Com tons vermelhos

Acreditar no Cruz Azul é algo arriscado, sobretudo quando se trata em mata-mata. Os cementeros já conquistaram vários títulos, mas a dificuldade em vencer na última década se tornou motivo de gozações no México. Esta coluna acreditou nos azuis na semana passada. E caiu do cavalo.
A Máquina Cementera passou pelo Atlante com um empate em Cancun. Assim, chegou embalada para a final com o Toluca, que tem fama de time copeiro, mas andou derrapando em mata-mata nos últimos anos. Mesmo com jogo decisivo em Toluca, os capitalinos eram favoritos.
Pois é, mas nada disso valeu no jogo de ida, na última quinta no estádio Azul. Em 22 minutos de jogo, o Toluca já vencia por 2 a 0. Com experiência e o cenário favorável, restou aos choriceros controlar o adversário e voltar para casa com uma vantagem quase irreversível.
O grande destaque da partida foi o capitão Paulo da Silva. O paraguaio comandou a defesa mexiquense e bloqueou o ímpeto inicial dos cruzazulinos. A partir daí, o meio-campo com Sinha, Calderón e Ponce articularam as jogadas e se aproveitaram de uma falta de concentração exagerada do Cruz Azul. Da Silva abriu o marcador de cabeça, após cruzamento de Sinha aos 14 minutos. Oito minutos depois, Ponce ampliou a vantagem cobrando falta.
O impacto foi enorme. O Cruz Azul se perdeu em campo. Riveros e Torrado tentaram reduzir a desvantagem com chutes de fora da área sem muito critério. A pressão foi tão inócua que o Toluca esteve mais próximo do terceiro gol do que a Máquina Cementera de seu primeiro.
Considerando a experiência do Toluca e a pressão que a torcida proporciona no estádio Nemesio Díez (não à toa apelidado de La Bombonera), fica difícil imaginar que o Cruz Azul consiga a virada. No papel, o time até tem condição técnica para tal. Mas, para ter o título, os cementeros precisarão superar também seus traumas em jogos decisivos.
SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção das semifinais do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Hernán Cristiante (Toluca); Carlos Bonet (Cruz Azul), Edgar Dueñas (Toluca), Paulo da Silva (Toluca) e Jaime Lozano (Cruz Azul); Cesar Villaluz (Cruz Azul), Christian Riveros (Cruz Azul), Sinha (Toluca), Martín Romagnoli (Toluca) e Gerardo Torrado (Cruz Azul); Héctor Mancilla (Toluca). Técnico: José Manuel de la Torre (Toluca).
Mudança na hora errada
A LDU Quito está no Japão e, imagina-se, as notícias do clube virão do Oriente. Não tão cedo. Nesta quinta, o clube anunciou… seu novo técnico. O uruguaio Jorge Fossati foi anunciado como substituto de Edgardo Bauza para o ano que vem.
A saída era relativamente esperada e se dá por vontade de Bauza. O argentino alega cansaço e dificuldade em manter o nível de comando depois de dois anos e meio trabalhando com o mesmo elenco.
A imprensa equatoriana especula que o motivo real seria uma proposta do Barcelona de Guaiaquil, versão rechaçada pelo treinador. Bauza diz que só aceitará propostas de fora – já teria recebido sondagens de Brasil, México, Argentina e Arábia Saudita, segundo ele próprio – e pretende descansar até 15 de janeiro.
A data estipulada já deixa evidente que Bauza não pretende tirar uns meses sabáticos. Ou seja, tem jeito de que ele já aceitou algum outro convite logo para o início da próxima temporada.
O problema não é esse. A LDU deveria ter providenciado para que tal situação só fosse levada ao público depois do Mundial de Clubes. Uma troca neste momento deixa um ar de incerteza nos jogadores e na torcida. Menos mal que o contratado é Jorge Fossati, que trabalhou na Liga de Quito em 2004 – deixou o cargo para assumir a seleção uruguaia – e conhece o esquema de trabalho na Casa Blanca. Ainda assim, os blancos estão criando os motivos para uma derrocada no Japão.
