México

Equilíbrio, como esperado

Fernando Henrique foi bastante contestado em 2007. Apesar de algumas boas atuações no Campeonato Brasileiro, notadamente no empate com o Palmeiras no Parque Antarctica, o goleiro não convencia a diretoria do Fluminense e seu patrocinador, a Unimed. Falou-se na tentativa de contratação do corintiano Felipe e do palmeirense Diego Cavallieri. Nada feito e FH era o titular na estréia do Tricolor pela Libertadores contra a LDU em Quito. Bom para o Flu, pois o goleiro foi o melhor jogador da partida.

O bombardeio ao qual foi exposto Fernando Henrique foi assustador, sobretudo no primeiro tempo. É até difícil acreditar que, em tantas oportunidades criadas, nenhuma tenha sido convertida pelos equatorianos. No segundo tempo, Thiago Neves cresceu e os cariocas equilibraram a partida, a ponto de terem condições de reclamar de um erro grave do árbitro (a não expulsão do goleiro Cevallos).

Apesar do 0 a 0, partida foi uma das mais interessantes da semana na Libertadores. Não apenas pela alternância de domínio e incerteza do resultado, mas também por confirmar que o Grupo 8 dá toda a pinta de ter briga renhida pela classificação. Um duelo que pode incluir os quatro times da chave, que ainda tem Arsenal de Sarandi e Libertad.

Teoricamente, a LDU Quito deu um passo para trás ao tropeçar em casa. Par aum time tecnicamente inferior, contar com a experiência internacional e a altitude nos jogos em casa é fundamental para seguir na disputa. Ainda assim, vale lembrar que, em 2007, a LDU empatou em casa com o River Plate e compensou o tropeço ao arrancar a igualdade no jogo de volta, no Monumental de Núñez.

Do lado brasileiro, ficou evidente que o Fluminense ainda está em fase de ajustes. Um processo que estaria adiantado se Renato Gaúcho não insistisse tanto na formação com o trio Dodô-Leandro Amaral-Washington no Estadual. O Tricolor precisa ainda balancear o time se quiser usar todo seu potencial em uma chave tão delicada.

Cariocas e quitenhos têm de ficar atentos porque as outras duas equipes do grupo 8 também deram mostras de que são fortes. Em Sarandi, o Arsenal venceu o Libertad por 1 a 0, gol no final da partida de Leguizamón, cobrando falta. O jogo também teve variação de domínio, mas os paraguaios deixaram evidente que contam com o time mais homogêneo e experiente do grupo. Só perderam porque os arsenalistas, ainda que limitados tecnicamente, aprenderam a se entregar em campo na vitoriosa campanha da Copa Sul-Americana.

Esses dois jogos, aguerridos e apertados, deram razão aos que consideraram o grupo 8 como o mais difícil da Libertadores. E aos que disseram que o Fluminense foi o mais azarado dos brasileiros no sorteio.

Casal faz pressão

No Uruguai, pouca gente duvida do poder que Francisco “Paco” Casal tem. O empresário tem sob contrato quase todos os jogadores uruguaios importantes e ainda é dono da Tenfield, empresa que é dona dos direitos de transmissão do futebol no país. Ainda que sua força seja conhecida, sempre é possível se surpreender um pouco mais.

Na última semana, Casal entrou com um processo contra a Dirección General Impositiva, equivalente uruguaia à Receita Federal. O empresário acusa a instituição de persegui-lo há seis anos, prejudicando seus negócios. Segundo ele, nenhum outro empresário de jogadores de futebol é investigado pela DGI como ele.

A argumentação de Casal é que a Receita “não sabe como taxar as transferências de direitos econômicos a partir de direitos federativos”. Assim, ficaria buscando mecanismos para poder aumentar os impostos sobre os negócios do empresário, que afirma ter pago US$ 10 milhões em impostos desde 2002. O valor equivale a apenas 5% de seu faturamento com transferência de jogadores no mesmo período.

Oficialmente, Casal pede à Justiça que determine o que pode e o que não pode ser taxado, facilitando a relação entre suas empresas e a DGI. No entanto, a medida representa muito mais que isso. Ao entrar na Justiça contra a Receita, o empresário inverte os papéis e passa de investigado a investigador, de suspeito a vítima. Um modo também de pressionar o governo e ter mais liberdade para atuar.

Uma briga envolvendo Paco Casal não é algo irrelevante para o Uruguai. Ainda que seja discutível, ele afirma ser o homem mais rico do país, com uma fortuna “de US$ 150 milhões a 200 milhões maior que o segundo colocado”.

Ainda que a estratégia pareça astuta, a Justiça já declarou que não tem competência para tratar desse assunto. Além disso, Casal teria de provar que ele ou suas empresas tiveram prejuízo com o comportamento da DGI.

Na raça, Tigres segura Chivas
O retrospecto do campeonato era inteiramente favorável às Chivas de Guadalajara diante dos Tigres de UANL. A única vantagem dos felinos era jogar em casa. De resto, era um time em crise enfrentando o líder inconteste da competição. No entanto, a troca de técnico deu novo ânimo aos regiomontanos, que quase conseguiram quebrar a invencibilidade do Rebaño Sagrado.

Sob o comando de Manuel Lapuente, os Tigres mostraram um futebol muito mais confiante e seguro, sobretudo no setor ofensivo. Com isso, equilibrou a partida no primeiro tempo. Após o intervalo, a balança pendeu ainda mais para os felinos. Aos 9 minutos, Araujo foi expulso por falta violenta em Lucas Lobos.

Com um jogador a mais, Lapuente adiantou ainda mais o Tigres, que passou a pressionar os rojiblancos. O assédio foi intenso e só não resultou em gol porque a defesa tapatía esteve muito bem organizada e concentrada.

O empate pode representar uma recuperação dos Tigres, clube tradicional e bastante popular que investe pesado em contratações, mas sofre com a cobrança insana de torcida, dirigentes e imprensa. Se o time jogar um pouco do que pode, será o suficiente para sair da luta contra a queda para a Segundona. Algo que se torna mais provável com a dificuldade do Veracruz, vice-lanterna na tabela de rebaixamento.

Em relação às Chivas, o empate permite que a equipe mantenha uma vantagem segura na tabela. O suficiente para administrar enquanto houver congestionamento de agenda por causa da Libertadores. Ainda assim, já surgem dois concorrentes de peso: Santos Laguna, que continua forte como no Apertura e fez 3 a 0 no atual campeão Atlante, e o Toluca, consistente desde a chegada de José Pekerman.

SELEÇÃO DA RODADA

Veja a seleção da 6ª rodada do Clausura do site Medio Tiempo: Luis Ernesto Míchel (Chivas de Guadalajara); Omar Monjaráz (San Luis), Jonny Magallón (Chivas de Guadalajara), Vidrio (Atlas) e Mario Méndez (Toluca); Fernando Arce (Santos Laguna), César Villaluz (Cruz Azul), Daniel Ludueña (Santos Laguna) e Ignacio Scocco (Pumas de la Unam); Santiago Fernández (Toluca) e Esteban Solari (Pumas de la Unam). Técnico: Daniel Guzmán (Santos Laguna).

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Equipe Trivela

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