México

Excesso de regularidade

Regularidade é um termo em pauta no futebol. Um conceito que se tornou o objetivo dos clubes no futebol moderno. Afinal, regularidade é mais do que necessária para um clube sagrar-se campeão no formato de disputa por pontos corridos, tão presente hoje. Ela é requisito. Para os clubes que almejam não vencer, mas permanecer nas principais divisões nacionais mundo afora, a necessidade passa por vitórias, mas também por uma regularidade que possibilite ao clube perder pouco. O problema é que esse ideal vem sendo posto a prova na Primera División mexicana.

Tradicional clube do futebol azteca, o Atlas enfrenta nos últimos anos uma série de altos e baixos (diga-se de passagem mais baixos do que altos) que deixou o Zorro seriamente ameaçado de queda para a Liga de Ascenso, o equivalente a segunda divisão do futebol do país.Vale lembrar que a fórmula de rebaixamento no México leva em consideração o desempenho dos times nas três últimas temporadas completas (seis torneios curtos). Um modelo criticado, que rebaixa apenas o último dos 18 times que disputam a elite.

É verdade que os rojinegros começaram a atual temporada na lanterna da “tabla de cocientes”, ajudados pelo fato de o time ter terminado na última colocação em dois dos quatro torneios considerados para a temporada 2012/13. Bem como o Atlas não alcançou a Liguilla uma única vez nesse período. Aliás, lá se vão cinco anos (e dez torneios) que o time não alcança os playoffs. O curioso é que a Academia, quando não afunda de vez, mantém-se numa campanha regular: com poucas derrotas, mas também poucos triunfos, e muitos empates. Essa “regularidade”, entretanto, é que vem prejudicando a campanha do Atlas na fuga do rebaixamento.

Nos dois torneios em que não passou vexame e segurou a lanterna da Primera División, a Furia teve uma campanha decente no número de reveses e gols sofridos, mas também não conseguiu somar vitórias, obtendo poucos pontos e travando a fuga contra o descenso. No Clausura 2011, o Atlas terminou no meio da tabela (10º entre 18 times), com o mesmo número de vitórias e derrotas (6) e o mesmo número de gols marcados e sofridos (23), zerando o saldo de gols.

Para quem acha isso um exemplo de regularidade, entretanto, é só acompanhar o desempenho dos rojinegros em 2012: no Clausura, o clube teve a segunda melhor defesa (apenas 13 gols sofridos) e somente cinco derrotas (menos, por exemplo, que o Jaguares, que conseguiu vaga na Liguilla). O problema é que, na contramão, somou também cinco triunfos e conseguiu a ínfima marca de apenas sete gols anotados (média de 0,41 por partida), contra 12 da segunda pior defesa do rebaixado Estudiantes Tecos. Como saldo, o Atlas quebrou o recorde de igualdades em um único “torneo corto”: oito empates em 17 jogos.

E se parecia uma marca difícil de ser batida, o atual elenco de clube de Jalisco provou o contrário. Mesmo após a contratação de nomes como o artilheiro chileno Héctor Mancilla, campeão com o Tigres, o clube já soma inacreditáveis sete empates em nove rodadas no Apertura da Liga MX. Mesmo ostentando a melhor defesa, com apenas seis gols sofridos, a Academia ocupa um modesto 12º lugar e uma média de gols marcados menor que um.

Ainda que o clube tenha deixado momentaneamente o posto de lanterna (e virtual rebaixado caso o campeonato terminasse agora) para o Querétaro, a falta de uma campanha consistente não permitiu ao Zorro abrir uma vantagem na briga contra a queda, a despeito da péssima campanha dos Gallos Blancos, que somaram apenas dois pontos em nove jogos e contam a pior defesa e o pior ataque da competição. Tanto que, atualmente, bastaria um triunfo ao time da Corregidora para devolver posto de rebaixado ao Atlas.

O clube sabe que ainda está longe de voltar aos tempos áureos. De títulos como o do campeonato mexicano de 1951 ou mesmo de boas campanhas como o vice de 1999, reflexos de uma década onde o Atlas contou com artilheiros como Hugo Norberto Castillo e Jared Borgetti, além de grandes nomes do futebol mexicano como Pável Pardo e Oswaldo Sánchez, sobrou apenas um clube com grande fama de revelar talentos, mas rapidamente vendê-los para os gigantes aztecas. Para retomar esse caminho o primeiro passo é deixar de ser mediano, conquistando somente empates, e tornar-se “regular”, também, na obtenção de vitórias.

Copa MX

Com boas arrancadas na reta final da primeira fase, quatro clubes da Liga de Ascenso superaram seus rivais da Primera División e garantiram 50% das vagas nas quartas de final da Copa MX Apertura 2012. E todos os confrontos colocarão frente a frente um time da elite contra um rival da segunda divisão azteca.

Deixando para trás Morelia e León, após dois triunfos na rodada final sobre o Estudiantes Tecos, o Dorados, líder da Liga de Ascenso, medirá forças com o San Luis, melhor segundo colocado da primeira fase. O classificado pega o vencedor de Necaxa x Toluca.

Na outra perna, o Toros Neza, que eliminou o Cruz Azul, enfrenta o Pachuca, time de melhor campanha e defesa (sofreu apenas dois gols em seis partidas) na primeira fase. Quem vencer faz a semifinal contra o sobrevivente do confronto entre Tijuana e Correcaminos, este último classificado mesmo sendo dono da pior defesa da competição, vazada em 13 oportunidades (média de mais de 2 gols por jogo).

