México

Em busca de expansão

O futebol mexicano foi sacudido nas últimas semanas por alguns anúncios, com três deles chamando atenção. Não somente pelo interesse dos fatos em si, mas também por indicar uma possibilidade de rumo tomado que pode fortalecer visivelmente o futebol azteca, destacadamente os clubes.

Há duas semanas, representantes dos 18 times da Primera División anunciaram após reunião conjunta futuras alterações há serem anunciadas nos próximos meses no formato e gerenciamento da Liga Mexicana. Entre elas, especula-se, está a saída do campeonato mexicano da esfera de controle da FemexFut (Federação Mexicana de Futebol).

Na mesma semana, a Concacaf divulgou nota informando algumas mudanças no formato de disputa da Concachampions (a Liga dos Campeões de Clubes da Concacaf), como a extinção da fase preliminar, com todos os 24 clubes entrando diretamente na fase de grupos, divididos em oito agrupamentos de três equipes, com os vencedores classificando-se diretamente para as quartas.

Analisando em conjunto as duas notícias percebe-se que o futebol mexicano caminha para um maior fortalecimento de seus clubes. O futebol azteca, de uma forma geral, sempre teve seu formato voltado para o fortalecimento da seleção nacional. Paixão que unifica o país inteiro e motivo de adoração geral, El Tri sempre contou com excelente estrutura em todos os níveis, além da profissionalização de seu gerenciamento.

Apesar do pouco sucesso extracontinental, é notável o domínio azteca na América Central, do Norte e Caribe, principalmente se notarmos que, até a década de 1970, a seleção mexicana disputava acirradamente (e por vezes ficando para trás) títulos e vagas em competições internacionais com Haiti, Guatemala, Honduras e Costa Rica. Desde então, El Tri tornou-se hegemônica no continente, beliscando até dois vices em Copa América e obtendo uma Copa das Confederações. Isso sem falarmos nos títulos mundiais na base.

O problema é que, se o formato fortaleceu a seleção, também é praticamente consenso que diminuiu o poderio dos clubes. Com uma base destinada ao selecionado (e tendo como objetivo sempre fortalecer o conjunto), os atletas mexicanos tiveram pouca experiência internacional. Além disso, se por um lado a medida reteve talento em campos nacionais, prejudicou a chegada de grandes craques estrangeiros e diminuiu a atratividade internacional dos clubes e do campeonato mexicano. O pior é que, em geral, dinheiro não é problema para equipes aztecas. Mais difícil é a atração de grandes nomes para um torneio pouco chamativo.

Com o objetivo de corrigir essa rota, a chegada dessas mudanças será muito bem vinda. Entre outras medidas, está a busca por um patrocinador para dar nome ao torneio, medida básica no atual modelo de negócios do futebol mundial que antes nem era discutida. Nas palavras da própria federação, a busca é pelo fortalecimento da marca da competição, bem como do conceito de Liga, que envolverá também a Liga de Ascenso.

Ao mesmo tempo, o objetivo declarado da alteração na Concachampions é agilizar a disputa da primeira fase, pouco importante financeiramente para as equipes por contar com partidas de baixo nível técnico e públicos esparsos, e dar maior enfoque ao mata-mata, onde efetivamente o torcedor comparece aos jogos. Veladamente, começaram a pipocar boatos de que, com essas alterações, a Concacaf aproxima-se ainda mais da Conmebol, tendo em vista a disputa de um único torneio conjunto que reúna os times de todo a América, algo economicamente vantajoso tanto para clubes aztecas como para seus rivais sul e norte-americanos.

As boas novas para os clubes aztecas foram complementadas com o anúncio da contratação de Johan Cruyff pelo Chivas de Guadalajara. O ex-craque holandês atuará como consultor, com o objetivo de replicar em solo mexicano o aclamado modelo de futebol catalão, priorizando as categorias de base, algo essencial em um clube que tem como política a utilização exclusiva de jogadores mexicanos.

Se todas as políticas darão os frutos esperados e elevarão o torneio e os clubes como um todo ainda é uma incógnita. Certo é, porém, que já passara do tempo dessas medidas serem aplicadas. Com um público apaixonado por seus clubes e equipes por si só tradicionais, além de uma economia que dá a base de sustentação ao futebol, o México tem tudo para tornar-se atrativo de craques e bom futebol. Bastava apenas um esforço. Agora, resta esperar.

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