México

Eles estão chegando

Os espaços para a disputa da próxima Copa Libertadores vão se fechando. América e Atlas, com propostas diametralmente distintas, saíram como os melhores mexicanos na Interliga, cujas finais foram jogadas no último sábado, em território norte-americano. Enquanto os Rojinegros tiveram uma sorte incrível e muita competência para bater o San Luis, as Águilas protagonizaram um eletrizante duelo contra o Cruz Azul, em que foram necessárias as penalidades máximas para definir o campeão da competição.

A Interliga, forma que se criou de definir os representantes mexicanos na Libertadores, têm provocado reclamações, pois é disputada em um intervalo de tempo em que os atletas deveriam estar em férias. Além disso, a competição se joga em território norte-americano, fazendo assim, a briga por essas duas vagas se tornarem um negócio lucrativo.

Separam-se, para a disputa da Interliga, as oito melhores equipes mexicanas ao longo do ano anterior, no caso, 2007. Antes, excluem-se as duas representantes que já estarão na Copa dos Campeões da Concacaf, situações em que se enquadram Pachuca e Atlante.

Divididos em dois grupos de quatro, classificam-se os dois melhores de cada chave. São jogadas apenas as semifinais, em que avançam, para a Libertadores, os vencedores. Quem tiver melhor campanha, fica como campeão da Interliga e já vai diretamente para a fase de grupos. O segundo qualificado entra na fase eliminatória da competição sul-americana.

Cabe, ainda, lembrar que as Chivas de Guadalajara, primeira equipe mexicana a se garantir, sequer precisaram disputar a Interliga. Em tese, a equipe, campeã do Apertura 2006, teria de enfrentar o Pachuca, campeão do Clausura na mesma temporada. Como estes, em 2007, venceram mais uma vez e disputarão a Copa dos Campeões da Concacaf, as Chivas propiciarão, aos sul-americanos, a oportunidade de desfrutar novamente de seu jogo sempre agradável e competitivo.

Ainda com vários jogadores conhecidos do público brasileiro – casos de Ramón Morales, Gonzalo Pineda, Omar Bravo e Alberto Medina, as Chivas estão situadas no grupo seis, de panorama bastante concorrido. Além do inexpressivo San José, da Bolívia, a equipe de Guadalajara precisará medir forças com dois semifinalistas da última Libertadores: Santos e Deportivo Cúcuta.

O mais novo vôo das Águias

Com aproveitamento perfeito na primeira fase, o América precisou sofrer um pouco mais para se garantir na próxima Libertadores. Com um investimento pesado, o atual vice-campeão da Copa Sul-Americana, na final, justificou o favoritismo, mas precisou dos pênaltis para completar o décimo jogo seguido em que não foi batido pelo Cruz Azul, naquele que é chamado de Clássico Jovem.

Após vencer Atlas, Toluca e Morelia na fase inicial, o América chegou para a disputa semifinal com a certeza do título em caso de vitória. Mesmo sem o importante meio-campista Alejandro Argüello, as Águilas acompanharam a consolidação do processo transitório sob o comando do treinador Daniel Brailovski, contando, novamente, com as confiáveis performances do avante paraguaio Salvador Cabañas, destaque na última Libertadores.

Diante do Cruz Azul, o América saiu perdendo, mas virou em razão de uma dobradinha de Cabañas, assistindo aos azuis empatarem, através de Lozano, já no último terço do tempo regulamentar. Coube ao atacante Rodrigo López, ex-Libertad, salvar as Águilas a três minutos do fim da prorrogação, pois Gerardo Lugo havia recolocado a Máquina Cementera na frente do marcador. Nos pênaltis, 8-6 para os americanistas, que terão Universidad San Martín, River Plate e Universidad Católica em seu grupo na próxima Libertadores.

Sorte do tamanho do Atlântico

Pior equipe do último Apertura, o Atlas não poderia começar 2008 de melhor maneira. O time de Guadalajara, sensivelmente reformulado para apagar a maré ruim da última temporada, bateu o surpreendente San Luis, por 3-0, e se garantiu na fase preliminar da próxima Copa Libertadores. Em uma atuação cirúrgica e com o placar construído em contra-ataques, Los Rojinegros consagraram a estratégia de ação idealizada pelo treinador argentino Miguel Ángel Brindisi e que teve, no argentino Bruno Marioni e no paraguaio Jorge Achucarro, seus principais arquitetos.

Não há como não chamar de surpreendente a classificação do Atlas. Além do já citado retrospecto adquirido no último Apertura, os Zorros tiveram trajetória bastante discreta na primeira fase da Interliga. Além de empatarem em 0-0, na estréia, diante do Toluca de Sinha, Vicente Sánchez e Paulo da Silva, os Rojinegros venceram o frágil Morelia por 2-0, em dobradinha do argentino Bruno Marioni. Na última partida, Marioni fez mais dois, mas o América fez três, com destaque para o meia Alejandro Argüello,que selou a vitória americanista.

Para chegar à semifinal da Interliga, o Atlas precisou comprovar mesmo que era uma equipe de sorte. Empatado em todos os quesitos com o Toluca, a equipe de Guadalajara conseguiu a vaga na base da moeda. Sim, foi um sorteio que determinou o futuro dos Rojinegros. E, diante do razoavelmente badalado San Luis, de duas vitórias na fase anterior, estava claro e evidente para quem pendia o favoritismo.

Embasado inicialmente na manutenção da posse de bola e contando com uma considerável dose de sorte e competência ao se defender, o Atlas teve a eficácia para, logo antes dos 15 minutos iniciais, abrir o marcador na Califórnia. O voluntarioso avante paraguaio Jorge Achucarro, recém-chegado ao clube após passagem pelo Cerro Porteño, deu para Bruno Marioni a oportunidade de determinar a liderança para os Zorros.

