México

Em crescimento

Os resultados da 11ª rodada do Clausura mexicano tiveram como reflexo principal a consolidação de um bloco de quatro times que se afirmaram nas quatro primeiras posições na tabela. Santos, Morelia, América e Tigres venceram adversários e/ou jogos complexos e abriram uma boa margem, senão para os demais times (o Monterrey, quinto colocado, tem apenas três a menos que os felinos), já são oito para o Cruz Azul, nono colocado e primeiro fora da zona de classificação para os playoffs.

Dos quatro, três deles já foram temas dessa coluna, onde tratamos da boa fase constante do Santos Laguna, da reviravolta do América e do atual campeão azteca Tigres UANL. O único que não recebeu os créditos devidos foi o Monarcas. Faça-se justiça. Nem mesmo na imprensa mexicano os purépechas são considerados candidatos ao título. Algo incoerente levando-se em conta as recentes campanhas da Monarquía.

Se podemos citar os laguneros pelo poderoso ataque, o melhor da competição, as águias pela segura defesa, a menos vazada do torneio, ou ainda os felinos pelo forte quarteto ofensivo sul-americano, campeão do Apertura e agora reforçado pelo brasileiro Edno, ex-Corinthians e Botafogo, pouco se fala de fatores que saltem aos olhos no Morelos.

Pouco vistoso e sem grandes estrelas em seu plantel, a Equipe da Força tornou-se presença habitual na Liguilla: nos últimos cinco torneios “cortos” o Monarcas só não alcançou a classificação em um. Com campanhas consistentes, tornou-se um conjunto difícil de ser batido, seja em seus domínios ou como visitante.

Tomás Boy, há três anos no comando em sua terceira passagem pelo clube, montou uma equipe que prima pela regularidade e experiência. Atuando, em geral, num 4-4-2 clássico, o time titular conta com o capitão Federico Vilar no gol, o jovem lateral-direito Enrique Pérez, o miolo formado por Mauricio Romero e Joel Huiqui e, na ala esquerda, com o seguro Adrián Aldrete. Com a recente convocação de Pérez pela El Tri, todos do setor possuem passagens por suas seleções.

No meio, Christian Valdéz e Édgar Lugo jogam ao lado do colombiano Aldo Ramírez e do jovem equatoriano Joao Rojas, enquanto o ataque é formado pela experiente dupla Rafael Márquez Lugo e Miguel Sabah.

Sabah, aliás, resume como poucos o espírito da equipe. Cria das categorias de base do Chivas, transferiu-se para o Cruz Azul, onde, apesar dos gols, nunca foi titular indiscutível. Contratado em 2009, “El Caribeño” mostrou uma adaptação surpreendente ao clube purépecha, tornando-se a grande referência da equipe e presença constante na seleção mexicana já com 30 anos.

Artilheiro do clube nas últimas três temporadas, “Mini Chepo” deixou para trás a irregularidade dos primeiros anos para se tornar indispensável ao esquema tático da Monarquía e homem de confiança de “El Jefe”.

Um time titular com alta média de 27,8 anos, que, vale ressaltar, joga junto há um bom tempo. Huiqui, Édgar Lugo e Rojas chegaram em 2011 e tiveram ótimo encaixe no onze inicial. Christian Valdéz, recém-contratado dos chiapanecos, tornou-se opção segura na proteção à zaga. Os demais todos estão no grupo há algumas temporadas e/ou provém da base.

Um entrosamento que se reflete em campo, onde, na atual temporada, já são seis vitórias nas últimas sete partidas. A do último fim de semana, aliás, sobre o ameaçado Estudiantes em Zapopan, mostrou que o grupo recuperou-se bem da queda na competição continental e da derrota para o Toluca que interrompera a série anterior de triunfos.

Fundado em 1924, o Morelia possui tradição no futebol mexicano, disputando as principais competições tanto na era amadora quanto na era profissional, longe, contudo, de firmar-se como uma das forças do futebol azteca e vivendo entre idas e vindas da elite. Seus maiores feitos no século passado foram a conquista do vice-campeonato da Copa México, em 1965, derrotado pelo América, e o taça da segunda divisão em 1981.

A grande virada dos canários ocorreu no fim dos anos 1990. Para fazer frente a Televisa, dona de alguns clubes poderosos no cenário mexicano, a TV Azteca, braço de mídia do Grupo Salinas, resolveu apostar no mercado do futebol, adquirindo o clube purépecha. Com fortes investimentos, a Monarquía conquistou seu primeiro título nacional na elite, batendo o Toluca nos pênaltis na final do Invierno 2000.

Na década seguinte foram mais três vice-campeonatos, elevando o clube de Michoacán a outro patamar. Fora do país, a despeito da recente eliminação para o Monterrey na Concachampions, o clube conquistou sua primeira taça internacional, a Superliga em 2010, além de dois vice-campeonatos da CLL, em 2002 e 2003.

Único clube do estado na elite, o Monarcas agora tenta capitalizar seu sucesso recente com constantes ações para atrais fãs e torcedores. Dono da quinta maior torcida do país, o time ainda tem uma enorme distância dos quatro grandes. A má fase de alguns grandes, aliada as recentes boas campanhas da equipe da Força, contudo, podem ser os primeiros passos para uma consolidação. E, quem sabe, uma nova guinada rumo ao topo.

Necaxa em alta e Veracruz em baixa na Liga de Ascenso

Necaxa e Veracruz fizeram um confronto de grandes pela segunda divisão azteca. E o resultado refletiu exatamente a situação atual das equipes tratada na coluna da última semana. Com um hat-trick de Victor Lojero, os Rayos não encontraram dificuldades para derrotar os Tiburones em Aguascalientes.

O resultado isolou os Electricistas na vice-liderança da Liga de Ascenso, com 20 pontos, enquanto os Rojos seguem em má fase, agora ocupando a 11ª colocação, com apenas 11 pontos em 11 partidas.

Notas

– Seleção da rodada do site Mediotempo: Alfredo Talavera (Toluca), Daniel Alcántar (San Luis), Hugo Ayala (Tigres), Santiago Hoyos (Santos) e Carlos Morales (Santos); Lucas Lobos (Tigres), José Torres (Pachuca), Édgar Lugo (Morelia) e Jorge Rodríguez (Jaguares); Mauro Cejas (Pachuca) e Jackson Martínez (Jaguares). T: Miguel Herrera (América)

– Confira muito mais desse colunista e sobre o futebol mexicano pelo twitter. @renanbarabanov

 

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Equipe Trivela

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