México

Domínio Rayado

Por mais que o campeonato mexicano seja disputado no formato europeu, com a temporada tendo início na segunda metade do ano e concluída na metade do ano seguinte, é perceptível como o formato de “torneos cortos”, como é chamada a divisão da temporada entre Apertura e Clausura, altera o planejamento das equipes. Uma fraca campanha na primeira parte da temporada pode pressionar um clube a rever seus objetivos, contratações, demissões e etc.

Trazendo esse cenário para o futebol mexicano, onde a própria competitividade torna o campeonato imprevisível, o resultado é que, desde a adoção dessa forma de disputa, em 1996, nenhum clube azteca venceu ambas as competições. Mais: apenas a UNAM (em 2004) conquistou dois torneios consecutivos. Os motivos são óbvios: um time dificilmente mantém a mesma intensidade durante toda a temporada. Isso sem considerarmos os playoffs, que aumentam a imprevisibilidade do torneio.

O Monterrey, contudo, parece capaz de mudar essa escrita. Com uma fórmula que parece ter tudo para dar certo, o time vem dosando sua intensidade durante as últimas temporadas, oscilando durante o início de cada meia temporada, mas não demais a ponto de se distanciar dos líderes e /ou classificados para os playoffs, e atingindo o ápice exatamente na hora da decisão, seja na Primera División ou na Liga dos Campeões da Concacaf.

Com essa receita, os Rayados alcançaram seis Liguillas nas últimas oito edições do campeonato mexicano, somando dois títulos nacionais. Mais, até ficar de fora dos playoffs do Apertura 2011, a Pandilla esteve nos cinco mata-mata anteriores, feito único no país. E, se a sequência foi quebrada com a 11ª posição no último torneio nacional, a recompensa foi ainda melhor: com um foco na participação continental, a Albiazule obteve sua maior glória em 67 anos de história: a Concachampions, por meio da qual disputou seu primeiro Mundial de Clubes.

O roteiro manteve-se idêntico na nova temporada. Após um início claudicante em 2011 e 2012, tanto no plano doméstico (chegando a estar em 11º lugar no Clausura) quanto no continental (como derrotas para o Sounders, em casa, e para o Comunicaciones, da Guatemala no turno da fase de grupos), o time melhorou de forma notável.

Além de somar seis vitórias nos últimos nove embates pelo nacional, eliminou o Morelia com grande facilidade nas quartas da CCL (vitórias por 3×1 e 4×1) e praticamente garantiu a vaga na decisão ao derrotar com incrível superioridade o Pumas por 3 a 0 na partida de ida. No último fim de semana, pelo Clausura, a vítima foi o América, abatido em pleno Azteca, com um gol aos 50 minutos do segundo tempo marcado pelo ex-americanista Ángel Reyna.

Esse, por sinal, vem sendo um dos pontos mais positivos do Coloso Del Norte. Além de contar com um elenco recheado de opções, suas peças principais parecem aguardar o timing ideal para, em conjunto, exibirem o melhor de sua forma nos momento decisivos. Algo facilmente perceptível nas exibições de gala Humberto Suazo, César Delgado e Aldo De Nigris.

As opções (titulares facilmente em qualquer elenco da Primera División) como Reyna e Carreño seguram as pontas no restante do campeonato e vem sendo opções eficientes mesmo nos momentos decisivos. Isso sem mencionar o comando que o técnico Vucetich (há mais de três anos no cargo) possui sobre um elenco com peças experientes e no auge da carreira.

Essa soma de fatores e a experiência com as derrotas que o time parece ter adquirido tornam o Monterrey forte candidato a conquistar ambos os campeonatos, algo que dirigentes e jogadores já apregoam e dizem ter como objetivo. E caminho natural para um time que ganha pelo menos um desses a cada temporada. Conquistas que certamente aumentariam a superioridade de um elenco há tempos na rota de vitórias.

Felinos em risco

A mesma gama de opções à disposição de Vucetich é o fator que joga contra os felinos da UNAM. Com um elenco enxuto e desgastado pela fraca campanha, parece ser utopia acreditar em uma reviravolta por parte dos de Pedregal que, à exceção do massacre frente ao pequeno Metapán (El Salvador), só anotou três gol em um jogo em 2012, e ainda pela segunda rodada do Clausura, em janeiro.

Outro dado que joga contra os universitários é o que aponta que, desde 2001, ano em que as partidas da fase final da Concacaf Champions League passaram a ser disputadas com ida e volta, somente dois clubes reverteram uma vantagem de três ou mais gols: o Toluca (após perder a semifinal de ida contra o América em casa por 4×1, fez 4×0 no Azteca), em 2003, e o Chicago Fire (nas quartas, perdeu por 5×2 para o San Juan Jabloteh em Trinidad & Tobago e fez 4×0 no EUA), em 2004.

São números, é verdade, e os pumas se apoiam na mística e na história para tentar dar a volta por cima e salvar a temporada da UNAM, mas a se julgar pela excelente fase e os objetivos dos Rayados, fica difícil acreditar em uma reviravolta.

Notas

– Seleção da rodada do site Mediotempo: Alejandro Palacios (Pumas UNAM), Iván Estrada (Santos), Hugo Ayala (Tigres), Felipe Baloy (Santos) e Muñoz Mustafá (Pachuca); Elías Hernández (Tigres), Lucas Silva (Puebla), Lucas Lobos (Tigres) e Christian Suárez (Santos); Omar Bravo (Cruz Azul) e Darwin Quintero (Santos). T: Victor Vucetich (Monterrey);

– Após a ausência em Pequim-2008, o México novamente obteve vaga para a disputa das Olimpíadas. Com 100% de aproveitamento, conquistou o Pré-Olímpico em Kansas (EUA), batendo Honduras (que também garantiu sua vaga) na prorrogação na decisão;

– Confira mais desse colunista e sobre o futebol mexicano pelo twitter: @renanbarabanov

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