México

Ficou difícil para o Fluminense

Geralmente, quando se fala que um time brasileiro precisa mudar de atitude em uma competição internacional, há um fundo de preconceito por trás. Porque tal análise traz a idéia de que o adversário não é forte, não tem tantos méritos. Se o time perdedor – ou que está mal – simplesmente “mudar de atitude”, vai ganhar, porque seria a tendência natural. Não é assim o duelo LDU Quito x Fluminense na final da Libertadores. Ainda assim, a equipe carioca precisa rever seu modo de encarar a decisão.

A atuação do Tricolor carioca no primeiro tempo da partida de ida, em Quito, foi exemplar. Apesar de algumas boas oportunidades de Washington e um gol de Conca, o time das Laranjeiras se mostrou despreparado para a partida. Apático, deixou os blancos dominarem as ações e criarem uma oportunidade atrás da outra. Um massacre que o placar de 4 a 1 no intervalo não deixou dúvidas.

A desatenção defensiva foi a maior marca dessa atuação do Fluminense. Fernando Henrique falhou em três gols, estando mal posicionado ou atrasado em suas reações. A defesa não ajudou muito, permitindo que atacantes equatorianos se antecipassem em quase todas as bolas que iam para a área ou que sobravam em algum rebote. No geral, parecia um time desatento e desconcentrado, sempre um segundo atrás do adversário.

Taticamente, o Flu também pareceu inadequado. Não é novidade que a arma da LDU é abrir o jogo com Bolaños (pela esquerda) e Guerrón (pela direita), dois meia-atacantes rápidos, habilidosos e com vocação para cair pelas pontas. Desse modo, era fácil de imaginar que uma equipe com laterais que marcam mal como Gabriel e Júnior César precisaria de cuidados especiais. Por exemplo, dar ordem para ambos se aferrarem à defesa ou prever um sistema de cobertura eficiente.

Nada disso aconteceu. As laterais tricolores ficaram expostas, sobretudo a esquerda (direita do ataque equatoriano), e a LDU fez a festa. Guerrón criou diversas situações de perigo e manteve a equipe carioca sob constante pressão. De certo modo, o fato de a diferença de gols ter ficado em dois pode ser considerado sorte do Fluminense.

O pior é que os tricolores nem têm desculpas pelo mau resultado. O time tem sido poupado no Campeonato Brasileiro (como a LDU tem descansado no Equatoriano). Mesmo nas partidas do torneio nacional que usou a formação principal, o Fluminense preferiu reduzir o ritmo para evitar desgaste excessivo. Na semana anterior ao duelo, teve folga pelos jogos das eliminatórias da Copa e entrou em campo com os reservas contra o Coritiba.

Nessas semanas, o Tricolor poderia ter feito uma preparação muito mais adequada. Por exemplo, daria para o time viajar ao Equador com vários dias de antecipação e se aclimatar à altitude. Houve tempo também para realizar treinos táticos específicos para esses jogos decisivos, provavelmente os mais importantes da história do clube.

A derrota só não foi mais contundente porque a LDU Quito reduziu o ritmo no segundo tempo. O gol de Thiago Neves fez os equatorianos ligarem o alerta e pensarem que talvez fosse mais conveniente manter a vantagem confortável do que se expor e perdê-la.

E agora?

Os deslizes do Fluminense não se limitaram à partida. O fato de a superioridade equatoriana não ter se transformado em mais de dois gols de vantagem fez muitos tricolores acharem que será natural a recuperação no Maracanã. Ainda que, tecnicamente, não haja motivos para os cariocas vencerem com alguma folga os quitenhos, tal pensamento é um grande passo para que isso não ocorra.

Na volta do Equador, o técnico Renato Gaúcho e os jogadores do Fluminense deram declarações quase que na linha do “o 4 a 2 foi um bom resultado”. Não, não foi. E o Flu precisa ter consciência disso, não confundindo “ter confiança” com “ser auto-suficiente”. Contra Estudiantes, San Lorenzo e América-MEX, a LDU complicou jogando fora de casa e saiu na frente sempre que foi visitante.

Para o jogo de volta, o time das Laranjeiras precisa canalizar melhor o sentimento de superioridade técnica que tem em relação ao adversário. Com arrogância, a goleada necessária dificilmente virá. Com confiança para buscar o resultado, ela se torna possível.

A partir daí, Renato Gaúcho precisa reorganizar a equipe. Um exemplo são os laterais. Como os tricolores precisam de muitos gols, não podem prescindir dos avanços de Gabriel e Júnior César. Assim, a cobertura dos volantes terá de ser muito bem coordenada para impedir que os equatorianos tenham espaço para os contra-ataques. Além disso, manter a força do meio-campo, como ocorreu contra o Boca Juniors, talvez seja mais recomendável do que cair na tentação de encher o time de atacantes (leia-se, colocar Dodô de saída).

