despretensioso – Boyacá Chicó. Essa derrota ajudou ainda mais a consolidar o espírito dos Diablos para o segundo semestre.

Na decisão do Finalización, o América parecia um time experiente e confiante. Venceu o Independiente Medellín duas vezes: 1 a 0 fora de casa e 3 a 1, de virada, no Pascual Guerrero. O destaque dos duelos foi o atacante Adrián Ramos, forte candidato a destaque do futebol colombiano na próxima década. Alto e habilidoso, ele sabe criar espaços na defesa adversária e concluir as jogadas. Ainda é estabanado, mas pode evoluir.

Outros nomes importantes para o título do América foram Armero, Jaime Córdoba Carlos Valdés e Otálvaro. Dos jogadores mais experientes, merece menção o goleiro uruguaio Adrián Berbia, responsável por defesas importantes na partida de volta da final.

Colo-Colo, de novo

É indiscutível a hegemonia que o Colo-Colo construiu no futebol chileno. O Cacique conquistou o tetracampeonato em 2006 e 2007 (no Chile, cada ano tem dois torneios), foi vice-campeão no Apertura 2008, mas voltou às glórias no Clausura. No último domingo, os Albos fizeram 3 a 1 no Palestino e, com o 1 a 1 do jogo de ida, ficaram com o quinto título nacional em seis torneios.

A força dos colocolinos nos momentos decisivos evidenciam a solidez da base montada em Macul. O clube perde seus principais jogadores a cada ano, mas mantém uma estrutura mínima e sabe como buscar reforços à altura. Além disso, há uma certa organização interna que impede que crises se alastrem por muito tempo.

Isso ficou evidente em 2008. Depois de dois anos e meio, o excelente trabalho do argentino Claudio Borghi deu sinais de desgaste. O técnico deixou o clube e foi substituído interinamente por Fernando Astengo. O ex-zagueiro do Grêmio não teve grande sucesso, mas chegou Marcelo Barticciotto e a rota foi corrigida. Nessa “crise”, o problema mais sério foi cair na última rodada da fase de grupo da Libertadores (diante dos mais ricos Atlas e Boca Juniors) e ficar “apenas” com o vice do Apertura.

A grande figura do título do Cacique foi o atacante Lucas Barrios. O argentino chegou a Macul com a responsabilidade de substituir o ídolo Humberto Suazo. E o fez com sobras. O centroavante foi artilheiro dos dois torneios do Campeonato Chileno e ainda marcou o gol que abriu o caminho para a vitória sobre o Palestino na final do Clausura.

Outro jogador importante foi o colombiano Macnelly Torres, contratado em janeiro, mas que se apresentou apenas em julho. O meia determinou o ritmo da equipe durante as partidas, controlando o meio-campo e distribuindo a bola para os jogadores de frente. A seu lado estava o paraguaio Domingo Salcedo, que não mostrou o bom poder de finalização da época de Cerro Porteño, mas teve bom papel na armação de jogadas.

Com talentos desse porte, era difícil para o pequeno Palestino conseguir algo além de jogar com garra e sair de campo honradamente. E os tetracolores até deram sustos, ao empatar o jogo de ida com dois jogadores a menos e ao conseguir um 1 a 1 parcial no jogo de volta. No momento de decidir, porém, a experiência, o talento e a tradição do Colo-Colo se impuseram.

Com essa vitória, o Cacique se isolou ainda mais na liderança da lista de campeões chilenos. Os Albos têm 28 títulos, 16 a mais que a Universidad de Chile e 19 à frente da Universidad Católica. O Palestino, que não chegava a uma decisão de Campeonato Chileno desde 1986 (quando também perdeu para o Colo-Colo), tem dois.

Libertadores 2009

Vamos atualizar como ficará a edição 2009 do torneio mais importante das Américas. A cada semana, vão entrando os times que já estão definidos (em itálico, os clubes que entraram na tabela nesta semana):

PRIMEIRA FASE (PRÉ-LIBERTADORES)

Independiente Medellín (COL) x Peñarol (URU)
Estudiantes (ARG) x Sporting Cristal (PER)
El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)
Deportivo Cuenca (EQU) x Deportivo Anzoátegui (VEN)
Palmeiras x Real Potosí (BOL)
México 3 x Universidad de Chile (CHI)

SEGUNDA FASE

Grupo 1
LDU Quito (EQU)
Colo-Colo (CHI)
Sport
Vencedor de Palmeiras x Real Potosí

Grupo 2
Boca Juniors (ARG)
Guaraní (PAR)
Deportivo Táchira (VEN)
Vencedor de Deportivo Cuenca x Deportivo Anzoátegui

Grupo 3
River Plate (ARG)
Nacional (URU)
Universidad San Martín (PER)
Vencedor de El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)

Grupo 4
São Paulo
Defensor Sporting (URU)
América de Cali (COL)
Vencedor de Independiente Medellín x Peñarol

Grupo 5
Cruzeiro
Universitario de Sucre (BOL)
Deportivo Quito (EQU)
Vencedor de Estudiantes x Sporting Cristal

Grupo 6
Lanús (ARG)
Everton (CHI)
Caracas (VEN)
México 2

Grupo 7
Grêmio
Aurora (BOL)
Boyacá Chicó (COL)
Vencedor de México 3 x Universidad de Chile (CHI)

Grupo 8
San Lorenzo (ARG)
Libertad (PAR)
Universitario (PER)
San Luis (MEX)

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