México

Copa argentino-brasileira

Depois da conformação das oitavas-de-final, esperava-se que a Libertadores veria uma reta final cheia de argentinos e brasileiros. LDU Quito e América-MEX não deixaram que isso ocorresse. No entanto, esse cenário se tornou bem real alguns meses depois, na Copa Sul-Americana. Dos oito quadrifinalistas do torneio, apenas um – as Chivas de Guadalajara – não é de uma das potências continentais.

A ocorrência desse fenômeno, inédito na Sul-Americana, não é apenas coincidência ou prova da força de Argentina e Brasil. É uma situação que somente neste ano se tornou possível. O regulamento da competição havia sido elaborado para impedir essa hegemonia.

Como têm muito mais representantes que qualquer outro país, Argentina e Brasil tinham de se eliminar prematuramente. Depois de uma fase preliminar doméstica, os argentinos enfrentavam os brasileiros. Apenas os sobreviventes se misturariam com equipes de outros países. Neste ano, brasileiros e argentinos foram colocados como cabeças-de-chave e seria possível que todos os quadrifinalistas viessem de um desses países (o que só não ocorreu porque o Atlético-PR caiu diante das Chivas).

De qualquer modo, a Sul-Americana pode ficar com uma cara bem interessante. Com exceção dos Argentinos Juniors, sobraram apenas clubes grandes e/ou tradicionais. Sinal de que, se ninguém deixar o torneio em segundo plano e escalar times reservas, teremos jogos para lá de interessantes e aguerridos.

Veja o que esperar dos jogos.

ESTUDIANTES x BOTAFOGO
Um bom jogo para colocar os nervos do Botafogo à prova. O Alvinegro terá pela frente uma equipe que não é brilhante tecnicamente (tem como boas figuras Boselli – eterno reserva de Palacio e Palermo no Boca – e o veterano Verón), mas conta com um enorme espírito de competição. Isso ficou evidente no modo agônico que se classificou diante de Independiente (nos pênaltis) e Arsenal (segurando o 0 a 0 na casa do adversário). Enquanto isso, o Botafogo terá de superar sua queda de rendimento nas últimas semanas. O time não está no ritmo acelerado do início do trabalho de Ney Franco. O time ainda é equilibrado, mas o ataque não tem sido dos mais confiáveis, o que acaba aumentando a responsabilidade da defesa. Considerando que fazer gol fora de casa será fundamental nesse duelo, o Alvinegro precisará se reencontrar fisicamente. Menos mal que, aparentemente, o clube tem visto a Sul-Americana como prioridade (o que pode ficar enfatizado se as chances de título nacional continuarem caindo).
Palpitômetro: Estudiantes 60% / Botafogo 40%

RIVER PLATE x CHIVAS
Dois gigantes que vivem momentos de incerteza em seus campeonatos nacionais. O River é o atual campeão argentino, mas não se encontrou após a virada da temporada. O cargo de Simeone chegou a ser colocado em risco pela má campanha no Apertura. Uma realidade parecida com a das Chivas, que chegaram a ser co-lanterna do Apertura mexicano. Três vitórias seguidas (duas pelo Mexicano, uma pela Sul-Americana) deram um pouco de tranqüilidade ao treinador Efraín Flores, mas a situação ainda é delicada. Desse modo, o confronto na Sul-Americana pode ser pautado pela capacidade de administrar a crise. O modo de gerenciar o desgaste físico com longas viagens entre Guadalajara e Buenos Aires também deve ser considerado. Como o Rebaño ainda tem esperança de conseguir algo no campeonato nacional e o River não, os argentinos têm mais condição de priorizar a Sul-Americana e levam ligeiro favoritismo.
Palpitômetro: River Plate 55% / Chivas de Guadalajara 45%

PALMEIRAS x ARGENTINOS JUNIORS
O Argentinos Juniors é a grande surpresa das quartas-de-final da Sul-Americana. A equipe é tecnicamente fraca, com poucos jogadores de experiência internacional (os principais são Scotti e Pavlovich). De qualquer modo, deve ser respeitada uma equipe que, mesmo com poucas credenciais, eliminou San Lorenzo e San Luis (líderes dos Aperturas argentino e mexicano). Nem isso tira o favoritismo do Palmeiras. Se o Alviverde colocar em campo seu time titular, tem totais condições de superar o Bicho Colorado, independentemente de qualquer desgaste que a luta pelo título em duas competições pode acarretar.
Palpitômetro: Palmeiras 75% / Argentinos Juniors 25% (considerando times titulares)

