México

Crise verde

O 1 a 0 sobre o Millonarios no último sábado foi mais que a vitória em um clássico. Foi o alívio para o time do Atlético Nacional, que vive um momento de extrema turbulência interna. Nas cinco rodadas anteriores do Apertura, os Verdolagas haviam perdido todas as suas partidas, uma situação inconcebível para um dos clubes mais tradicionais e ricos da Colômbia.

A primeira vítima dessa crise foi Victor Hugo Aristizábal. O ex-jogador de São Paulo, Santos e Cruzeiro – e nome histórico do Nacional – era preparador de atacantes do clube alviverde. Com os maus resultados, parte da torcida passou a acusá-lo de, ao lado de Mauricio Serna e Faustino Asprilla, aliciar o elenco a fazer “corpo mole”. O motivo seria desvalorizar o clube para que o trio pudesse comprá-lo.

Aristizábal e Serna convocaram uma entrevista coletiva para negar as acusações. Eles alegam não ter dinheiro para comprar o Atlético Nacional em nenhuma circunstância e, portanto, não faria sentido tentar desestabilizá-lo. O ex-atacante anunciou sua saída do clube e voltou a morar no Brasil, enquanto o ex-volante do Boca Juniors afirmou que jogar a culpa em antigos ídolos seria uma estratégia dos responsáveis reais pela crise.

O presidente Victor Marulanda, pressionado pelos problemas administrativos dos Verdolagas, resistiu e não renunciou. Preferiu passar a bola para o elenco. Por mal comportamento, sete atletas foram advertidos, sendo que três – Baiano (ex-Santos, Palmeiras e Atlético Mineiro), Orozco e Giovanni Moreno – foram multados. O técnico Luis Fernando Suárez – ex-seleção equatoriana – foi mantido no cargo.

De prático, o problema da equipe é a falta de consistência. O Atlético Nacional teve bons momentos até agora, mas não compensaram a perda de concentração nos momentos decisivos das partidas. Como a tabela foi cruel no início do Apertura – duelos contra La Equidad, América de Cali e Atlético Junior nas três primeiras rodadas –, o time perdeu confiança e se afundou em uma crise que vinha desde o Clausura 2008, quando os alviverdes ficaram sem vitória nas últimas seis partidas.

O triunfo em cima do Millonarios pode dar um pouco de paz o primeiro clube colombiano a conquistar a Libertadores. Ainda assim, os Verdolagas precisam resolver vários de seus problemas internos, sobretudo os administrativos. Sob o risco de a vitória no clássico ser uma das poucas nesta temporada.

Bolívia e Paraguai reclamam de racismo argentino

Na Argentina, um modo de tratar pejorativamente as classes mais baixas da população é chamar seus membros de “bolivianos” ou “paraguaios”. Motivos óbvios: a situação econômica dos dois vizinhos ao norte e o fato de esses países terem uma grande população de origem indígena, o que, entre os argentinos, é mais comum nas províncias mais carentes.

Por isso, no Independiente 2×0 Boca Juniors deste fim de semana, a torcida vermelha levou bandeiras da Bolívia e do Paraguai. Um modo de chamar os boquenses de “pobres”, mais ou menos como se faz ao relacionar corintianos e flamenguistas à favelas. Para reforçar a ação, as barras bravas do clube de Avellaneda ainda entoaram cantos com teor preconceituoso, ligando bolivianos e paraguaios a algo negativo.

O caso não passou em branco. Dias depois da partida, o governo bolivano entrou em contato com a AFA (federação argentina) e pediu punição aos responsáveis pela manifestação racista. Leonor Arauco, embaixadora boliviana em Buenos Aires, enviou carta a Julio Grondona, na qual considerou o ato um “insulto à Bolívia” e ainda lembrou – com razão – que não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece em estádios argentinos.

A diplomata ainda disse considerar inaceitável que a partida tenha continuado, contrariando orientação da Fifa para situações como ocorrida no clássico. Para completar, Arauco afirmou que o governo boliviano não aceitará pedidos de desculpas se não forem acompanhados por medidas efetivas para punir os responsáveis.

O Paraguai seguiu caminho parecido. A chancelaria paraguaia emitiu uma nota oficial ao governo argentino, na qual fala em “preocupação e desagrado pelas manifestações antiparaguaias da partida entre Independiente e Boca Juniors”. O responsável pelo texto, Juan Ángel Bibolini, adido comercial em Buenos Aires, ainda reclamou do uso desrespeitoso de um símbolo nacional.

Diante do atrito diplomático causado, os argentinos já se movimentaram. Maria José Lubertino, diretora do Inadi (Instituto Nacional contra la Discriminación), anunciou que pedirá explicações à AFA e verificará se o árbitro Sergio Pezzotta citou o caso em seu relatório (de acordo com a federação, isso ocorreu). De acordo com Lubertino, o clube pode ser punido pela atitude de sua torcida e o árbitro merece repreenda por omissão, ao levar a partida até o fim (a maior parte das manifestações ocorreram no intervalo e no início do segundo tempo).

Pressionada, a diretoria do Rojo se pronunciou oficialmente. O clube de Avellaneda afirmou que a atitude foi protagonizada por um pequeno grupo de torcedores que burlaram a fiscalização na entrada do estádio para usar bandeiras paraguaias e bolivianas de modo indevido. Em relação a punições, o Independiente sancionará qualquer um que seja identificado como sócio do clube, seguindo os procedimentos já previstos em seu estatuto.

Por enquanto, são apenas jogos de palavras. Casos de manifestações racistas no futebol argentino não são incomuns (e o alvo preferencial são os bolivianos), ainda que não façam parte de um movimento político xenófobo organizado como na extrema direita na Europa. Acabar com o problema agora é fundamental para que os xingamentos se transformem em atitudes políticas e sociais mais intensas. A última coisa que a América Latina precisa é de racismo de um povo em relação a outro.

Futebol uruguaio doente

A crise institucional do futebol uruguaio parece não ter fim. Depois de tantas idas e vindas do Apertura 2008 e da greve no início do Clausura, foi a vez de o futebol charrua ficar sem comando. Nesta sexta, José Luis Corbo, presidente da AUF (federação uruguaia) renunciou ao cargo.

O dirigente estava sob forte pressão depois dos vários problemas recentes no campeonato local. A dificuldade da AUF em lidar com a violência das torcidas (motivo para duas paralisações do Apertura) e a greve que adiou uma rodada do Clausura enfraqueceram Corbo.

A gota d’água foi o fato de algumas equipes terem convocado uma assembleia dos clubes para reverter decisões tomadas pelo cartola. Os clubes médios e pequenos estão particularmente descontentes porque acusam Corbo de favorecer Nacional e Peñarol, que tiveram participação aprovada no Clausura mesmo carregando dívidas do campeonato anterior, algo proibido pelo regulamento.

A renúncia do dirigente causou surpresa entre os clubes. E há quem pretende reverter essa decisão. Ricardo Alarcón, presidente do Nacional, afirmou que é de “mau gosto” os clubes contestarem a gestão de Corbo quando eles próprios deram totais poderes ao presidente da AUF na tentativa de contornar os problemas que atingiram o futebol uruguaio desde o final de 2008.

Curiosamente, os clubes acusados de contestarem o dirigente – notadamente Liverpool, Danubio, Defensor Sporting e Villa Española – afirmaram que continuam apoiando Corbo. Uma posição pouco convincente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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