México

Depois de 16 anos, Cruz Azul tira o peso do jejum das costas

O ambiente dentro de um grande clube é algo sempre suscetível a derrotas, vitórias e resultados. Imediatista por tradição. Imagine o clima desse ambiente dentro de um time grande, popular, historicamente vencedor, mas somando 16 anos distante de um título. Clube midiático por natureza, o Cruz Azul viveu até a última semana um dos períodos de maior agonia da sua história. Uma fila que impedia a inauguração da sala de troféus da Máquina no século XXI. Mas que chegou ao fim e trouxe consigo um alívio enorme, já refletido dentro de campo.

Fundado em 1927, somente na década de 1960 o clube originário do estado de Hidalgo aventurou-se no profissionalismo azteca. Com a decisão da cooperativa que fundou e administra o clube de transferir sua sede para a capital do país, os Cementeros experimentaram um rápido crescimento no inicio dos anos 1970, enfileirando taças em sequência e transformando-se numa das principais forças do futebol mexicano.

A época de ouro da Máquina trouxe ao clube, em um espaço de apenas 11 anos, sete títulos nacionais e três continentais, tornando o Cruz Azul a base da seleção mexicana e aumentando de forma exponencial seu número de torcedores, acirrando a rivalidade com as principais forças do futebol azteca, Chivas e América. O brilho cobrou seu preço com a primeira longa seca de conquistas na década de 1980, que só foi encerrada na metade final dos anos 1990, com a formação de um novo esquadrão que alcançaria o oitavo título mexicano, a dobradinha da Copa MX e o bicampeonato continental.

O que se viu a seguir, contudo, foi a constatação de que o período fora apenas uma exceção no longo jejum. Desde então, passaram-se outros longos 16 anos sem que as Liebres soltassem novamente o grito de campeão. Em um ambiente exposto por tradição, contando sempre com a chegada de bons (e caros) reforços e a pressão de uma torcida acostumada a comemorar taças, os Cementeros tornaram-se reféns da seca.

As constantes decepções só aumentaram a pressão por conquistas. E não foram poucas. Durante o jejum, o Cruz Azul somou o maior número de pontos em quatro temporadas na elite mexicana, alcançou quatro finais da Liga MX, duas da Concachampions e uma da Copa Libertadores. Mesmo chegando tão perto do título tantas vezes, ficou no quase em todas essas oportunidades, em algumas delas com derrotas inadmissíveis para a exigente e numerosa torcida Azul, a terceira maior do país.

E não dá para falar em falta de reforços. Mesmo sem títulos, o Cruz Azul contou com alguns dos melhores jogadores que atuaram em gramados aztecas, entre eles os argentinos César Delgado, Emanuel Villa, Mauro Camoranesi, Luciano Figueroa e Christian Giménez, o uruguaio Sebastián Abreu e os mexicanos Miguel Sabah e Francisco Palencia. Reforços que custaram caro aos cofres Cementeros, mas não trouxeram de volta os títulos.

Foi preciso uma competição de pouco apelo e também uma pitada de sorte para que a Máquina Azul pusesse fim ao incômodo jejum. Com a vitória nos pênaltis sobre o Atlante, na casa do adversário, após empate sem gols no tempo normal, El Chemo finalmente retomou o caminho dos títulos. E os créditos podem ser dados ao técnico Guillermo Vázquez. Percebendo a importância de pôr fim ao jejum, “Memo” não poupou seus titulares na fase decisiva, ao contrário de boa parte dos adversários, focados em uma boa campanha no Clausura.

Com o título, o objetivo passa a ser tranquilizar o ambiente para fazer render as boas peças que dispõe o elenco Cementero. Um exemplo desse novo clima e seu desdobramento foi dado na última rodada da Liga MX. Empolgado com a conquista no meio de semana, o Cruz Azul goleou por acachapantes 5 a 0 os atuais campeões Tijuana, entrando de vez na briga pela vaga nos playoffs, a mesma que parecia cada vez mais distante algumas (irregulares) rodadas atrás.

