México

Falta atitude

O Peru conta com uma população razoavelmente grande, gosta muito de futebol e tem alguma tradição no futebol. Ainda assim, não é realmente competitivo há duas décadas, tanto a seleção quanto seus clubes. Por isso, ter adversários peruanos pela frente não deve, em princípio, ser visto como um grande obstáculo para um time que se considera candidato ao título da Libertadores. Não foi o que ocorreu com o Flamengo.

Ainda que entre na Libertadores com status inferior a Boca Juniors e São Paulo, o Rubro-Negro tem motivos para se ver no grupo de times em condições de ficar com o título. É verdade que o ataque com Souza, Obina, Diego Tardelli e Maxi Biancucchi não desperta pânico nas defesas adversárias. Também é verdade que a contusão de Renato Augusto tirou dos flamenguistas o homem de maior talento para armar jogadas ofensivas. No entanto, é inegável que o resto do time tem consistência suficiente para compensar essas fragilidades.

No papel, empatar fora de casa e vencer em casa podem ser considerados resultados positivos para um início de Libertadores. E são. O problema é que o Flamengo deveria ter conquistado tal retrospecto com mais sobras. O empate com o Coronel Bolognesi em Tacna e a vitória por 2 a 1 sobre o Cienciano no Maracanã não tiveram atenuantes. Pior, houve agravantes.

Os cariocas dominaram o jogo em Tacna, mas não se pode dizer que houve uma pressão enorme e que apenas o acaso explicaria a igualdade. Contra o Cienciano, a situação foi ainda pior. O Flamengo não conseguiu dominar a partida e deixou um time muito voluntarioso segurar o empate até o penúltimo minuto de jogo. Para piorar, os peruanos ainda podem se considerar prejudicados, pois tiveram um gol legítimo erradamente anulado pouco antes do tento da vitória rubro-negra.

Parece que o clube da Gávea não está com total noção de seu tamanho no cenário sul-americano. Se o Flamengo entrar em campo de modo confiante e tomar a iniciativa, tem poder para intimidar quase qualquer adversário. Só os demais brasileiros – por costume de enfrentar o Fla – e os grandes da Argentina podem resistir a isso. Os demais mostrariam respeito à camisa rubro-negra. Pelo menos no começo das partidas.

Os flamenguistas precisam disputar a Libertadores como se fosse algo natural, sem estranhá-la. Isso vale para a diretoria, que precisa tirar o foco da discussão por altitude (ainda que atue nos bastidores, não precisa tornar esse debate tão importante, pois, para os países andinos, isso é visto como sinal de fraqueza). Quando o Flamengo perceber que se impor diante do adversário é meio passo para conquistar uma vitória na Libertadores, o time carioca pode confirmar sua condição de candidato ao título continental.

Águias não alçam vôo
Com a derrota em casa para o Santos Laguna, o América completou três derrotas seguidas pelo Clausura, sendo duas no Azteca. Ainda que tenha uma vitória agônica sobre a Universidad Católica pela Libertadores no meio, há também uma derrota para o River na mesma competição. No geral, são quatro derrotas em cinco partidas. Uma série que começou sob o comando de Daniel Brailovsky, causou sua queda, e continua com Rubén Romano. Sinal de que parte do problema está no clube ou no time em si.

Aliás, a troca de técnico explica um pouco o que ocorre em Coapa. Com tantos investimentos da diretoria e uma cultura de se sentir onipotente, a pressão sobre o time é sempre desproporcional. Quando a equipe joga bem, essa pujança se transforma em impulso para intimidar os adversários. No entanto, quando a situação não está boa…

Foi o que ocorreu neste início de temporada. Depois de uma boa participação na Interliga, o cenário era favorável. Mas bastaram as primeiras rodadas do Clausura para a chiadeira da má campanha do Apertura voltar à tona. O time empatou em casa com o frágil Puebla e perdeu dos Jaguares de Chiapas. As vitórias sobre Pumas de la Unam e Tecos de la UAG deram sobrevida a Brailovsky, mas o time estava sob desconfiança. Uma derrota em casa para o também fraco Morelia valeu a demissão do técnico.

