México

Enxaqueca

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os sintomas da gripe suína são febre, tosse, dor de cabeça, dores nos músculos e nas articulações, coriza e, eventualmente, vômitos e diarréias. A Conmebol foi pega pelo vírus Influenza H1N1, mas o modo como a doença atacou foi um pouco diferente. Apenas uma imensa enxaqueca, que só deu as caras depois de três semanas de incubação.

É essa a sensação na entidade após as negociações com os mexicanos pós-crise da gripe suína. A Conmebol não soube lidar com a situação, usou um remédio mais forte que o necessário e está tendo de arcar com os efeitos colaterais.

Tudo foi errado desde o princípio. Desde que surgiu a epidemia da doença no México, o problema foi tratado como questão política. Em nenhum momento houve boa vontade para contorná-lo de verdade. Sobretudo depois que ficaram definidos os jogos das oitavas de final, com Chivas x São Paulo e San Luis x Nacional-URU.

A Conmebol tentou mandar os jogos de ida (ambos previstos para o México) para a Colômbia, mas o governo colombiano não aprovou a ideia. A partir daí, foi uma enxurrada de especulações, como levar as partidas para Chile ou Paraguai, fazer dois encontros na casa do não mexicano ou só fazer o duelo de volta.

Algumas propostas simplesmente não foram negociadas o suficiente. Para outras, havia clara má vontade, o que inclui interesses de São Paulo e Nacional de criar dificuldades para um acordo. Por exemplo, ambos chegaram a dizer que tinham em mãos orientações médicas a não viajar sob qualquer circunstância, sendo que a Organização Mundial da Saúde, que acompanhava o caso in loco, definia as condições em que isso seria recomendável ou não.

São-paulinos e bolsos até tinham razão em alguns argumentos, mas faltou boa vontade geral para buscar uma solução. E a Conmebol deu suporte a tudo isso, não mudando de posição nem depois que a OMC mudou o alerta da gripe suína no México de laranja para amarelo. Assim, os mexicanos até tiveram razão em reclamar de desigualdade de tratamento (algo que eles sempre acharam, aliás).

Esse sentimento fez os mexicanos anunciarem o rompimento com a Conmebol. Em seguida, a entidade recuou. Chivas e San Luis ganharam classificação automática para as oitavas de final da Libertadores 2010. Isso criará uma enorme confusão na fase de grupos, que terá de ser modificada para classificar apenas 14 times. Talvez ressuscitar a repescagem entre segundos colocados de chaves antes das oitavas de final.

Pelo modo como os sul-americanos, apesar de aparente indiferença inicial, se curvaram para a Femexfut (federação mexicana) deixa evidente como a presença dos aztecas já se tornou fundamental no planejamento de Libertadores, Copa América e Copa Sul-Americana. Motivo simples: o México faz essas competições chegarem a seu mercado (o segundo maior da América Latina) e nos Estados Unidos.

No final das contas, a Conmebol expôs sua fragilidade política e econômica, deu mais força aos mexicanos e bagunçou seu calendário de 2010. Tudo porque não soube como lidar com a ameaça de gripe suína.

Pumas, aos 107

Chivas, América, Toluca, Cruz Azul e… Pumas de la Unam. Essa é a ordem de maiores campeões do futebol mexicano desde o último domingo. E, para se tornar o quinto maior vencedor do país, os Pumas tiveram de sofrer muito no confronto de pentacampeões com o Pachuca.

Com a vitória de 1 a 0 no jogo de ida, na Cidade do México, bastava aos felinos um empate no estádio Hidalgo. Nâo foi tão simples assim. O Pachuca recuperou o futebol que lhe deu a superliderança na fase de classificação e acuou o adversário desde os primeiros minutos.

A pressão foi intensa e, em uma rara falha individual da defesa capitalina, os hidalguenses abriram o marcador. Juárez derrubou Blas Pérez dentro da área. Christian Giménez converteu a cobrança e deixou o placar somado igual.

O clima era favorável aos Tuzos, que começaram o segundo tempo com uma pressão ainda mais intensa. No entanto, o gol que saiu foi dos Pumas. Dante López aproveitou cruzamento para fazer de voleio. Um gol que esfriou o Pachuca e deixou a partida mais cadenciada e favorável aos universitários.

A situação só mudou em uma jogada de bola parada. Giménez, um dos melhores jogadores do campeonato, recolocou o time da casa em vantagem em cobrança de falta. O Pachuca voltou a ensaiar uma pressão, mas teve o lateral Muñoz expulso e acabou se conformando com a prorrogação.

