México

Como assim?

Italianos são passionais. Amam incondicionalmente, mas o fazem com tanta intensidade que, quando o amado não atende a todas as expectativas (algumas utópicas), a paixão se transforma em momentâneo ódio. Como uma “mamma” que não se conforma quando o filho começa a namorar uma moça que a desagrade por qualquer motivo. Em muitos momentos, o palmeirense é assim, mesmo os milhões que não têm uma hemácea italiana no sangue.

Nesta quinta, os torcedores alviverdes tiveram muitos motivos para manifestar esse ódio que nada mais é que um lado desse amor. Jogando em casa, o Palmeiras não conseguiu uma vitória que lhe desse tranquilidade no duelo contra o Nacional uruguaio nas quartas de final da Libertadores. E, pior que o 1 a 1 do placar, foi perceber que o time brasileiro cometeu uma série impressionante de equívocos, o que minou suas possibilidades de, efetivamente, conseguir a vitória.

O Nacional é um time muito bem montado por Gerardo Pelusso. Fecha-se sem apelar à violência e tem um meio-campo que sabe tocar a bola. Pelas próprias limitações econômicas do futebol uruguaio, não reúne condições de manter grandes nomes, ainda que a chegada do atacante Biscayzacú (que teve grande passagem no México e uma apenas mediana no Colo-Colo) possa ser festejada. É uma equipe que merece respeito e cuidado, mas não temor.

Por isso, o Palmeiras tinha obrigação de entrar em campo disposto a sufocar os Bolsos. Não foi o que ocorreu. Vanderlei Luxemburgo pareceu impressionado com o currículo dos uruguaios e entrou com um time excessivamente cauteloso. Na frente, Keirrison era o único atacante de verdade. Enquanto isso, o sistema defensivo contava com três zagueiros e dois volantes.

A chance de o jogo ficar travado era grande, pois uma equipe não tinha tantas alternativas de criação e a outra simplesmente não se interessava em se abrir. Luxemburgo não demorou a perceber isso e decidiu realizar duas substituições ainda no primeiro tempo. A atitude até merece elogios pela ousadia: como era claro que a partida encalhou não havia motivos para esperar o intervalo. O problema foi a execução.

Colocar Marquinhos no lugar de Fabinho Capixaba foi natural. Ambos jogam pela direita, mas o titular era um lateral deslocado para a ala. Seu substituto é um meia-atacante que teria muito mais condições de imprimir velocidade na frente e abrir o jogo pela ponta. O problema foi a segunda alteração: colocar Obina no lugar de Souza.

A troca de um atacante por um volante é até compreensível. Mas Obina definitivamente não era a melhor escolha. O ex-flamenguista ainda está fora de forma, acabou de chegar ao Parque Antarctica e precisa lidar com sua própria má fase. Por seu perfil aguerrido e relativo entrosamento, Ortigoza ofereceria melhores condições. Não há como provar que o técnico tenha querido justificar a contratação de Obina ao colocá-lo, mas foi essa a impressão.

O Palmeiras até teve mais presença na frente, mas o time, como um todo, não melhorou. Fez um gol em jogada isolada que contou com a falha do goleiro uruguaio Muñoz. Poderia pressionar em busca do segundo gol, até porque o Nacional não ameaçava. Mas Luxemburgo achou que o os Bolsos estavam fortes demais no meio-campo e que o 1 a 0 seria um bom resultado: colocou o volante Jumar no lugar de Keirrison.

A substituição não fez muito sentido, mas foi potencializada pelo fato de o treinador ter sido vítima de sua armadilha. Como Obina entrou durante o jogo, sua saída seria vista como “queimação”. Assim, o ex-Coritiba acabou saindo, mesmo sendo tecnicamente superior e mais rápido que o novo colega.

O empate do Nacional surgiu em uma jogada isolada. Se o desvio de Morales não fosse o suficiente para bater Marcos, provavelmente a partida terminaria em 1 a 0. O que não apagaria o fato de o Palmeiras ter jogado mal, Luxemburgo ter elaborado uma estratégia equivocada e de o placar ser insuficiente para dar segurança para o jogo de Montevidéu.

Tecnicamente, o Alviverde tem condições de vencer o Nacional no Centenário. Ou, ao menos, de empatar por 2 a 2. Mas precisará melhorar muito. Os palmeirenses têm abusado do direito de passar aperto nessa Libertadores.

Incógnitas

O Cruzeiro vive melhor momento e tem mais opções do meio para frente. O São Paulo é mais experiente e mostrou não se intimidar com a torcida celeste no Mineirão. O duelo brasileiro pintou como o mais equilibrado das quartas de final da Libertadores. Depois do jogo de ida, fica como o mais misterioso.

Entre dois times de nível parecido, qualquer vantagem deve ser considerada. Assim, a vitória cruzeirense é significativa. No entanto, o 2 a 1 é perfeitamente reversível no Morumbi, o que deixa os são-paulinos ainda vivos. Mas o que torna o nome do classificado incerto não é a situação do placar, mas como estarão os times em si.

O Cruzeiro já não poderá contar com Ramires, o que tira o poder de meio-campo e a força com a qual o time chega ao ataque. Além disso, os mineiros mostram algumas vulnerabilidades defensivas. Tanto que, na partida de ida, dominaram as ações, mas tiveram de contar com a boa atuação de Fábio para neutralizar muitas das oportunidades criadas pelos adversários.

Do lado tricolor, a incógnita é ainda maior. Durante o Paulistão, Muricy Ramalho parecia convencido que Borges e Washington formavam a melhor dupla de ataque para o time. No entanto, Borges se contundiu, deu lugar a Dagoberto e as dúvidas voltaram. No fundo, isso apenas significa que nenhuma das alternativas foi suficientemente forte.e que novas experiências são possíveis.

