México

Enfim Santos!

“É um prêmio por não desistir, continuar tentando, por nunca parar de acreditar, e agora estamos felizes porque nós merecemos isso, era para ser nosso”. A frase do capitão e goleiro da equipe, Oswaldo Sánchez, resume bem o sentimento da nação lagunera. Os torcedores do Santos Laguna acostumaram-se nos últimos tempos a disputar títulos. O clube esteve presente em quatro decisões nos últimos três anos. E finais em campeonatos importantes: foram três de campeonatos mexicanos e uma continental.

O que deixava a torcida com a pulga atrás da orelha era que em todas essas finais o time havia sido derrotado. Toluca, Monterrey e Tigres foram os algozes em âmbito nacional. Na Concachampions, o sonho do título continental na atual temporada fora interrompido também pelo Monterrey.

Com esse retrospecto, o Santos chegou a final do Clausura novamente contra os Rayados. Mais intragável dos rivais no período da seca, o Monterrey alcançava a decisão como vice-líder da primeira fase (atrás do Santos) e bicampeão da Concacaf Champions League (sobre o Santos). Sob o comando de Vucetich, treinador até então imbatível em finais (12 vitórias em 12 decisões!), o time-sensação do futebol azteca.

Mas o Santos soube se impor. E, diferente das finais anteriores, assumiu o favoritismo do Superlíder e fez jus a um estilo que andava em falta em Torreón: combativo, agressivo e de pressão. Como prêmio, alcançou o quarto campeonato mexicano de sua história. Essa transformação no estilo de jogo da equipe deveu-se em grande parte à Benjamín Galindo. Ex-meia de sucesso atuando pelo clube em 1994-97, El Maestro assumiu o comando do clube pela segunda vez em setembro do ano passado. Após ficar fora da Liguilla do Clausura 2011, os Guerreros faziam nova campanha sofrível no Apertura. Sob o comando do argentino Diego Cocca, ocupavam a modesta 15ª posição e somavam uma série de seis partidas sem vitórias.

Com Galindo, o Santos emendou cinco vitórias consecutivas e, após alguma oscilação, garantiu a vaga na Liguilla com o quarto posto. Mesmo derrotado na final por um inspirado Tigres, Galindo manteve a espinha da equipe que alcançaria o topo em 2012. No atual torneio, o time praticamente não deu chances aos adversários. Líder em nove das 17 rodadas, somente em uma não ocupou um lugar entre oito classificados e obteve vantagem de quatro pontos para o segundo colocado Monterrey, garantindo a Superliderança da primeira fase da competição.

A vantagem no campeonato azteca permitiu ao clube alcançar, também, a final da Concachampions. Frente ao Monterrey, após ser superado com facilidade no primeiro jogo da decisão, pulverizou a vantagem Rayada na partida seguinte e por pouco não conquistou o inédito troféu continental. E mesmo o temor de que a perda abalasse o time no Clausura não se confirmou. Superou Jaguares e Tigres, vingando-se do revés no Apertura, e contra a “asa negra” Monterrey foi melhor em ambas as partidas, fazendo jus ao quarto título nacional. Curiosamente, as partidas contra os Rayados permitiram que Galindo testasse numerosas variações na formação da equipe, encontrando a melhor maneira de atuar contra o Monterrey e tornando-se a única equipe capacitada para fazer frente ao time mais bem estruturado do futebol azteca.

E se uma conquista precisa de rostos a do Santos tem vários. No time montado por Galindo, o goleiro Oswaldo Sánchez, bem como defensores como Aarón Galindo e Jorge Iván Estrada e volantes como Juan Pablo Rodríguez e Rodolfo Salinas foram cruciais para manter uma retaguarda segura para que o setor ofensivo brilhasse e se tornasse a grande vedete do elenco campeão. Com Daniel Ludueña fazendo a ligação com os atacantes Christian Suárez, Darwin Quintero e, principalmente, Oribe Peralta.