INTERNACIONAL x BOCA JUNIORS
Confronto que se ensaia o mais apetitoso dessa fase. Ainda que seja um exagero falar em “final antecipada”, é o único duelo que envolve dois favoritos ao título. O momento é melhor para o Inter, que venceu as últimas quatro partidas no Brasileirão e tem um setor ofensivo dos mais interessantes das Américas, com D’Alessandro, Daniel Carvalho, Alex e Nilmar. Além disso, o Colorado não reúne muitas chances de título nacional que, por isso, deve se dedicar à Sul-Americana. O problema é administrar a contusão de Guiñazu e a fragilidade de um goleiro como Clemer, que não merece a confiança que a torcida tem nele. Do outro lado, o Boca Juniors está em uma fase instável, sem se encontrar no Apertura argentino e ainda à procura de um finalizador como Palermo. Como ainda busca a liderança no campeonato nacional, pode chegar desgastado para os encontros com os gaúchos. Outro fator negativo é que os Xeneizes perderam dois dos últimos três mata-mata com brasileiros (São Paulo na Sul-Americana 2007, Cruzeiro e Fluminense na Libertadores 2008), acabando um pouco com a mística de time que jamais cai diante de brasileiros.
Palpitômetro: Internacional 55% / Boca Juniors 45%

México: camisa pesou

Dois grandes em crise enfrentavam rivais locais em melhor momento, mas com jejum de vitórias em dérbis. A chance de tabus caírem não era pequena, mas a camisa pesou: América e Chivas venceram, pela ordem, Cruz Azul e Atlas. E duas vitórias convincentes, de quem soube crescer no momento de maior pressão.

Na Cidade do México, o diferencial foi Cabañas. O paraguaio se recuperava de contusão e não era levado em conta para o clássico. No entanto, Ramón Díaz surpreendeu ao colocá-lo em campo desde o início. Uma aposta que se mostrou acertada. Em 35 minutos, o atacante já havia feito dois gols.

A vantagem (exagerada para uma equipe que não jogava tão bem assim) serviu para derrubar psicologicamente os cruzazulinos. No segundo tempo, a Máquina Cementera até ensaiou uma pressão, mas as Águilas não tiveram muita dificuldade para administrar a vantage, controlando o ímpeto adversário com os contra-ataques.

Em Guadalajara, as Chivas fizeram 1 a 0 no Atlas. O duelo foi decidido no meio-campo. O treinador atlista, Darío Franco, colocou três atacantes, Botinelli, Bogado e Vargas. Com apenas um dianteiro (Arellano), o Rebaño tinha mais força no meio-campo e conseguiu isolar o trio dos Zorros.

Outro fator favorável às Chivas foi a entrada do goleiro Victor Hugo Hernández no lugar de Sergio Rodríguez, que vinha em má fase. A mudança deu mais confiança à defesa rojiblanca, que trabalhou com mais segurança. Desse modo, a vitória foi justa, ainda que o chiverío não mostre um futebol dos mais vistosos e convincentes.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da 10ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Cirilo Saucedo (Indios); Xavier Baez (Chivas de Guadalajara), Jonny Magallón (Chivas de Guadalajara), Javier Malagueño (Indios) e Ramón Partida (Tecos de la UAG); Christian Bermúdez (Atlante), Jaime Correa (Pachuca), Enrique Vera (América) e Néstor Calderón (Toluca); Salvador Cabañas (América) e Andrés Mendoza (Morelia).

Convocações

Saíram mais listas de convocados para as próximas rodadas das eliminatórias sul-americanas e da Concacaf. Bolívia, Equador e Peru foram mostrados nesta coluna na semana passada. Agora, é a vez do resto (falta só o Chile, que, mais uma vez, vai anunciar os convocados em cima da hora).

COLÔMBIA
Goleiros: Agustín Julio (Independiente Santa Fe) e Miguel Calero (Pachuca/MEX); defensores: Amaranto Perea (Atlético de Madrid/ESP), Mauricio Casierra (Millonarios), Humberto Mendoza (Atlético Nacional), Pablo Armero (América de Cali), Camilo Zúñiga (Siena/ITA), Mario Yepes (Chievo/ITA), Yulián Anchico (Independiente Santa Fe) e Josimar Mosquera (Arsenal/ARG); meio-campistas: Giovanny Hernández (Atlético Junior), Gerardo Bedoya (Millonarios), Fabián Vargas (Boca Juniors/ARG), David Ferreira (Atlético-PR/BRA), Freddy Guarín (Porto/POR), Juan Carlos Toja (Steaua Bucareste/ROM), Abel Aguilar (Hércules/ESP) e Adrián Ramos (América de Cali); atacantes: Freddy Montero (Deportivo Cali), Dayro Moreno (Steaua Bucareste/ROM), Darwin Quintero (Pereira) e Wason Rentería (Braga/POR).

COSTA RICA
Goleiros: Keylor Navas (Saprissa), Ricardo González (Herediano) e Wardy Alfaro (Alajuelense); defensores: Cristian Montero (Alajuelense), Freddy Fernández (Pérez Zeledón), Gonzalo Segares (Chicago Fire/EUA), Michael Umaña (Liberia), Junior Díaz (Wisla Cracóvia/POL), Pablo Chinchilla (Liberia), Harold Wallace (Liberia), Leonardo González (Herediano) e Roy Myrie (Gent/BEL); meio-campistas: José Luis López (Melbourne Victory/AUS), Celso Borges (Saprissa), Walter Centeno (Saprissa), Armando Alonso (Saprissa), William Sunsing (Liberia), Bryan Ruiz (Gent/BEL) e Carlos Hernández (Melbourne Victory/AUS); atacantes: Froylan Ledezma (Admira/AUT), Álvaro Saborío (Sion/SUI), Alonso Solís (Saprissa) e Víctor Núñez (Liberia).