Mesmo pressionados em vários outros momentos, os de Brindisi saíram ilesos. Em outros dois contragolpes cirúrgicos, Achucarro provou valer o investimento. Marcou o segundo e o terceiro da noite, deixando pelo caminho o bom time do San Luis, organizado por Eduardo Coudet, ex-River Plate e Celta de Vigo, e contando com as boas fases de Tressor Moreno e Alfredo Moreno.

Convenhamos: o Atlas não precisará de tanta sorte assim para bater o La Paz e, desta forma, juntar-se a Boca Juniors, Colo Colo e Maracaibo no grupo 3 da próxima Libertadores.

Os novos latinos

Como já era de esperar, os clubes brasileiros foram, de vez, à caça de jogadores latino-americanos para reforçar seus plantéis em 2008. Para isso, pesa a compatibilidade monetária e o sucesso inquestionável de nomes como Valdívia e até Beto Acosta, aposta arriscada, mas de muito sucesso pelo Náutico em 2007. Ainda que não tenha tido agressividade suficiente para trazer nomes de primeira linha no mercado sul-americano e da América do Norte – o River Plate trouxe o uruguaio Abreu, enquanto o Boca Juniors apostou em Castromán, alguns jogadores interessantes engrossarão o quadro de estrangeiros latinos em alguns dos principais clubes do Brasil.

Saiba o que esperar de cada um deles:

RICARDO MARTINEZ – Do Libertad-PAR para o Atlético-MG
Aparentemente, o Atlético já tem, para 2008, sua dupla de zaga formada. Marcos e Leandro Almeida atingiram um nível técnico bastante razoável na reta final de temporada. Contudo, caso Geninho opte, mais uma vez, em utilizar três zagueiros, o paraguaio Martínez se coloca como uma ótima opção. Parte importante dos recentes grandes times formados pelo Libertad, foi uma contratação elogiável do Galo.

AGUSTÍN VIANA – Do Nacional-URU para o Atlético-MG
Da boa equipe mostrada pelo Nacional na última temporada, o lateral Viana era um dos nomes mais discretos. Chega, aparentemente, como sombra para o sempre questionado Thiago Feltri, que demonstrou um tímido salto de qualidade ao fim do último ano.

FERRERO – Do Tigres-ARG para o Botafogo-RJ
Ferrero chega com bastante reputação e por ter sido, no último Apertura, uma das maiores figuras do surpreendente Tigres. O trabalho defensivo de Cuca, porém, precisará recomeçar do zero. E o argentino, ao lado de André Luís, deve ter a responsabilidade de liderar o setor em uma equipe onde, já ficou claro, o respaldo para o trabalho dos zagueiros é pequeno, devido ao maior apego pelo jogo ofensivo. Um cenário bem hostil para Ferrero se impor.

ESCALADA – Da LDU-EQU para o Botafogo-RJ
Escalada chega ao Botafogo como o claro retrato de uma eterna promessa que não vingou no futebol. Seu porte físico, digamos, arredondado demais, põe ainda mais dúvidas sob o seu futuro em Caio Martins, embora a comissão técnica botafoguense tenha trabalhado em abafar a situação. Ainda assim, parece uma aposta válida, sobretudo pela quantia empregada.

CASTILLO – Do Peñarol-URU para o Botafogo-RJ
Assumi r a camisa um botafoguense, antes de mais nada, nesse momento, já é uma tremenda gelada. Castillo foi bem recebido pelos dirigentes em Caio Martins. Estes, aliás, o consideram uma grande contratação. Os que dão tapinhas nas costas, hoje, serão os que, amanhã, poderão achincalhar o uruguaio após a primeira falha. Seu currículo, entretanto, impõe algum respeito.

SUÁREZ – Do Unión San Felipe-CHI para o Corinthians-SP
O desempenho de Cristian Suárez, no último Mundial Sub-20, credencia sua contratação. Zagueiro rápido, forte e de muito vigor, foi uma das grandes figuras chilenas no torneio, onde os andinos foram até a semifinal. Disputado pelos grandes clubes locais, sua aquisição foi um ótimo passo da direção corintiana.

HERRERA – Do Gimnasia de La Plata-ARG para o Corinthians-SP
Herrera não é, exatamente, uma novidade ao futebol brasileiro. Conhecido pelo que fez com Mano Menezes no Grêmio em 2006, o atacante chega ao Parque São Jorge, também, com o respaldo do treinador. Conhecedor das qualidades e deficiências do argentino, Mano deve saber utilizá-lo da maneira apropriada.

EDIXON PEREA – Do Bordeaux-FRA para o Grêmio-RS
Um atacante rápido e só. Edixon Perea estava há alguns anos no Bordeaux, onde nunca demonstrou qualidades capazes de lhe estabelecer na Ligue 1. Aposta do Grêmio, o colombiano pode até cair nas graças do tricolor gaúcho. Fatalmente, será pela raça e disposição. Qualidade técnica é difícil extrair de Perea.

VILLANUEVA – Do Ulsan Hyundai-COR para o Vasco-RJ
Conforme já havia sido observado por boa parte dos setores mais atentos da imprensa, o Villanueva vascaíno, evidentemente, não é o talentoso e cobiçado meia da seleção chilena. Dario Conca, responsável por essa indicação, já não permanece em São Januário. Quem conhece o chileno adquirido pelo Vasco, quase sempre, não traz boas referências sobre sua contratação.

Devolvendo o bastão

Após esta segunda e última participação na coluna, agradeço ao titular Ubiratan Leal pela oportunidade concedida. E também aos leitores deste espaço privilegiado da informação sobre a bola que rola na América Latina. Foi um grande prazer.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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