Claro que isso é apenas uma projeção. Como técnico, Renato Gaúcho tem se notabilizado por arriscar. Muitas vezes, parece que ele perdeu a razão, mas sua aposta se paga em campo. E ser corajoso e ousado é uma virtude, mesmo que nem sempre dê certo.

O Fluminense não pode se dar ao luxo de errar tolamente de novo. Errar por ousadia é aceito. Errar por falta de atitude condizente com a de um finalista, não. A LDU é um time forte e extremamente bem montado por Edgardo Bauza. Para vencê-la, o Tricolor precisa jogar em todo seu potencial. Se continuar desconcentrado e despreparado, verá uma festa equatoriana no Maracanã.

Defensor Sporting campeão

A camisa pesou… contra. Na semifinal do Campeonato Uruguaio, o peso da tradição atrapalhou o Peñarol diante de um Defensor Sporting muito bem montado. Assim, os violetas conseguiram a vitória por 2 a 1 no jogo de ida e, com um 0 a 0 na partida de volta, conquistaram o quarto título nacional de sua história.

Os carboneros tinham a obrigação de vencer. Não apenas porque o regulamento dava vantagem ao Defensor (se vencessem a semifinal, teriam de pegar mais uma vez os violetas na final), mas porque vinham em melhor momento e contam com um time tecnicamente superior. Esse cenário criou uma pressão que os peñarolistas não souberam contornar.

Na partida de ida, a dupla de zaga Lamas e Risso, ajudada pelo volante Marchant, esteve impecável, fechando os espaços de Bueno e Estoyanoff. O setor criativo do Peñarol ficou sufocado e sem opções. Foi a deixa para o Defensor tomar conta do jogo.

As principais figuras foram Sebastián Fernández e Viudez. Ambos se movimentaram constantemente, dificultando a marcação de uma defesa carbonera que não esteve particularmente inspirada. Alcoba e Manrique não conseguiram conter o jogo mais fluido dos violetas.

Aos 21 minutos de jogo, o time do Parque Rodo já vencia por 2 a 0, gols de Lamas e Gaglianone. Pouco antes do intervalo, Aguirregaray diminuiu a diferença. No segundo tempo, o Defensor continuou melhor e manteve a vantagem.

Na partida de volta, a dinâmica foi mais ou menos parecida. No entanto, o Defensor não tinha interesse em buscar a vitória e se contentou por segurar o empate. Assim, um Peñarol tenso não conseguiu articular jogadas para furar a defesa violeta. O 0 a 0 persistiu até o final, sem que os carboneros criassem muito perigo ao gol de Martín Silva.

Foi o quarto título nacional do Defensor Sporting, que assume isoladamente o posto de terceiro maior campeão do Uruguai (atrás de Peñarol e Nacional, desempatando com o Danubio) na era profissional e empatando com River Plate e Montevideo Wanderers na terceira posição da contagem geral. Curiosamente, cada título veio em uma década: 1976, 1987, 1991 e 2008.

Violência no Peru

O clássico deste domingo entre Universitario e Alianza Lima, o de maior rivalidade do Peru, foi adiado. Motivo: violência das torcidas. Na última quarta, membros da Holocausto e Los Sicarios, duas barras bravas cremas se dirigia ao estádio Nacional para ver o clássico Universitário x Sporting Cristal.

No caminho, encontraram com alguns membros da Los Respaldo, barra brava aliancista, que iam ao estádio Alejandro Villanueva para ver o jogo dos íntimos contra a Universidad César Vallejo. De moto, os barras bravas do Alianza dispararam contra o grupo de cremas. Um seguidor do Universitário morreu e outros sete ficaram feridos.

A polícia fazia a escolta dos torcedores cremas, mas acusou a Asociación Deportiva de Fútbol Profesional (entidade formada pelos clubes) por marcar quatro jogos na cidade de Lima no mesmo dia (naquela noite, também houve Universidad San Martín x Atlético Minero e Sport Boys x Sport Ancash). Sendo que as três grandes torcidas da cidade estariam envolvidas. De acordo com as autoridades, a política não tem agentes suficientes para realizar a segurança dos torcedores nessas condições.

Para piorar o clima, Alianza Lima e Universitário tinham um encontro marcado para esse domingo. O clima entre os barras bravas dos dois clubes ficou ainda mais acirrado, com promessa de vinganças e novos confrontos. A polícia resolveu adiar a partida para 6 de julho, tempo considerado suficiente para realizar uma campanha de paz nos estádios e criar um plano de segurança especial para o superclásico peruano.

O fato cria ainda mais confusão no Apertura. O torneio já teve vários jogos com datas remarcadas e o clássico, a ser adiado em uma semana, pode marcar a confirmação matemática do título crema.

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Equipe Trivela

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