México

Espírito de Libertadores

Joel Santana queria mostrar que seu time sabia o que fazer contra o Nacional no apertado Parque Central de Montevidéu. “Perguntam muito sobre o que o Flamengo espera do clima do jogo, sobre a pressão da torcida, porque o estádio é apertado. A gente sabe que a pressão vai ser grande, mas estamos preparados. Muitos dos nossos atletas já jogaram a Libertdores no ano passado. Não podemos entrar nessa de provocação. Precisamos jogar de forma inteligente e de igual para igual. Não podemos ligar para provocações.” Joel estava errado.

O Flamengo mostrou uma constrangedora inexperiência no Parque Central. Deixou-se dominar pelo time uruguaio, não soube como parar o rodado Richard Morales e viu o time se desmontar em momentos de lapsos mentais. As expulsões de Toró e Leonardo Moura são indesculpáveis, como seria a de Fábio Luciano se o árbitro tivesse sido mais rigoroso.

Sorte do Flamengo é que se trata ainda da terceira rodada da fase de grupos da Libertadores. Há tempo de sobra para o time reagir, conquistar a classificação e pensar em ir longe. Claro, precisa ter uma atitude mais condizente com a de um grande time. Coisa que sobrou ao Nacional.

Os bolsos têm time para, no máximo, repetir a campanha do ano passado, quando chegou às quartas-de-final. Isso com alguma sorte. A derrota para o Cienciano na primeira rodada deixou isso claro. No entanto, a equipe deu aula aos rubro-negros de como se joga em casa pela competição continental. Não demonstre temor ao adversário, incendeie a torcida e imponha um ritmo de jogo intenso e intimidador. Um conhecimento acumulado em décadas de grandes participações e que não foi embora junto com a qualidade dos jogadores.

Nesta semana, dois times argentinos também mostraram que saber jogar a Libertadores é algo importante. Primeiro, o Boca Juniors, que se impôs diante do Atlas e fez 3 a 0 mesmo diante da boa atuação do adversário. Os mexicanos começaram com um futebol intenso, de marcação forte e saída de jogo rápida. Os xeneizes assimilaram essa dinâmica de jogo e, quando os zorros baixavam a guarda, faziam seus gols com naturalidade irritante (para os adversários).

A outra vitória com essa marca foi do Estudiantes sobre o Danubio. Os pincharratas estavam em desvantagem no placar e em jogadores em campo. Ainda assim, encontraram forças para sufocar os uruguaios e buscar a virada nos minutos finais. Uma vitória fundamental para manter o Estudiantes na briga em uma chave que já via Deportivo Cuenca e Lanús abrindo vantagem na ponta.

Fluminense encanta

Foi a atitude que sobrou a Nacional, Estudiantes e Boca Juniors que tem faltado a Flamengo e São Paulo, os dois brasileiros que começaram o torneio com mais cartaz. Tanto que, no momento, os representantes do Brasil que mais passam confiança são Cruzeiro e Fluminense. No caso do clube das Laranjeiras, uma sensação reforçada após a vitória maiúscula sobre o Arsenal.

A goleada por 6 a 0 não merece ser atenuada. O Arsenal não é um time tecnicamente brilhante e estava em uma noite ainda mais apagada. No entanto, se trata de um adversário comprovadamente difícil, que sabe como jogar contra oponentes mais fortes e, quando visitante, consegue suportar a pressão de um estádio lotado. O título da Copa Sul-Americana veio dessa forma, com vitórias fora de casa contra San Lorenzo, Goiás, Chivas de Guadalajara e América-MEX (curiosamente, o Arse não venceu nenhum jogo em Sarandi).

Assim, a goleada do Tricolor carioca tem valor. Até porque o marcador extravagante reflete a superioridade apresentada em campo. Dodô fez uma partida digna do craque que ele nunca foi, mas sempre mostrou potencial de ser. O resto do time também estava inspirado, sobretudo Gabriel, Conca e Thiago Neves. Desse jeito, surgiu um futebol equilibrado, em que defesa, meio-campo e ataque se comunicavam com fluência e as jogadas surgiam com naturalidade.

Naquela noite de quarta, nenhum time das Américas venceria o Fluminense. É um outro modo de dizer que, se repetir esse nível de desempenho pelo resto da competição, dificilmente alguém pára o Tricolor. O problema é que repetir um futebol tão iluminado é praticamente impossível. De qualquer modo, o Flu já tem no que se espelhar para o resto da temporada. E pode chamar para si parte da atenção e respeito que é dispensada a Flamengo e São Paulo.

Hora do Pré-Olímpico

Para Pequim 2008, a Conmebol decidiu extinguir o torneio pré-olímpico e usou o Sul-Americano Sub-20 como qualificatório para os Jogos Olímpicos. A receita é a mesma adotada na Europa. No entanto, a Concacaf preferiu manter o calendário e usar um torneio apenas para definir seus representantes na China. Uma competição que começa nesta semana nos Estados Unidos.

