México

Em busca do trono

No último sábado, o León goleou o Lobos de La BUAP por 4-0, em casa, e garantiu vaga para disputar a “Final por el Ascenso” contra o Correcaminos, campeão do Apertura 2011. A vaga veio de maneira indiscutível. Com direito a goleadas, artilharia, e campanha invicta. O título marca a oportunidade mais clara desde a queda dos leões retornarem ao topo do futebol mexicano.

De antemão, é válido alertar para os leitores que o León está longe de ser um clube pequeno no país azteca. Principal clube da cidade de León e do estado de Guanajuato, os Panzas Verdes são frequentadores tradicionais da elite no país, com 63 torneios disputados na Primera División.

Mais do que isso, La Fiera possui cinco títulos nacionais desde o início da Era Profissional. A título de curiosidade, são mais conquistas do que atuais forças conhecidas como Monterrey (que conta com 4 taças), Santos (3) e Tigres (3).

Tradicional rival e postulante ao título nas décadas de 1940 e 1950, nos primeiros anos de futebol profissional no país, o clube esmeralda amargou campanhas modestas nos anos seguintes que culminaram no primeiro descenso, em 1987.

Após uma profunda reestruturação, e três temporadas na segunda divisão, um bom elenco sob o comando do hoje reconhecido técnico do Monterrey, Víctor Vucetich, conseguiu o acesso, em 1990, e, apenas dois anos depois, obteve uma nova taça de campeão nacional da primeira divisão, em uma equipe na qual se destacaram os brasileiros Tita e Marquinho.

Mesmo com a saída de boa parte do elenco campeão e do técnico Vucetich, o León alcançou boas campanhas na elite (inclusive com um vice no Invierno 1997), mas fracos desempenhos nos anos seguintes levaram o time à queda em 2002, tendo como ápice a vexatória lanterna no Verano 2002.

Na briga pelo retorno ao topo do futebol mexicano nesses 10 anos na Liga de Ascenso, os Panzas Verdes alcançaram em três oportunidades o título do Clausura (2003, 2004 e 2008) e a chance de disputar com o vencedor do Apertura o jogo da vaga na elite. Nas três chances, entretanto, o clube perdeu o duelo decisivo.

O cenário agora é completamente diferente. Pode-se afirmar com certeza que poucas vezes uma equipe chegou ao duelo com tanto favoritismo. Se no Apertura o time ainda oscilava, sendo eliminado na Liguilla para o La Piedad, o Clausura foi palco de uma campanha irretocável dos esmeraldas, campeões após 19 partidas sem sofrer uma única derrota.

Sob o comando do argentino naturalizado uruguaio Gustavo Matosas, o time se encaixou de maneira rápida e inesperada e garantiu com folga a liderança na primeira fase, seis pontos à frente do vice-líder, um ataque arrasador de 41 gols (média de quase 3 por jogo) e goleadas memoráveis (5×0 sobre Altamira e Celaya, 5×2 sobre o Veracruz e Lobos BUAP), principalmente na reta final do torneio, deixando para trás times tradicionais como Necaxa e Veracruz.

Com o bye obtido nas quartas de final pela liderança, o clube superou o Correcaminos nas semifinais para alcançar a final contra o BUAP. A decisão, no Nou Camp lotado no último sábado, ratificou de vez um time que merece estar na elite na próxima temporada. Um 4-0, com direito a hat-trick do decisivo artilheiro uruguaio Sebastián Maz.

A promoção ainda não está decidida. O favoritismo do León até diminui se considerarmos que do outro lado está o Correcaminos, equipe que também conhece os atalhos da segundona mexicana, teve ótima campanha no Apertura e até no Clausura e virá com sede em busca do retorno à elite após 17 anos.

Até por isso, vice-presidente esportivo dos esmeraldas, Rodrigo Fernández, prefere manter o discurso humilde: “Não há favoritos. Nas semifinais, enfrentamos o Corre e foi complicado e assim são as finais. Temos que jogar e estamos contentes de estarmos aqui”. Mesmo assim é inegável e irresistível pensar nesse bom e entrosado time de León na Primera División em 2012/13.

A decisão acontece nessa quarta (em Ciudad Victoria) e no sábado, novamente num provável Nou Camp lotado. O favoritismo é verde y oro, mas a única certeza é que o dono da vaga na elite em 2012/13 será um time e uma torcida com saudades da Primera División. Em jogo, um sonhado retorno à elite azteca.

Favoritos se garantem

Se o campeonato mexicano é garantia de imprevisibilidade e jogos disputados, as quartas de final da Liguilla pelo menos não apontaram isso. Os três primeiros colocados da fase regular se garantiram logo na partida de ida, mesmo jogando na casa do adversário. E no único duelo em que um time melhor classificado na primeira fase ficou pelo caminho, quem passou foi o atual campeão Tigres.

Santos, Monterrey e América tiveram mais facilidades nas partidas disputadas longe de suas torcidas e, em casa, apenas confirmaram a vaga. No duelo entre Tigres e Monarcas, se havia dúvidas sobre a capacidade dos felinos, elas foram dissipadas na partida de volta, com uma sonora goleada por 4-1 na casa da Monarquía.

Entre os clubes que deram adeus, Morelia e Pachuca saem em baixa dos playoffs. Os purépechas mantêm-se como time de boas campanhas, mas falhando no momento decisivo, carentes de jogadores que chamem a responsabilidade. Os Tuzos apresentaram uma leve melhora em relação aos últimos torneios, mas ainda precisam de mais time e peças para retornar às glórias da última década dourada.

Tijuana e Jaguares, por sua vez, deixaram ótimas impressões. Mesmo eliminados, algo já esperado devido à superioridade de Rayados e Guerreros, ambos possuem grande margem de progressão para as competições futuras. Os xolos, em sua primeira Liguilla, possuem um elenco acostumado a decisões e cheio de expectativas para o futuro. Os da selva venderam caro a derrota para os laguneros e mostraram o que esse colunista frisa há tempos: possui o trio de atacantes mais explosivos do México, formado pelo tridente colombiano Rey-Arizala-Martínez.

Valem algumas considerações acerca dos duelos da fase semifinal que serão jogados nesta terça-feira e no sábado: o equilíbrio entre os quatro concorrentes é latente, reunindo, de fato, as quatro equipes de melhor desempenho na segunda parte da temporada azteca. Com um elenco mais entrosado, os rivais Tigres e Monterrey saem na frente, mas a ausência de Reyna nos Rayados e a oscilação do Tigres no Clausura, além da qualidade técnica de Santos (Superlíder) e América equilibra a disputa e torna as partidas, a partir de agora, as tecnicamente mais interessantes do torneio.

Notas

Seleção da rodada do site Mediotempo: Enrique Palos (Tigres), Paul Aguilar (América), Hugo Ayala (Tigres), Diego Reyes (América) e Jorge Torres (Tigres); Christian Bermúdez (América), Rodolfo Salinas (Santos) e Jesús Molina (América); Daniel Ludueña (Santos), Oribe Peralta (Santos) e Ángel Reyna (Monterrey). T: Benjamín Galindo (Santos);

– O argentino Ricardo La Volpe será o novo treinador do Atlante para a nova temporada. Será a terceira passagem de “El Bigotón” pelo Potros, sendo que um título nacional da equipe (1992/93) foi obtido sob o comando do treinador, que também atuou pelo clube;

– Confira tudo sobre as partidas decisivas da Liguilla pelo twitter: @renanbarabanov

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