Felinos mostram suas garras

Líder incontestável. Com uma vitória simples sobre o Monarcas Morelia, no Morelos, o Pumas alcançou sua décima partida invicta no Clausura 2011. Mais do que isso, o time chegou ao quarto triunfo consecutivo, disparou na liderança geral e cravou o melhor início da equipe em toneios curtos em toda sua história, batendo o antigo recorde de nove jogos de invencibilidade, alcançado no torneio Verano de 1997.
O gol ainda teve um significado especial para a equipe de Pedregal, uma vez que o tento foi anotado por Juan Francisco Palencia, aos 11 da segunda etapa, após cruzamento do brasileiro Leandro Augusto. O veterano atacante mexicano estava longe das redes há quase um ano, seu último gol, de pênalti, fora marcado em abril de 2010, contra o Santos Laguna.
Apesar das reclamações sobre a posição irregular no momento do gol, as imagens da reprise deixaram clara a validade do lance. Além disso, premiou o time que mais buscou o gol na primeira etapa, mesmo jogando na casa do adversário. Com a vantagem, a UNAM se fechou na defesa para segurar o resultado, e, mesmo enfrentando os vice-líderes, garantiram os três pontos.
Com mais um resultado positivo, os Universitarios chegaram aos 24 pontos na Primera División. Único time invicto no Clausura, foram sete vitórias e três empates, com o melhor saldo de gols (12) da competição. A classificação parece praticamente assegurada, já que mesmo com sete partidas a serem disputadas, a diferença para os vice-líderes nos grupo 3 chegou a seis pontos.
Mas o que salta a vista no primeiro momento é a superioridade com que a la U vem derrotando seus adversários e impondo seus resultados em um torneio extremamente equilibrado.
O time, além de garantir com tranquilidade suas vitórias em casa, parece ter descoberto um jeito fácil de impor-se sobre os adversários em campo inimigo, garantindo as vitórias no primeiro tempo com uma forte pressão para, em seguida, defender-se de forma segura da pressão dos mandantes.
Na série de quatro vitórias consecutivas, iniciada após o empate no clássico contra o Guadalajara, a Universidad Nacional somou três vitórias longe do estádio Olimpico, com gols marcados ou na primeira etapa ou no início do segundo tempo. Pode parecer arriscado se fechar contra times até menos tradicionais após sair na frente, mas a tática vem dando resultado para os Auriazules.
Somados aos bons resultados fora, a UNAM garante seus triunfos em casa com facilidade, derrotando adversário perigosos com soberania, como nas vitórias sobre Santos (2×0) e Monterrey (3×2), e humilhando as equipes mais fracas, como na goleada sobre o Estudiantes por 5×1. Uma característica indispensável para times de sucesso em competições acirradas.
Até mesmo na única partida em que perdeu pontos na capital, no empate contra o Guadalajara por 1×1, um ponto positivo pôde ser notado: mesmo sofrendo um gol em casa no clássico há dez minutos do fim do jogo, teve frieza para buscar o empate no minuto seguinte e igualar o placar.
O time comandado por Guillermo Vázquez aposta sua força no conjunto, experiente e mentalmente frio nas partidas decisivas. O esquema utilizado pelo mexicano é o 3-4-3, com uma defesa entrosada e um ataque eficiente. E poucas alterações no decorrer da competição.
No gol, Alejandro Palacios, longe de ser espetacular, vem tendo exibições seguras e parece ter vencido momentaneamente o duelo contra Patiño pela camisa 1. O bom trio defensivo conta com Marco Palacios e o capitão Darío Verón, além do jovem Efraín Velarde, que já merece ao menos uma chance na El Tri.
A ala esquerda é ocupada sem discussão por Javier Cortés, especialista no apoio ofensivo e outro que deverá em breve ocupar uma vaga na seleção, enquanto a única incógnita da equipe parece ser o lado oposto, onde Fuentes, Espinoza e Chiapas passaram sem sucesso, e até Leandro Augusto foi improvisado, saindo-se melhor que os demais.
O problema é que o brasileiro é indispensável para a zona central do meio-campo, aonde, junto a Israel Castro, que vem comandando as ações ofensivas, forma uma dupla crucial na ligação com o ataque.
O ataque Universitario se caracteriza pela eficiência. Palencia, Bravo e López são titulares incontestáveis e, mesmo com a falta de gols que atingiu o experiente atacante, a dupla sul-americana soube segurar o bastão e garantir a oferta de gols para os líderes.
Mais do que ambos, contudo, o reserva Juan Carlos Cacho, vice-artilheiro do Clausura com cinco gols, é a garantia de gols. Boa parte da imprensa contesta a reserva para Cacho. Algo que, mesmo com o retorno as redes de Palencia, pode causar muitos questionamentos a Vázquez.
Alguns outros pontos podem indicar parte do sucesso alcançado pelo Pumas. Diferente de boa parte dos demais clubes mexicanos, que apostam sem parcimônia em estrangeiros (à exceção das Chivas, que praticamente não foram às compras e não aceitam não mexicanos), os Felinos contam com apenas quatro atletas de fora do país. Todos titulares incontestáveis e fundamentais para o sucesso do clube, sem contar a vivência do quarteto em solo azteca.
No Olimpico desde 2003, o paraguaio Darío Verón é capitão e referência para a zaga universitária, além de participar da conquista do tricampeonato pelo clube na década (Apertura e Clausura 2004 e Clausura 2009), assim como o brasileiro naturalizado Leandro Augusto, com mais de 300 partidas pelos felinos. Já o argentino Martín Bravo e o paraguaio Dante López chegaram à UNAM em 2008, e, com gols e dedicação, são destaques da torcida da la U.
Boa parte da equipe vem sendo formada com apoio na base, sob a batuta do presidente Víctor Matta, que aposta em jogadores que realizam boas campanhas nos torneios sub-17 e sub-20. Além disso, mesmo os mais experientes contam com o fator continuidade no clube, que auxilia no entrosamento e na experiência passada aos novatos.
Outra vantagem da Universidad Nacional é o fato de o time estar fora das disputas continentais na temporada. Com dedicação exclusiva à Primera División, o clube vem utilizando força total na Liga nacional e ganhando entrosamento e pouco desgaste no decorrer da temporada.
A torcida Felina parece esperançosa de alcançar seu sétimo título nacional. Com três conquistas nacionais na década, o clube da capital foi o terceiro maior vencedor desde 2000, atrás apenas de Toluca (com cinco títulos) e Pachuca (com quatro), mas a frente de rivais históricos e times muitos mais tradicionais no cenário mexicano, como Guadalajara, América e Cruz Azul, que sofrem com seca de títulos e campanhas irregulares.
Para os Auriazules, a conquista do Clausura (coroada com uma excelente campanha) pode ser o início perfeito de mais uma década a frente dos rivais.



