México

América fez 45 minutos perfeitos para se tornar o maior campeão da Concacaf

Nada parece tirar a hegemonia dos mexicanos na Liga dos Campeões da Concacaf. Nos últimos 10 anos, a maior chance aconteceu desta vez. Em duas oportunidades, o América pareceu por um triz de sucumbir. Mas se reergueu para buscar a taça, sua sexta na história da competição, igualando o Cruz Azul como maior campeão. No segundo jogo da final, o Montreal Impact estava com a faixa no peito até o início do segundo tempo, empurrado por mais de 60 mil torcedores no Estádio Olímpico. Viu as Águias causarem uma reviravolta nos 40 minutos finais, comandadas pelo artilheiro Darío Benedetto. Com a vitória por 4 a 2, o América é o segundo time garantido no Mundial de Clubes de 2015, ao lado do Auckland City.

Benedetto já havia demonstrado a sua estrela nas semifinais, contra o Herediano. Após perder por 3 a 0 na Costa Rica, os mexicanos fizeram cinco gols em cerca de meia hora no Estádio Azteca e fecharam a goleada em 6 a 0. Quatro tentos só do argentino. Desta vez, as Águias também não se saíram bem na ida. Ficaram no empate por 1 a 1 na capital mexicana. E começaram perdendo na visita ao Canadá, com um gol de Romero logo aos oito minutos. Contudo, Benedetto mostrou sua estrela no segundo tempo. Empatou com um lindo voleio, aos cinco. Viu Oribe Peralta virar aos 14. E, com a ajuda providencial de Quintero, balançou as redes mais duas vezes. Aos 44, McInerney ainda descontou, mas não havia mais tempo. Outra vez, o troféu seguiria para o México.

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O América não vive momento tão bom assim, oscilando demais nas últimas rodadas e ocupando apenas a sétima colocação no Campeonato Mexicano. Não que o Impact representasse uma ameaça maior, pior time da MLS no último ano – e classificado à Concachampions através do Canadá. No entanto, não dá para negar a superioridade do elenco amarelo. Especialmente por Benedetto, Quintero e Peralta, o trio de ataque, além de Paul Aguilar e Moises Muñoz na defesa. Nomes que pesam muito mais do que Ignacio Piatti, talento solitário nos canadenses, camisa 10 que tentava unificar as Américas após já conquistar a Libertadores com o San Lorenzo em 2014. Não deu.

Com a conquista do América, o México soma 31 de 52 títulos possíveis na Liga dos Campeões da Concacaf. Uma hegemonia construída especialmente na última década, quando somente os clubes do país ficaram com a taça. O Saprissa, batendo o Pumas na final em 2005, foi o último a quebrar a supremacia. E enquanto a MLS não levar a sério o torneio continental, adaptando o seu calendário para não entrar em fases decisivas com times em começo de temporada, talvez o quadro não se reverta tão cedo. A superioridade técnica e financeira da Liga MX é evidente.

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O título americano vem para exaltar uma das maiores torcidas do México, assim como para honrar a memória de seu torcedor mais ilustre: Roberto Gómez Bolaños, o Chespirito, falecido no último mês de novembro. Uma pena que nenhum jogador, durante a comemoração, tenha se lembrado de Chaves, Chapolin ou qualquer outro personagem do ator. Haverá outra oportunidade em dezembro.

A partir de agora, o objetivo do América passa a ser claro: não prometer, mas cumprir no Mundial. Se os mexicanos quase sempre decepcionam no torneio, o clube da capital é um dos que possui camisa mais pesada para fazer valer sua força. Mas também precisa jogar, bem diferente de sua única participação, em 2006, quando acabou goleado pelo Barcelona nas semifinais. Há tempo até lá.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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