México

Clausura Azul y Oro

O Pumas não foi o time mais técnico do Clausura 2011. Não foi o time mais ofensivo, não teve o melhor ataque e nem a melhor defesa. Não contou com o melhor jogador, nem o destaque do campeonato. Então podemos falar em título injusto, certo? Não, definitivamente esse foi o campeonato dos felinos.

Coletivamente, nenhum time soube jogar melhor, superar momentos ruins, oscilações em momentos decisivos e até manter a regularidade na primeira fase e conquistar o título sem grandes sobressaltos contra times mais técnicos.

Na primeira partida da decisão, no Morelos, os universitários pressionaram desde o início o time da casa, criando as melhores oportunidades e abrindo o placar na metade do primeiro tempo com um golaço do veterano Palencia, após falha da defesa purépecha em saída de bola.

O problema foi que a mesma pressão aplicada pelo Morelia a partir de então resultou no gol de empate dos canários, já na segunda etapa, com Luis Gabriel Rey achando o jovem Joao Rojas no meio de um buraco da zaga de Pedregal.

O empate com sabor de derrota foi importante para a Universidad entrar focada na segunda partida, consciente dos riscos oferecidos por uma equipe inferior tecnicamente, mas astuta contra os grandes aztecas.

Montada em um esquema defensivo na primeira partida, o time da capital soube segurar a pressão da equipe da força no fim do jogo e decidir o confronto na partida de volta. Nela, mesmo jogando pressionado, os Auriazules contaram com uma magistral jogada de Javier Cortés, aos 32 minutos do segundo tempo, para definir um placar igualado por dois pênaltis na primeira etapa.

Uma conquista que dificilmente permite um destaque individual, em uma equipe que tem como sua principal qualidade exatamente na junção de suas peças. Mesmo assim, dois nomes podem ser destacados.

O jovem técnico Guillermo Vázquez, ex-meia de destaque do próprio UNAM, assumiu o clube após a saída do brasileiro Ricardo Ferretti para o Tigres, ainda em 2010. Auxiliar de Ferretti desde 2006, Vázquez conseguiu montar um bom time no Apertura, mas após uma suada classificação, caiu na semi para o futuro campeão Monterrey.

Em 2011, “Memo” transformou os felinos na melhor equipe da primeira fase, invicta durante as 11 primeiras partidas. E mesmo após a contestada perda da invencibilidade para o lanterna Jaguares e a perda do posto de Superlíder para o Tigres (de Ferretti), manteve o favoritismo do UNAM na Liguilla.

Com substituições e apostas certeiras, conseguiu manter a equipe focada até mesmo na fase mais crítica da campanha, após a derrota na primeira partida das quartas para o então campeão Monterrey. Na volta, surpreendeu os Rayados com uma forte pressão e obteve a necessária vitória por 2×0 sobre um time que vivia a ressaca da conquista continental.

Mas se houve um nome que de fato foi determinante para a conquista do Pumas, esse foi Francisco Palencia. Aos 38 anos, o experiente meia/atacante soube conduzir um jovem time ao amadurecimento durante o torneio.

Atuando como única peça de ligação do meio com o ataque na maior parte dos jogos, chamou para si a responsabilidade nos momentos decisivos. Após fazer carreira no rival Cruz Azul, a chegada de Palencia a La U, em 2007, foi cercada de desconfianças, mas após duas conquistas nacionais, El Paco deve encerrar a carreira como ídolo felino.

Outros nomes chamaram a atenção e foram importantes em vários momentos da campanha, como a dupla de atacantes Martín Bravo e Dante López, e o artilheiro, mas irregular (e por isso reserva em boa parte da Liguilla), Juan Carlos Cacho. Ou ainda o capitão paraguaio Darío Verón e o goleiro Alejandro Palacios, autor de frangos desconcertantes, compensados com atuações impecáveis.

Revelação, o ala Javier Cortés, autor de precisas assistências e gol magníficos, como o do título, deve tornar-se alicerce da equipe nas próximas campanhas, além de possíveis convocações para a El Tri.

Com a hegemonia retomada no cenário nacional, para alegria de 45 mil torcedores que se reuniram na capital para comemorar, na próxima temporada os universitários terão de focar também competições continentais, fator que pode pesar contra caso o time não obtenha reforços para dividir-se entre dois torneios.

Com a taça, o clube leva seu quarto torneio curto no novo milênio, isolando-se na lista dos maiores vencedores da capital desde 2000, e superando os rivais Cruz Azul e América. A seca enfrentada pelos felinos na década de 1990 obriga a Universidad Nacional a dar uma importância maior para a Concacaf Champions League, a qual não vence há mais de 20 anos.

Uma necessidade vista por seus donos e por boa parte da torcida, visto que a visibilidade do time fora do país vem sendo menor que a de clubes muito menos populares no México, como Pachuca e Monterrey, que pelas recentes campanhas fora do país atraem a atenção da mídia estrangeira.

Com o crescimento internacional (com boas campanhas em torneios fora do país) de seus rivais nos últimos anos, boas campanhas continentais podem ser a chave do UNAM em busca do tempo perdido para Cruz Azul, América e Guadalajara.

Dentro de casa, a terceira final nas últimas quatro temporadas ou as sete participações na Liguilla nos últimos dez torneios já provaram o renascimento felino. Falta agora a retomada internacional. É bom ressaltar que, pelo menos história, o Pumas possui na competição continental, já que conquistou três vezes a taça na década de 1980.

O desafio agora será retomar o fôlego fora do território azteca e mostrar a importância de um gigante adormecido. Com o bom jogo coletivo do Pumas, o México pode não ser o limite para um time que quer retomar o seu espaço e já deu os primeiros passos para isso.

Liga de Ascenso

Após segurar o empate sem gols na casa do adversário, o Tijuana bateu o Irapuato por 2 a 1 e conquistou o acesso para a Primera División na próxima temporada. Com gols de Joe Corona e Mauro Genk (com Alejandro Molina descontando com um gol contra), os Xolos superaram os Freseros e, com apenas quatro anos de existência, alcançaram o primeiro nível do futebol azteca.

Com um time que mostra potencial (campeão sobre o tradicional Veracruz no Apertura e vice no Clausura para o próprio Irapuato), os Rojinegros ocuparão a vaga na divisão de elite que era do Necaxa, rebaixado para a segundona.

América bi no sub-20 e Atlas tri no sub-17

Após dois empates por 1 a 1 nas partidas de ida nas categorias sub-17 (contra o Guadalajara) e sub-20 (contra o América), o Atlas viu as igualdades se repetirem também nas finais da volta, mas com desfechos distintos.

No sub-20, após empate por 1 a 1 na prorrogação (com 0 a 0 no tempo normal), os Zorros foram derrotados nos pênaltis pelas Águias, enquanto no sub-17 a igualdade no tempo normal foi por 2 a 2, mas nas penalidades a Academia derrotou as Chivas no clássico local.

As conquistas marcaram o bicampeonato da sub-20 para o time de Coapa e o tri na sub-17 para o conjunto de Guadalajara, que se destacou pela força de sua base ao liderar ambas competições na fase regular. Sinal de boas safras futuras.

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Equipe Trivela

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