Dois jogos são suficientes para avaliar um técnico?
O que mantém o México na briga por uma vaga na Copa do Mundo é um gol dos Estados Unidos, nos últimos minutos, contra o Panamá. A situação do time, que vai enfrentar a Nova Zelândia na repescagem, não surpreende tanto se levarmos em consideração que a cúpula que comanda o futebol do país acredita que dois jogos são suficientes para avaliar o trabalho de um treinador.
Isso mesmo. Víctor Manuel Vucetich venceu o Panamá com um gol de bicicleta nos minutos finais, perdeu da Costa Rica e foi demitido. Ele substituiu José Manuel de la Torre em 13 de setembro e ficou até 18 de outubro no cargo. Foram 35 dias. Comandou seis sessões de treinamento. Isso tudo foi suficiente, por exemplo, para o dono do Chivas, Jorge Vergara, um dos membros do comitê de desenvolvimento que vai se reunir nesta sexta-feira para definir o novo treinador.
Em entrevista à ESPN mexicana, Vergara criticou decisões “muito ilógicas” da comissão técnica de Vucetich, como usar Chicharito Hernández, o principal jogador da seleção, mesmo sem ritmo de jogo. “Uma mudança é necessária”, disse Vergara à ESPN, na última quarta-feira. “O técnico precisa ser alguém que usa as calças e tem vontade de decidir”. O treinador do América do México, Miguel Herrera, é o favorito.
Conhecido como Rei Midas, por ter vencido 14 das 15 finais que disputou, Vucetich, obviamente, achou uma falta de respeito ser demitido dessa forma. “Eu sou arrogante. Sou o Rei Midas, mas não sou Deus. Foi uma experiência positiva, mas não a que eu queria. De repente, acabou. É por isso que estamos desse jeito”, disse à ESPN americana.
Cabe debate por quanto tempo um técnico deve ser mantido no trabalho, mesmo com resultados ruins, mas dificilmente alguém sensato acredita que dois jogos são suficientes.