Essas oscilações de humor tiram a tranqüilidade das águilas. Para piorar, a saída do goleiro Ochoa (está servindo a seleção olímpica mexicana) tirou a confiança da defesa, ainda que o reserva Navarrete tenha feito boas apresentações. Assim, após a derrota para o River Plate, o capitão Villa reconheceu que o time não tem consistência psicológica, física e coletiva. O volante até evitou dar ao árbitro a culpa pela derrota no Monumental de Núñez, atitude predominante na imprensa mexicana.

Sorte do América que a tabela deu uma ajuda em um momento de instabilidade. Pelo Clausura, o time tem pela frente os Tigres de la UANL, que lutam contra o rebaixamento, e o San Luís, imprevisível, mas acessível no Azteca. Pela Libertadores, o próximo adversário é o Deportivo San Martín, equipe sem tantos argumentos técnicos e que pode sentir a altitude da Cidade do México.

Esses três jogos podem ser fundamentais para o América recuperar a paz que precisa para trabalhar antes do clássico contra o Cruz Azul e os jogos decisivos contra Universidad Católica e River pela Libertadores. O potencial dessa equipe ainda é alto, mas a sensação de que uma crise sempre está prestes a começar dificulta o desenvolvimento americanista.

SELEÇÃO DA RODADA

– Veja a seleção da 7ª rodada do Clausura mexicano do site Medio Tiempo: Oswaldo Sánchez (Santos Laguna); Iván Estrada (Santos Laguna), Pablo Quatrocchi (Necaxa), Ismael Fuentes (Jaguares de Chiapas) e Jaime Lozano (Cruz Azul); Gerardo Torrado (Cruz Azul), Fernando Arce (Santos Laguna), Edgar Lugo (Cruz Azul) e Nicolás Olivera (Puebla); Alfredo Moreno (San Luis) e Hugo Rodallega (Necaxa). Técnico: Salvador Reyes (Necaxa).

Contas com a imigração
O prazo está se esgotando. Nesta sexta, estava prevista a entrega de toda a documentação necessária para a legalização dos jogadores estrangeiros para o Clausura venezuelano. A questão não é de regulamento futebolístico, mas de governo. O prazo foi estipulado pela Onidex (Escritório Nacional para Imigração) do ministério do trabalho da Venezuela.

Até aí, normal. O problema é que, a um dia da data limite, apenas sete dos 18 clubes da primeira divisão já haviam entregue a papelada necessária. Assim, já estariam regularizados Caracas, Deportivo Táchira, Unión Maracaibo, Atlético El Vigía, Aragua, Zamora e Deportivo Italia, clubes que podem utilizar seus jogadores estrangeiros sem problema já neste fim-de-semana.

A demora dos 11 clubes restantes é justificada pela quantidade de documentos exigida pelo governo. Primeiro, cada uma das equipes precisam comprovar que não têm dívidas trabalhistas, como o seguro social (equivalente ao FGTS brasileiro) e as taxas do Ices (Instituto Nacional de Capacitação e Educação Socialista). Depois, os contratos com os jogadores são enviados aos ministérios do interior e das relações exteriores. Por fim, os atletas entram em contato com seu país para conseguir o visto de trabalho na Venezuela, algo que pode levar até cinco dias.

Curiosamente, o trâmite é mais complicado para jogadores que já atuam na Venezuela e tenham contrato renovado. Neste caso, o clube deve apresentar o novo contrato e repetir todos os passos, mas o jogador é obrigado a voltar a seu país até consegui o novo visto de trabalho.

Caso algum clube não consiga regularizar a documentação, terá de terminar o Clausura sem utilizar jogadores estrangeiros.

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Equipe Trivela

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