Mas a situação mais crítica está no gol. Dênis só havia atuado duas vezes no time principal do São Paulo. Foram dois clássicos (ou quase isso), contra Portuguesa e Palmeiras. Nas duas partidas, teve atuação relativamente segura, sem comprometer e sem sofrer gol. O próprio clube usou isso para vender a ideia de que o ex-pontepretano poderia ser o sucessor de Rogério Ceni no futuro e muitos torcedores acreditaram que poderia, desde já, tomar o lugar de Bosco.

Depois da derrota para o Cruzeiro no Mineirão, pelas quartas de final da Libertadores, o São Paulo ficou na incerteza. Dênis teve boas intervenções, mas não dá para negar que falhou nos dois gols da Raposa. Até o jogo de volta, Bosco deve estar em condições de jogo e, em teoria, deve reassumir o posto de titular. A esperança de muitos tricolores – que não confiam no veterano reserva – era que Dênis aproveitasse a chance para dar a segurança que a equipe precisava. Não deu e os são-paulinos terão de aprender a conviver com isso.

Até dia 17, há muito tempo para os dois técnicos encontrarem respostas para essas interrogações. Quem tiver mais sucesso dará um passo fundamental em um duelo tão igual.

A corrida do puma

O Pachuca chegou à final com a vantagem de decidir em casa e o status de superlíder (primeiro colocado da fase de classificação) do Clausura. No entanto, é perfeitamente cabível afirmar que os Pumas de la Unam entram na decisão com as mesmas condições – e talvez até um ligeiro favoritismo.

A favor dos felinos está a fase por que passam as duas equipes. Depois de perder o jogo de ida das quartas de final por 2 a 0 para o Tecos de la UAG, a situação dos Pumas era bastante delicada. No entanto, o time da capital fez 3 a 0 na Ciudad Universitaria e se classificou para as semifinais.

Nas semifinais, o sofrimento foi até maior. Venceu o Puebla por 2 a 1 fora de casa e perdia por 2 a 0 em casa, mas faz o gol salvador aos 43 minutos do segundo tempo. A classificação veio pela vantagem no empate devido à melhor campanha na primeira fase.

Apesar dos tropeções, o Pumas tem peças-chave que crescem no momento decisivo. O zagueiro Verón, o lateral Velarde e o volante Castro têm sido figuras fundamentais na reta final do Clausura. Além disso, o adversário na decisão, o Pachuca, não faz uma Liguilla tão melhor. Os Tuzos também venceram fora de casa o jogo de ida das semifinais e caíram em casa. Mas o fizeram diante dos Indios, uma equipe tecnicamente muito inferior ao Puebla.

A situação pendeu ainda mais para o lado dos Pumas depois da partida de ida. O duelo foi muito equilibrado, com cada equipe dominando um tempo. Ainda assim, os capitalinos foram mais incisivos e venceram por 1 a 0. Com a vitória na Ciudad Universitaria, os felinos podem empatar em Pachuca para ficar com o título. Como não há vantagem de empate na decisão, os Tuzos precisam vencer por dois gols. Se vencerem por um, o troféu será decidido nos pênaltis.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção do site Medio Tiempo para as semifinais do Clausura mexicano: Cirilo Saucedo (Indios); Sergio Pérez (Puebla), Darío Verón (Pumas de la Unam), Duílio Davino (Puebla) e Efraín Velarde (Pumas de la Unam); Pablo Barrera (Pumas de la Unam), Israel Castro (Pumas de la Unam), Jaime Correa (Pachuca), Daniel Osorno (Puebla); Juan Pablo Rodríguez (Indios) e Christian Giménez (Pachuca). Técnico: José Luis Sánchez Solá (Puebla).

Costa Rica: Liberia joga… e ganha

Depois de um susto, uma ameaça de briga judicial, o Clausura do Campeonato Costarriquenho teve sua final. E o pivô da confusão, o Liberia, ganhou ânimo com a vitória nos bastidores e atropelou o Herediano na decisão.

A confusão já foi relatada na semana passada. Mas vai um resumão: no jogo de ida das semifinais, contra o Saprissa, o Liberia teve três jogadores suspensos por acúmulo de cartões amarelos. O clube apelou da suspensão. O pedido foi negado pelo Comitê Disciplinar da Fedefútbol (federação local), mas concedido pelo Tribunal de Conflito e Apelações. Com base nessa decisão os liberianos usaram o trio no jogo de volta, venceram e foram à final. O Monstruo Morado não gostou e entrou na Justiça e quase melou tudo.

Diante do risco de o campeonato não terminar devido à disputa, a federação resolveu fazer o óbvio: realizar uma reunião de conciliação entre Saprissa, Herediano e Liberia. Não houve consenso e a entidade decidiu unilateralmente: manteve a investigação a respeito da decisão do Tribunal de Conflitos e Apelações (pedido do Saprissa), mas manteve o resultado em campo (exigência do Liberia). Os três jogadores tiveram de cumprir sua suspensão no jogo de ida da final.

Isso explica o porquê de os liberianos terem mostrado mais força na segunda partida. Depois de um empate por 0 a 0 em casa, o time de Guanacaste fez 3 a 0 no Herediano e levou o título (o primeiro a fugir de Saprissa e Alajuelense desde 1994). Uma conquista inédita para uma equipe pequena, que subiu para a elite apenas em 2001 e cresceu em 2008, quando o empresário Mario Sotela passou a injetar dinheiro no time.

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Equipe Trivela

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