Serão oito equipes, divididas em duas chaves. No Grupo A, com sede em Tampa (Flórida), estão Cuba, Estados Unidos, Honduras e Panamá. No Grupo B, com jogos em Carson City (Los Angeles), disputam Canadá, Guatemala, Haiti e México. Os dois primeiros de cada chave vão às semifinais e os vencedores decidem o título. O mata-mata todo será em Nashville (Tennesee) e só os dois primeiros têm a vaga olímpica.

Os favoritos são os de sempre: México e Estados Unidos. Os norte-americanos jogam em casa e conseguiram trazer alguns jogadores que atuam na Europa. A isso se soma o fato de boa parte do time já se conhecer do trabalho de categorias de base feito no país. Um sinal da força do US Team é que muitos jogadores já são conhecidos do público, como Freddy Adu, Benny Feilhaber e Jozy Altidore. Com nomes como esses, dificilmente o time de Peter Nowak perde uma das vagas do continente.

O México também tem uma equipe tecnicamente de respeito. No caso, os aztecas se beneficiam de a federação não ter pudor em desfalcar os clubes para atender às necessidades da seleção. Com isso, vários bons jogadores já estão sob o comando de Hugo Sanchez há duas semanas, apenas se preparando para o Pré-Olímpico.

O goleiro Ochoa, o meia Villaluz e os atacantes Andrade e Landín são os destaques. O problema é que, depois do título do Mundial Sub-17 em 2005, parte dessa geração foi à Europa e não teve liberação para defender El Tri em gramados norte-americanos. Desse modo, o time pode sentir as ausências de Vela, do Osasuna, e Giovanni dos Santos, do Barcelona. Os amistosos de preparação mostraram que o time tem problemas no meio-campo.

Pelo histórico recente nas competições de base, os principais perigos às potências da América do Norte são Costa Rica, Honduras e Panamá. O Canadá tem evolução lenta de seu futebol, mas a base que irá aos Estados Unidos já fracassou em torneios internacionais e depende de estar em algumas semanas especialmente felizes. Cuba até tem no currículo a eliminação, na casa do adversário, de Trinidad e Tobago na fase preliminar do Caribe, mas é coadjuvante, assim como Guatemala e Haiti.

Veja os convocados dos favoritos às vagas olímpicas da Concacaf.

México: goleiros: Guillermo Ochoa (América), Jonathan Orozco (Monterrey) e Alfonso Blanco (Pachuca); defensores: Julio César Domínguez (Cruz Azul), Luis Omar Hernández (Necaxa), Hugo Ayala (Atlas), Francisco Gamboa (Toluca) e Efraín Velarde (Pumas de la Unam); meio-campistas: Jorge Hernández (Atlas), Patricio Araújo (Chivas de Guadalajara), Alan Zamora (Atlante), Juan Carlos Silva (América), Edgar Castillo (Santos Laguna), César Villaluz (Cruz Azul) e Pablo Barrera (Pumas de la Unam); atacantes: Sergio Ávila (Chivas de Guadalajara), Enrique Esqueda (América), Edgar Andrade (Cruz Azul), Santiago Fernández (Toluca) e Luis Ángel Landín (Monarcas).

Estados Unidos, ainda sem os quatro cortes para ficarem 20: goleiros: Dominic Cervi (sem clube), Tally Hall (Esbjerg/DIN) e Chris Seitz (Real Salt Lake); defensores: Maurice Edu (Toronto FC/CAN), Hunter Freeman (New York Red Bulls), Kamani Hil (Wolfsburg/ALE), Patrick Ianni (Houston Dynamo), Michael Orozco (San Luis/MEX), Mike Randolph (Los Angeles Galaxy), Nathan Sturgis (Real Salt Lake) e Marvell Wynne (Toronto FC/CAN); meio-campistas: Arturo Alvarez (FC Dallas), Benny Feilhaber (Derby County/ING), Eddie Gaven (Columbus Crew), Stuart Holden (Houston Dynamo), Sacha Kljestan (Chivas USA), Dax McCarty (FC Dallas), Robbie Rogers (Columbus Crew) e Sal Zizzo (Hannover 96/ALE); atacantes: Freddy Adu (Benfica/POR), Jozy Altidore (New York Red Bulls), Chad Barrett (Chicago Fire), Charlie Davies (Hammarby/SUE) e Robbie Findley (Real Salt Lake).

SELEÇÃO DA RODADA

– Veja a seleção do site Medio Tiempo da 8ª rodada do Apertura mexicano: Cirilo Saucedo (Tigres de la UANL); Fernando Salazar (Pachuca), Joaquín Beltrán (Cruz Azul), Mauricio Romero (Morelia) e José Arturo Rivas (Tigres de la UANL); Eduardo Coudet (San Luis), Lucas Lobos (Tigres de la UANL) e Tressor Moreno (San Luis); Jorge Achucarro (Atlas), Christian Benítez (Santos Laguna) e Esteban Solari (Pumas de la Unam). Técnico: Daniel Guzmán (Santos Laguna).

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