México

As razões do domínio Rayado na Concachampions

O gol do zagueiro Felipe Baloy, aos cinco minutos da etapa complementar, parecia sacramentar: o fim do reinado estava próximo. Com dois gols de vantagem, após o empate sem gols em Torreón, somente um milagre (e três gols) tiraria o título do Santos na Concachampions. Mas do outro lado estava o então bicampeão continental. Um time dono do melhor jogo coletivo da Concacaf, com jogadores acostumados à decisão e um técnico que não à toa recebe o apelido de “Rei Midas” do futebol azteca.

Foi preciso pouco mais de meia hora de duelo para que os Rayados fizessem o que não haviam conseguido nos outros 150 minutos da decisão da Concacaf Champions League e conquistassem o tricampeonato continental, ampliando ainda mais o domínio regiomontano nas Américas do Norte e Central.

Uma virada construída a partir dos pés das melhores peças do futebol Rayado: com gols de Suazo, Cardozo e de Nigris (duas vezes), o Monterrey sacramentou o inédito tri da nova era da competição. E que premia o melhor time da disputa. Em uma campanha quase perfeita, invicta, com oito vitórias em dez partidas, 26 gols marcados e apenas cinco sofridos, de longe a melhor defesa e ataque do torneio.

Aliás, pode-se dizer também, o melhor elenco. Individual ou coletivamente, o Monterrey entrou com o que tinha de melhor em campo. Usando a experiência obtida com as conquistas anteriores, dosando forças em momentos oportunos, garantindo a classificação para os playoffs da Liga MX e mais uma taça na competição na qual já pode ser considerado especialista.

Um título que dá ao Coloso del Norte a soberania continental na década atual. Um posto em anos anteriores ocupado por Pachuca (década de 2000), Pumas (anos 1980) e Cruz Azul (anos 1970), e que agora transfere ao time nortista um domínio cuidadosamente planejado, fruto de um projeto de longo prazo, paciência e altos investimentos, tanto em reforços, como na manutenção de suas principais peças, características vitais para garantir o sucesso do trabalho de Víctor Vucetich.

Se até o começo do século XXI o clube somava apenas um título nacional e era mais conhecido pela ferrenha rivalidade regional com o Tigres de UANL, a estabilidade gerada com a chegada da FEMSA, gigante do ramo cervejeiro e de distribuição das marcas Coca-Cola na América Latina que adquiriu a propriedade do Monterrey no início dos anos 2000, deu início ao projeto que culminou nas cinco conquistas (dois campeonatos mexicanos e o tricampeonato da Concachampions) num espaço de apenas cinco anos, elevando o Monterrey a um novo patamar no futebol azteca: o de time a ser batido.

Um time poderoso, comandado fora de campo por Vucetich, que entra em seu quinto ano regendo um elenco que mantém sob contrato dois dos maiores artilheiro da história do clube. Basta dizer que o chileno Humberto Suazo, sempre sondado pelo Velho Continente e maior goleador da história rayada, com 106 gols, recebe atualmente o maior salário do futebol mexicano segundo uma lista recém-divulgada pela revista Forbes: cerca de 3 milhões de dólares anuais, enquanto Aldo de Nigris, quinto maior artilheiro do clube, é o oitavo da relação, com salário em torno de 1,5 milhão. Ambos contam com multas rescisórias na cada dos 10 milhões, valor alto levando-se em consideração o fato de baterem à casa dos 30 anos.

Um patamar alterado também em nível mundial, já que o clube segue para sua terceira participação no Mundial de Clubes, tornando-se o primeiro a garantir vaga para o torneio no Marrocos e único clube a disputar três edições consecutivas do evento.

Se a Concacaf optou por mudar o formato da competição intercontinetal na atual temporada, uma coisa continua igual: o vencedor. Um clube que aprendeu como poucos a superar o constante equilíbrio do futebol local e se sobressair nos momentos decisivos. Aos sul-americanos e europeus que disputarem o Mundial de Clubes em dezembro, um aviso: o time que decepcionou em sua primeira participação em 2011 e alcançou o terceiro posto em 2012 agora quer mais. E quem pode duvidar depois de uma virada como a da última semana?

Curtas

– Liguilla definida no Clausura da Liga MX. Com o rebaixamento do Querétaro, a oitava vaga nos playoffs ficou com o 9º colocado, Monterrey, mesmo tendo sido goleado em casa pelo Cruz Azul, com um time de reservas após a conquista do título da Concachampions;

– Os duelos do mata-mata serão: Tigres UANL (1º) x Monterrey (9º), América (2º) x Pumas UNAM (7º), Atlas (3º) x Santos (6º) e Morelia (4º) x Cruz Azul (5º);

Costa Rica

– Atual campeã nacional, a Alajuelense ficou fora das semifinais do Campeonato de Verano da Primera División. A Liga ainda contou a ajuda do Pérez Zeledón, superado pelo já eliminado Uruguay, e precisava apenas de um empate para ficar com a vaga, mas foi derrotada pelo Cartaginés e deu adeus às chances de defender o título. No Clásico del Buen Fútbol, Saprissa e Herediano não saíram do zero, resultado que confirmou a liderança do clube de Heredia e também a vaga do rival. Com o fim da primeira fase, as semifinais colocaram frente a frente Herediano-Pérez Zeledón de um lado e Cartaginés-Saprissa do outro;

El Salvador

– Alianza, com um empate, e Luis Ángel Firpo, com uma vitória, garantiram suas vagas nas semifinais do Clausura da Liga Mayor, enquanto o FAS bateu o Juventud Independiente e ficou com a liderança da primeira fase. Com a derrota, Juventud e Santa Tecla jogarão um duelo de desempate pela quarta vaga na fase decisiva da competição;

Guatemala

– Com triunfo sobre o Halcones e tropeço do Malacateco, que ficou no zero frente ao Xelajú, o Comunicaciones reassumiu a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 34 pontos em 18 jogos. Já o Heredia contou com um triplete do brasileiro Igor de Souza para superar o Suchitepéquez e alcançar a terceira posição, com 32 pontos. Lanterna e sem chances de classificação, o Municipal também não saiu do empate sem gols contra o Marquense e soma apenas 11 pontos;

Honduras

– Sem muito esforço, Olímpia e Real Sociedad, líder e vice-líder da fase regular, farão uma decisão inédita no Clausura da Liga Nacional. Os Albos se garantiram com dois empates sem gols frente ao Platense, enquanto o clube de Tocoa, que disputa sua primeira temporada na elite, derrotou por fáceis 3×0 o Victoria no duelo de ida e precisou apenas de um empate em casa para ficar com a vaga;

Panamá

– Nas partidas de ida das semifinais do Clausura da Liga Panamenha, Árabe Unido e San Francisco não saíram do zero no duelo em Colón, enquanto o Sporting San Miguelito venceu, de virada, o Tauro, atuando em casa. Os duelos da volta, em Chorrera e Cidade do Panamá, respectivamente, estão agendados para a próxima sexta-feira.

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