Tri inédito
Com uma vitória por 4 a 1 sobre o perigoso Sol de América, o Libertad conquistou o Clausura paraguaio. Como os gumarelos já haviam levado o Apertura, acabaram conquistando o título da temporada sem necessidade de final. É o primeiro tricampeonato da história liberteña. O que ratifica ainda mais o domínio do time alvinegro no cenário guarani.
Cerro Porteño e Olímpia passam por momento de instabilidade, o que criou um vácuo de poder no Campeonato Paraguaio. Assim, ficou fácil para esse espaço ser ocupado pelo Libertad, que conta com apoio institucional – Nicolás Leóz foi dirigente do clube – e financeiro acima da média local.
Um sinal disso é como o clube consegue montar elencos relativamente fortes e, mais que isso, manter uma base por várias temporadas. Um exemplo disso é o meia colombiano Marín, destaque no título do Apertura que não deixou o time e acabou se tornando o herói do Clausura, ao marcar dois gols no jogo decisivo. O mesmo vale para o volante Cáceres, que teve um grande desempenho em 2007, foi sondado por várias equipes e ficou em Assunção.
O objetivo do clube, agora, é tentar manter o ritmo para a Libertadores. Em 2007, o clube teve bom desempenho no torneio, mas não passou da primeira fase no ano seguinte. Para o status do Libertad no momento, é preciso ter mais projeção internacional. Só assim para colocar definitivamente o pé no grupo de grandes do futebol paraguaio.
De novo, o tráfico
Independiente Medellín e América de Cali asseguraram, com uma rodada de antecipação, seus lugares na decisão do Finalización. Um duelo interessante, pois coloca frente a frente dois dos grandes clubes do país, deixando temporariamente de lado a tendência a times pequenos vencerem na Colômbia. O problema é que, na hora da final, mais uma vez questões policiais dividem espaço com a bola nos noticiários. E justamente envolvendo um dos finalistas.
A polícia colombiana prendeu 13 ex-dirigentes do Medellín. O motivo foi uma investigação sobre movimentação de dinheiro do narcotráfico. A operação ainda envolve outros três cartolas e foi motivada por uma suposta lavagem de US$ 20 milhões entre 1999 e 2005.
Como o caso envolve ex-cartolas do DIM, não deve haver impacto direto no elenco. Pelo menos em um primeiro momento. De qualquer modo, é mais um sinal de como a ligação entre futebol e tráfico de drogas é um fantasma que ainda persegue o futebol colombiano. E assombra até nos momentos mais agudos do campeonato.
Libertadores 2009
Vamos atualizar como ficará a edição 2009 do torneio mais importante das Américas. A cada semana, vão entrando os times que já estão definidos (em itálico, os clubes que entraram na tabela na última semana):
PRIMEIRA FASE (PRÉ-LIBERTADORES)
Colômbia 3 x Peñarol (URU)
Argentina 5 x Sporting Cristal*
El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)
Deportivo Cuenca (EQU) x Deportivo Anzoátegui (VEN)
Palmeiras x Bolívia 3
México 3 x Universidad de Chile (CHI)
SEGUNDA FASE
Grupo 1
LDU Quito (EQU)
Chile 2
Sport
Vencedor de Palmeiras x Bolívia 3
Grupo 2
Argentina 3
Guaraní (PAR)
Deportivo Táchira (VEN)
Vencedor de Equador 3 x Deportivo Anzoátegui
Grupo 3
River Plate (ARG)
Nacional (URU)
Peru 2*
Vencedor de El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)
Grupo 4
São Paulo
Defensor Sporting (URU)
Colômbia 2
Vencedor de Colômbia 3 x Peñarol
Grupo 5
Cruzeiro
Universitario de Sucre (BOL)
Deportivo Quito
Vencedor de Argentina 5 x Sporting Cristal*
Grupo 6
Lanús (ARG)
Everton (CHI)
Caracas (VEN)
México 2
Grupo 7
Grêmio
Aurora (BOL)
Boyacá Chicó (COL)
Vencedor de México 3 x Universidad de Chile (CHI)
Grupo 8
Argentina 4
Libertad (PAR)
Universitario (PER)*
San Luis (MEX)
* Como a federação peruana está suspensa pela Fifa, os clubes do país não estão assegurados na Libertadoers 2009. A Conmebol sorteou as vagas do Peru como “vacantes” e definirá a situação dos clubes do país até o fim do ano.



