Copa falida?
Semana de pausa nas competições nacionais dos campeonatos centro-americanos em virtude do calendário reservado para as partidas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. É, também, uma boa hora para darmos uma passada no que rola em competições nacionais das quais pouco se falam. E até mesmo avaliar a real necessidade da existência desses torneios. O principal deles é a Copa MX.
Torneio mais antigo ainda ativo no futebol azteca, a Copa México foi disputada pela primeira vez em 1907, sendo pioneira em reunir clubes de todas as partes do território mexicano, numa época em que o esporte ainda era essencialmente amador e recém-chegado ao país. Existiu de forma mais ou menos regular (com algumas interrupções e abandonos) até 1997, quando deixou de ser disputada em virtude do apertado calendário e da pouca disponibilidade de datas.
Com um campeonato nacional mais organizado, rentável e valendo vaga para competições internacionais, os clubes pouco a pouco passaram a dar menos importância ao antigo torneio, que passou por vários formatos, mas sempre mantendo a fórmula básica das disputas aztecas: fase de grupos seguida de playoffs para decidir o campeão. Mesmo em suas fases mais douradas dentro do período profissional a Copa México sempre sofreu a concorrência do mais rentável campeonato nacional. Dessa forma, as tradicionais potências do futebol mexicano atual possuem poucas conquistas no torneio.
Para a atual temporada, além de reformular seu campeonato nacional, passando a administração para os clubes, profissionalizando ainda mais a gestão e tornando a principal disputa nacional ainda mais atraente para patrocinadores, a Federação Mexicana (FemexFut) decidiu, como forma de preencher um pouco mais o calendário dos clubes de fora das disputadas continentais, reativar a antiga Copa México, agora sob o nome de “Copa MX”.
A ideia, a princípio uma forma de manter as equipes por mais tempo em atividade e dar oportunidades aos jogadores mais jovens de atuar de forma mais regular em competições de primeiro nível, por enquanto está saindo como um tiro no pé. Atraindo pouca atenção da mídia, dos patrocinadores e dos torcedores, a competição já sofre críticas de dirigentes, técnicos e jogadores.
Além de congestionar o calendário, o torneio aumenta o risco de lesões dos jogadores e tem custos. Despesas que não vem sendo cobertos pela arrecadação ínfima de alguns clubes menores. Um dos pilares da volta da competição era possibilitar aos clubes da segunda divisão o duelo com clubes da elite, e o consequente aumento na receita desses times. O problema é que praticamente todos os participantes oriundos da Primera División colocaram em campo elencos reservas e jogadores jovens, diminuindo consideravelmente a atratividade das partidas.
Pior, o excesso de jogos acaba diminuindo o interesse do público no campeonato nacional, vedete da FemexFut. Isso sem falar no regulamento complexo, que, além dos três pontos por vitória e um por empate, premia com um ponto extra o “vencedor geral” de cada rodada (confronto em ida e volta).
Até mesmo a ideia de dar mais tempo de experiência aos jovens jogadores é criticada, uma vez que o futebol mexicano possui medidas muito mais eficientes, como a regra de minutos mínimos por clube na primeira divisão para jogadores com menos de 21 anos e torneios sub-20, sub-17 e até sub-15 fortemente estruturados e considerados modelos mundo afora.
Com o bombardeio de críticas e pedidos de mudanças, a FemexFut já estuda algumas alterações, entra elas a mudança para uma disputa única durante toda a temporada (e não a divisão em dois torneios, Apertura e Clausura, como é feito atualmente). O objetivo é não tornar a Copa MX mais um torneio de “ocasião”, como tantos outros já extintos no futebol mexicano, entre eles o Campeão dos Campeões e a InterLigas. Disputas esporádicas, que surgem e desaparecem ao gosto das emissoras e patrocinadores, mas diminuem a atratividade e a credibilidade das conquistas dos clubes aztecas.
Copa México Apertura 2012
Mesmo com times reservas e/ou jogadores jovens, os clubes da primeira divisão ainda reinam na atual edição da Copa MX, evidenciando o grande desnível entre clubes das duas principais divisões aztecas. Somente o Necaxa vem se mostrando um rival incômodo aos clubes da elite e lidera o grupo 4, com 12 pontos, à frente de San Luis (11), Pumas Morelos (5) e Jaguares (4).
Nas outras chaves, Morelia e León (grupo 1), Cruz Azul (2), Pachuca (3), América (5), Tijuana (6) e Puebla (7) vão se impondo sem grandes dificuldades, mesmo com times reservas e/ou mistos. Altamira (no grupo 2), Correcaminos (5), Mérida (6) e Lobos BUAP (7) são os times da Liga de Ascenso com mais chances de surpreender. Ainda que a preocupação com uma boa campanha na segunda divisão que dê vaga na elite seja, hoje, muito mais interessante e economicamente mais viável do que uma vaga no mata-mata da Copa MX.
Curtas
– Com a disputa da quarta rodada da terceira fase das Eliminatórias da Concacaf para o Mundial de 2014 a partir dessa terça-feira, muita coisa ainda pode (e deve) mudar, mas algumas constatações podem ser feitas já com o fim da terceira rodada, no último fim de semana;
– Os Estados Unidos dificilmente ficarão de fora da próxima fase, mas a derrota para a Jamaica acendeu o sinal amarelo para os norte-americanos. Tropeços constantes na fase final podem custar a vaga para a sétima Copa do Mundo consecutiva (atual recorde da Concacaf);
– A facilidade mexicana em conquistar o triunfo sobre os costa-riquenhos na casa do adversário mostra duas possíveis situações: os aztecas não terão grandes empecilhos em obter a vaga no Mundial, enquanto os Ticos terão de suar para não repetir a ausência de 2010;
– No grupo mais equilibrado, o Canadá lidera, mas não convence. Com grandes dificuldades para superar o Panamá, em casa, os Reds travarão disputa ferrenha com Honduras e Panamá pelas duas vagas na fase final. E os dois jogos contra os rivais serão fora de casa;
– Apostas para as vagas na fase final: Estados Unidos e Jamaica (grupo A), México e Costa Rica (B) e Panamá e Honduras (C).