Concachampions

Com uma vitória em Honduras sobre o Marathón (3 a 2), o Seattle Sounders (EUA) tornou-se o primeiro clube a garantir vaga nas quartas de final da Concachampions, somando nove pontos contra apenas um de Marathón e Caledonia (TRI) no grupo 4. Já na chave 5, o Los Angeles Galaxy apenas empatou sem gols com o Puerto Rico Islanders, fora de casa, mas ainda lidera, com 7 pontos, contra 3 do Isidro Metapán (SLV) e um dos porto-riquenhos.

Outros dois times norte-americanos venceram na rodada: o Houston Dynamo goleou o FAS (SLV), em casa, por 4 a 0, e lidera o grupo 3, com sete pontos, enquanto o Olímpia (HON) tem quatro e o clube salvadorenho já está eliminado, ainda sem pontuar. O Real Salt Lake, por sua vez, obteve seu triunfo sobre o Tauro, no Panamá, com um gol de pênalti aos 49 do segundo tempo, e divide a liderança da chave 2 com o Herediano (CRC), ambos com 6 pontos. Os toros já estão eliminados.

Nos grupos que contam com clubes mexicanos, o Santos fez sua parte, goleou o Águila (SLV) por 4 a 0 e lidera a chave 1 com nove pontos, contra três do Toronto (CAN). No grupo 6, o Tigres bobeou e não passou de um empate (1 a 1) com o Real Estelí (NIC). Os felinos lideram com cinco pontos, mas a Alajuelense (CRC) já soma quatro e ainda conta com um jogo a menos.

No grupo 7, o Municipal (GUA) bateu o Chorrillo (PAN) por 2 a 1 e divide a liderança com o Monterrey (MEX), ambos com seis pontos. Outro clube guatemalteco, o Xelajú superou o W Connection (TRI) por 3 a 2 e abriu vantagem no topo da chave 8, com sete pontos. Com três pontos, mas com uma partida a menos, aparece o Chivas de Guadalajara (MEX).

Curtas

– Seleção Trivela da 9ª rodada do Apertura mexicano: Hugo González (América), Maranhão (Cruz Azul), Edgar Dueñas (Toluca), Gerardo Espinoza (Jaguares) e Jaime Durán (Puebla); Hernán Burbano (León), Javier Aquino (Cruz Azul), Matías Abelairas (Puebla) e Neri Cardozo (Monterrey); Ángel Reyna (Monterrey) e Duvier Riascos (Tijuana) T: Vítor Vucetich (Monterrey);

– Resultados da 9ª rodada: Puebla 1×1 León, Morelia 1×1 Tigres, Cruz Azul 1×1 América, San Luis 1×0 Pachuca, Monterrey 3×2 Querétaro, Santos 0x0 Jaguares, Tijuana 1×1 Atlas, Toluca 1×0 Atlante e Chivas de Guadalajara 0x0 Pumas UNAM;

– Um dos artilheiros da Copa MX, com 5 gols, é o brasileiro Lima, ex-Coritiba, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians. Atacante do já eliminado Lobos BUAP, lanterna do grupo 7, ele deverá ser ultrapassado em breve pelo paraguaio Édgar Benítez, do Toluca, que também soma 5 tentos e continua na competição;

Costa Rica

– Em confronto direto na briga pelo topo, a Alajuelense bateu o Cartaginés, em casa, por 1×0 e isolou-se na ponta do Campeonato de Invierno, com 22 pontos, deixando o rival com 18. O time de Alajuela ainda se beneficiou das derrotas de Herediano (vice-líder, com 19 pontos) e Saprissa (também com 18), ambas também por 1×0, para San Carlos e Limón, respectivamente;

El Salvador

– Mesmo empatando sem gols em casa com o Águila, o Alianza manteve a vantagem no topo do Apertura da Liga Mayor, já que o vice-líder Isidro Metapán também não passou de um empate em casa contra o Santa Tecla (1×1). Os Albos chegaram aos 21 pontos em 10 jogos, contra 18 dos Caleros no mesmo número de partidas. Aliás, todas as cinco partidas da rodada terminaram em igualdade, sendo que quatro delas nem mesmo mexeram no placar (0x0). Suspeito?

Guatemala

– Com uma fácil goleada por 5 a 0 sobre o lanterna Juventud Escuintleca, em casa, o Comunicaciones disparou na liderança do Apertura da Liga Nacional, com 27 pontos, abrindo seis de vantagem para os adversários mais próximos. Os Cremas foram beneficiados pela derrota do Municipal para o Xelajú (2 a 0), que manteve os Rojos com 21 pontos, mesma pontuação do Heredia, que goleou o Petapa por 4 a 1;

Honduras

– O Olímpia retomou a primeira colocação do Apertura da Liga Nacional com uma vitória sobre o Deportivo Savio, fora de casa, por 2 a 1, chegando aos 20 pontos. Os Leones se beneficiaram, ainda, da derrota do antigo líder Victoria, que visitou o Motagua e perdeu por 1 a 0, estacionando nos 18 pontos. Na briga pelo terceiro posto, o Real España foi derrotado pelo Real Sociedad, fora de casa, por 1 a 0 e foi ultrapassado pelos algozes (16 pontos contra 15);

Panamá

– Uma vitória mínima sobre o Chepo em casa manteve o pequeno Río Abajo na ponta do Apertura da Liga Panamenha, com 22 pontos em 11 jogos. O Tauro, que folgou na rodada, manteve a vice-liderança, com 18 pontos em 10 partidas.

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