Aliás, como toda competição precisa de um destaque, e este geralmente vem do time campeão, nada mais justo do que eleger Oribe Peralta como o nome da conquista lagunera. Artilheiro do melhor ataque da primeira fase (9 gols), El cepillo, como é conhecido, chamou a responsabilidade em todas as partidas nas quais esteve em campo nos playoffs. Responsável por 50% de todos os gols do Santos na Liguilla (seis), Peralta anotou gols em cinco dos seis jogos do mata-mata, incluindo um em cada partida da decisão contra seu ex-clube e, talvez os mais importantes, os tentos responsáveis por empatar o duelo contra a UANL na semifinal, aos 41 e 43 do segundo tempo.

O título veio e premiou o melhor time da primeira fase, é verdade, mas é válido notar que ele não foi alcançado sem sobressaltos. Se oscilou pouco na fase regular, o Santos teve dificuldades acima do esperado contra o Jaguares nas quartas e por muito pouco não pôs a temporada a perder jogando em casa contra o Tigres, na partida de volta das semifinais.

O time mostrou uma maturidade característica do elenco experiente que possui para reagir em momentos de baixa, como após a derrota na final continental, mas para a próxima temporada, além da manutenção de nomes-chave do grupo haverá a necessidade de reforços em alguns setores como a lateral-esquerda (onde Osmar Mares ainda não é uma unanimidade) e o de criação (onde Ludueña atua hoje sobrecarregado e sem um substituto a altura). Além disso, o goleiro e capitão Oswaldo Sánchez soma 38 anos e já dá mostras de estar próximo da aposentadoria, enquanto seus substitutos (o experiente Miguel Becerra e os jovens Julio González e Leonardo DeSantos) ainda patinam na hora de passar segurança no posto.

Contudo, a hora agora é de comemorar. Depois de quatro anos, Torreón volta a alcançar o topo com o principal time da cidade. Os fortes investimentos do Grupo Modelo (capitaneados pelo moderno complexo Territorio Santos Modelo que abriga o estádio inaugurado em 2009 com custo estimado de 100 milhões de dólares) começam a dar o retorno esperado e a expectativa é de mais investimentos, com o objetivo de conquistar o título da Concachampions em 2013. Um alvo um tanto quanto ambicioso, mas depois de superar o trauma das decisões, que ninguém duvide dos laguneros.

Curiosidades Aztecas

Com a conquista do Clausura 2012, o Santos entrou na lista dos dez maiores campeões mexicanos. O quarto título nacional (venceu também em 1996, 2001 e 2008) igualou o número de conquistas do Monterrey, ambos dividindo o nono lugar na relação dos maiores campeões.

A lista é liderada por Chivas (11 títulos), América e Toluca (10 cada um), Cruz Azul (8) e Pumas (7). Em seguida, aparecem Pachuca e León, com cinco troféus cada, e Monterrey e Santos, com quatro conquistas.

O título fez com que os laguneros ultrapassassem, também, times mais tradicionais como Atlante, Tigres e Necaxa, que contam com três nacionais cada.

O que torna a conquista do Santos ainda mais significativa é que o clube de Torreón é o mais jovem entre todos os listados acima, sendo fundado apenas em 1983. Apesar de nunca ter sido rebaixado, o Santos possui apenas 40 torneios disputados na principal divisão mexicana.

Enquanto boa parte dos times aztecas disputam o campeonato mexicano desde a década de 1940 (isso sem contar a fase amadora), os laguneros só alcançaram a Primera División em 1988, possuindo mais experiência na elite apenas do que Jaguares e Tijuana, times fundados já no século XXI.

Notas

– Se as campanhas do América no profissional são decepcionantes, o mesmo não se pode dizer da base azulcrema. No domingo, a categoria sub-20 do clube sagrou-se tetracampeã nacional, superando o rival Pumas por 1-0 (2-0 no global) na decisão;

– No sub-17, o título ficou com o Chivas, que levou o bicampeonato da categoria ao superar o rival Atlas na final por 5-3 (9-5 no global);

– Confira tudo sobre as partidas decisivas da Liguilla pelo twitter: @renanbarabanov

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