No tempo extra, o Pachuca não teve pernas. O fato de ter ficado boa parte do jogo tomando a iniciativa e estar com um jogador a menos se fez sentir. Os Pumas tomaram o meio-campo e dominaram as ações. O gol surgiu com naturalidade: aos 2 minutos do segundo tempo, Barrera acertou um forte chute que Calero não conseguiu defender. Os Tuzos ainda tentaram levar o jogo para os pênaltis, mas a impaciência e o desespero sabotaram qualquer possibilidade de reação.

No final, os Pumas comemoraram seu sexto título mexicano. O técnico brasileiro Ricardo Ferretti, símbolo do clube, também foi bastante festejado, pois montou uma equipe competitiva sem os milhões dos rivais América e Cruz Azul. Em campo, os destaques foram o goleiro Bernal, o lateral Efraín Velarde, o volante Israel Castro e o veterano atacante Francisco Palencia (aquele mesmo, já com 36 anos).

Peru: jogadores querem modernização

Cada vez mais Manuel Burga, presidente da FPF (federação peruana), tem menos suporte político. Nesta semana, a Agremiación de Futbolistas Profesionales del Perú aumentou o tom das críticas a dirigente e cartolagem do futebol peruano em geral. O objetivo é exigir mudanças radicais no modo como é tocado o esporte no país.

A principal ameaça dos atletas é boicotar a seleção peruana nas Eliminatórias da Copa do Mundo. A medida não teria efeito para esta semana (óbvio), mas sim, a partir de 24 de junho. Segundo Francesco Manassero, presidente do sindicato, os jogadores só se apresentariam se houvesse indicações de que “mudanças necessárias para que o futebol peruano possa caminhar até a modernização e profissionalização” estariam a caminho.

Segundo os atletas, a crise do Peru – que se refletiria na péssima campanha da seleção local nas Eliminatórias – se deve a sérios erros de gestão, que incluem a administração da Justiça esportiva e a quase nenhuma institucionalização dos clubes. O discurso básico parece genérico, mas a Agremiación tem outras intenções por trás.

O desejo de troca no comando da FPF – ou, pelo menos, do modo como os atuais cartolas dirigem a entidade – se deve à discordância na política de transferências de jogadores. De acordo com o sindicato, o processo não respeitaria os direitos de jogadores amadores e profissionais.

Burga vive sob fogo cruzado. Suas irregularidades no comando da FPF peruana, incluindo o modo como se aferrou ao poder, motivou o governo local a exigir sua saída. Ela não se efetivou porque a Fifa ameaçou excluir o Peru do futebol internacional por interferência governamental na federação.

A ameaça dos jogadores só não é mais grave porque três importantes clubes (Universitário, Sporting Cristal e Cienciano) já se mostraram contra a ameaça de boicote. O Instituto Peruano del Deporte, que repersenta o governo atual e teve longo atrito com o cartola, disse que é preciso os dois lados sentarem à mesa e negociarem, mas não mostrou apoio.

Blitzkrieg caraqueña

O Caracas até levou um susto, mas, no final, mostrou sua superioridade na Venezuela. Depois de empatar por 1 a 1 no jogo de ida da decisão do Campeonato Venezuelano, o vencedor do Clausura fez 5 a 0 no dérbi capitalino contra o Deportivo Italia (vencedor do Apertura) e conquistou seu décimo título nacional.

A decisão foi mais fácil do que se projetava. O nervosismo dos primeiros minutos foi fatal aos itálicos. Muito mais experiente, o Caracas começou a partida em cima do adversário, que baixou a cabeça. Foi o suficiente para definir o campeonato.

Depois de algumas chances perdidas nas jogadas iniciais, os Rojos del Ávila abrirm o marcador aos 8 minutos, com Lucena. Quatro minutos depois, Castellín ampliou a vantagem. Mais 12 minutos e Guerra fez o 3 a 0.

A partir daí, o jogo ficou desfigurado. O Italia não tinha ânimo e confiança para buscar a reação. O Caracas tomava a iniciativa, mas não se esforçava porque sabia que o título estava garantido. Ainda assim, no segundo tempo, ainda marcou mais dois gols e perdeu um pênalti.

A facilidade com a qual o Caracas venceu o Deportivo Italia foi assombrosa, mas o fato de os Rojos ficarem com o título foi natural. Nem os itálicos esperavam conquistar o Apertura com um time tão jovem e descompromissado. De qualquer modo, já foi um bom resultado. Para o Caracas, fica a certeza que, com a decadência do Unión Maracaíbo e as oscilações do Deportivo Táchira, eles são, de fato, os maiores da Venezuela no momento.

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Equipe Trivela

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