MÉXICO
Goleiros: Oswaldo Sánchez (Santos Laguna), Guillermo Ochoa (América) e José de Jesús Corona (Tecos de la UAG); defensores: Oscar Rojas (América), Héctor Moreno (AZ/HOL), Aarón Galindo (Eintracht Frankfurt/ALE), Carlos Salcido (PSV/HOL), Fausto Pinto (Pachuca), Ricardo Osorio (Stuttgart/ALE), Jonny Magallón (Chivas de Guadalajara) e Rafa Márquez (Barcelona/ESP); meio-campistas: Fernando Arce (Santos Laguna), Gerardo Torrado (Cruz Azul), Luis Pérez (Monterrey), Andrés Guardado (Deportivo de La Coruña/ESP), Gonzalo Pineda (Chivas de Guadalajara), Giovani dos Santos (Tottenham/ING) e Francisco Torres (Santos Laguna); atacantes: Carlos Ochoa (Monterrey), Carlos Vela (Arsenal/ING), Matías Vuoso (Santos Laguna), Omar Bravo (Deportivo de La Coruña/ESP) e Omar Arellano (Chivas de Guadalajara).

PARAGUAI
Goleiros: Justo Villar (Valladolid/ESP), Aldo Bobadilla (Independiente Medellín/COL) e Derlis Gómez (Nacional); defensores: Paulo da Silva (Toluca/MEX), Julio Mansur (Pachuca/MEX), Darío Verón (Pumas de la Unam/MEX), Claudio Morel Rodríguez (Boca Juniors/ARG), Carlos Bonet (Cruz Azul/MEX), Denis Caniza (Olímpia), Julio César Cáceres (Boca Juniors/ARG) e Pedro Benítez (Tigres de la UANL/MEX); meio-campistas: Edgar Barreto (Reggina/ITA), Edgar González (Olímpia), Cristian Riveros (Cruz Azul/MEX), Jonhatan Santana (Wolsfburg/ALE), Enrique Vera (América/MEX), Aureliano Torres (San Lorenzo/ARG), Víctor Cáceres (Libertad) e Osvaldo Martínez (Libertad); atacantes: Roque Santa Cruz (Blackburn/ING), Salvador Cabañas (América/MEX), Dante López (Pumas de la Unam/MEX), Ariel Bogado (Atlas/MEX), Nelson Haedo Valdéz (Borussia Dortmund/ALE) e Óscar Cardozo (Benfica/POR)

URUGUAI
Goleiros: Juan Castillo (Botafogo/BRA), Fabián Carini (Murcia/ESP) e Martín Silva (Defensor Sporting); defensores: Diego Lugano (Fenerbahçe/TUR), Diego Godín (Villarreal/ESP), Carlos Valdéz (Reggina/ITA), Andrés Scotti (Argentinso Juniors/ARG), Martín Cáceres (Barcelona/ESP), Bruno Silva (Ajax/HOL), Jorge Fucile (Porto/POR) e Juan Manuel Díaz (Estudiantes/ARG); meio-campistas: Walter Gargano (Napoli/ITA), Diego Pérez (Monaco/FRA), Sebastián Egurén (Villarreal/ESP), Maxi Pereira (Benfica/POR), Álvaro González (Boca Juniors/ARG), Cristian Rodríguez (Porto/POR) e Diego Arismendi (Nacional); atacantes: Sebastián Abreu (River Plate/ARG), Vicente Sánchez (Schalke 04/ALE), Edison Cavani (Palermo/ITA), Luis Suárez (Ajax/HOL), Ernesto Chevantón (Sevilla/ESP) e Carlos Bueno (Peñarol).

VENEZUELA
Goleiros: Renny Vega (Denizlispor/TUR), Manuel Sanhouse (Deportivo Táchira) e Rafael Dudamel (Estudiantes); defensores: Roberto Rosales (Gent/BEL), Gabriel Cichero (New York Red Bulls/EUA), Gerzon Chacón (Deportivo Táchira), Franklin Lucena (Caracas), José Manuel Rey (Caracas), Pedro Boada (Deportivo Anzoátegui), Grenddy Perozo (Deportivo Anzoátegui) e Juan Fuenmayor (Zulia); meio-campistas: Juan Arango (Mallorca/ESP), Ronald Vargas (Brugge/BEL), Miguel Mea Vitali (Vaduz/LIE), César González (Huracán/ARG), Luis Manuel Seijas (Independiente Santa Fe/COL), Leonel Vielma (Independiente Santa Fe/COL), Jorge Rojas (New York Red Bulls/EUA), Tomás Rincón (Deportivo Táchira) e Alejandro Guerra (Caracas); atacantes: Giancarlo Maldonado (Atlante/MEX), Alejandro Moreno (Columbus Crew/EUA) e Daniel Arismendi (Unión Maracaibo).
 

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