Atuando de forma mais leve e sem a pressão, a Máquina registrou sua maior goleada no campeonato mexicano nos últimos oito anos, pulando quatro posições e assumindo o sétimo posto na tabela de classificação. Mais, as atuações primorosas de Orozco, Pavone e Giménez, bem como o renascimento de nomes que vinham apagados, como o repatriado Pablo Barrera, mostram que a confiança parece ter sido retomada no estádio Azul. Não se sabe por quanto tempo e nem mesmo se renderá frutos mais duradouros. O alento da direção Cementera é que, com o título da Copa MX, ao menos a sala de troféus foi inaugurada no século atual. E espera-se que, com isso, o clube retome o protagonismo no cenário nacional.

Curtas

– Seleção da 14ª rodada site Mediotiempo: Édgar Hernández (Jaguares), Jose Van Rankin (Pumas UNAM), Darío Verón (Pumas UNAM), José María Basanta (Monterrey) e Gerardo Flores (Cruz Azul); David Cabrera (Pumas UNAM), Jorge Rodríguez (Jaguares), Isaác Brizuela (Atlas) e Pablo Barrera (Cruz Azul); Martín Bravo (Pumas UNAM) e Javier Orozco (Cruz Azul); T: Daniel Guzmán (Atlante);

Costa Rica

– Um gol do jovem meia Deyver Veja deu a vitória ao Saprissa sobre a rival Alajuelense no Clásico del fútbol costarricense. O triunfo levou os Morados ao terceiro lugar no Campeonato de Verano, com 31 pontos em 18 partidas. Líder e vice-líder também venceram: o Cartaginés foi a Guápiles e bateu o Santos pelo placar mínimo, alcançando os 37 pontos, enquanto o Herediano goleou o Pérez Zeledón por 5 a 1 e soma 33. Derrotada no clássico, a Liga permanece em quinto na Primera División, com 25 pontos;

El Salvador

– Dois clássicos movimentaram a 14ª rodada do Clausura da Liga Mayor. E o saldo foi negativo para líder e vice-líder, derrotados pelos arquirrivais em casa. No Clásico Joven, o Alianza foi superado pelo Luis Ángel Firpo, mas manteve a ponta com 27 pontos, já que seu perseguidor mais próximo, o FAS, perdeu o Derbi Santaneco para o Isidro Metapán e estacionou nos 26, mesma pontuação do Santa Tecla, que aproveitou o tropeço dos ponteiros e venceu o UES para encostar na briga pelo topo;

Guatemala

– Mesmo superado pelo Universidad SC em um emocionante 4×3, o Comunicaciones manteve a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 27 pontos em 14 jogos, já que o Heredia também foi derrotado pelo Petapa, fora de casa e permaneceu com três pontos a menos. Quem aproveitou a bobeada dos líderes foi o Marquense, que, com dois gols do brasileiro Terencio de Oliveira, bateu o Juventud Escuintleca e assumiu a vice-liderança, com 26 pontos;

– Quem começou a respirar foi o Municipal: os Rojos golearam o Mictlán por 4 a 0 e somaram seu segundo triunfo no ano. Maior campeão nacional, o clube ainda segura a lanterna, seis pontos atrás do Petapa, seu adversário mais próximo na tabela;

Honduras

– Tudo igual no confronto dos líderes do Clausura da Liga Nacional, resultado que manteve o Olímpia na ponta, com 32 pontos em 17 partidas, e o Real Sociedad na vice-liderança, cinco pontos atrás. Com 24, aparece o Victoria, que contou com atuação inspirada e dois gols do jovem atacante Júnio Lacayo, de apenas 17 anos, para vencer o Real España e assumir o terceiro lugar;

Panamá

– Uma chuva de gols marcou a 14ª rodada do Clausura da Liga Panamenha: o Tauro superou o o Chorrillo por 6 a 4 e assumiu o terceiro lugar, com 23 pontos, ao lado do Río Abajo, derrotado em casa pelo Chepo, e Sporting San Miguelito. Líder e vice-líder, San Francisco e Árabe Unido não passaram de empates e permanecem no topo, com 26 e 25 pontos, respectivamente.

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