Chivas superou suas penúrias para reconquistar o Campeonato Mexicano depois de uma década

O Chivas Guadalajara atravessou mais de uma década afastado das glórias. Passou por momentos difíceis, em que temeu até mesmo o rebaixamento no Campeonato Mexicano. Mas o retorno ao topo guarda um gosto especial. Uma sensação única, que afligia dentro do peito, e se prontifica a romper. Neste domingo, os alvirrubros voltaram a levantar a taça nacional, a primeira desde 2006. O Rebanho Sagrado derrotou o Tigres por 2 a 1 no segundo jogo da decisão do Torneio Clausura, o suficiente para comemorar, após o empate por 2 a 2 na visita a Nuevo León. Foi a primeira conquista desde a inauguração do Estádio Omnilife, lotado com 50 mil pessoas para exaltar seus campeões. É o 12° título do clube, igualando o rival América como o mais vitorioso do país.
Desde a conquista do Apertura em 2006, o Chivas foi alijado do protagonismo no Campeonato Mexicano. Não disputou mais uma final sequer e, quando muito, chegava aos playoffs. O pior momento aconteceu a partir de 2012, quando o Rebanho Sagrado chegou a passar quatro edições consecutivas da liga sem avançar aos mata-matas e despencou na tabela do promédio. As trocas de técnicos eram constantes e os alvirrubros chegaram até mesmo a recorrer a Johan Cruyff como ‘conselheiro’, demitido meses depois. Nem a inauguração do moderno Estádio Omnilife impulsionou os resultado.
Um fator decisivo para o sucesso do Chivas veio com a contratação do técnico Matías Almeyda. O argentino, de grande trabalho pelo River Plate, chegou para recuperar o moral em Guadalajara. Desde setembro de 2015 no clube, demorou um pouco a engrenar na liga, mas recolocou os alvirrubros na parte superior da tabela. Além disso, conquistou duas edições da Copa do México, o Apertura de 2015 e o Clausura de 2017. Faltava apenas a reafirmação nos playoffs. O que aconteceu na atual edição do Clausura. Após terminar com a terceira colocação na fase de classificação, a equipe eliminou Atlas e Toluca com o regulamento sob os braços. Com o empate no placar agregado contra ambos, avançou graças à melhor colocação na etapa anterior. Já na decisão, teria uma pedreira e tanto contra o Tigres, equipe de maior sucesso no futebol doméstico durante os últimos anos.
O primeiro jogo da decisão elevava o ânimo dos felinos, que buscaram o empate por 2 a 2 depois dos 40 do segundo tempo, com dois gols de André-Pierre Gignac. Dentro de casa, todavia, o Chivas conseguiu se impor. Alan Pulido abriu o placar aos 21 minutos e José Juan Vázquez ampliou na segunda etapa. O Tigres esboçou uma pressão nos minutos finais, descontando com Ismael Sosa e atacando intensamente – inclusive, com um pênalti claríssimo que o árbitro não assinalou nos acréscimos. Assim, ficou mais fácil para o Rebanho Sagrado segurar a vantagem e recolocar a mão no troféu.
Vale relembrar que, por identidade, o Chivas Guadalajara conta apenas com jogadores mexicanos em seu elenco. A limitação valoriza o trabalho nas categorias de base, mas também dificulta a competitividade, considerando principalmente a capacidade de seus concorrentes em buscarem bons reforços em outros países do continente. Neste sentido, a superação dos alvirrubros é imensa. Oswaldo Alanís, José Juan Vázquez, Alan Pulido e Rodolfo Pizarro, nomes recorrentes na seleção mexicana, aparecem entre os protagonistas. Trazido do Querétaro, Orbelín Pineda se firma como um dos principais jovens da liga. Já a braçadeira de capitão ficou com o veteraníssimo Carlos Salcido, de volta ao clube em que despontou.
O equilíbrio do Campeonato Mexicano e o sistema de disputa geralmente deixam o cenário aberto. O que representa ainda mais as dificuldades do Chivas nos últimos anos e o valor de sua recuperação neste momento. Depois de longo período vendo os principais rivais se consagrarem, com o América emendando até mesmo dois títulos continentais, chegou a hora de voltar a sorrir. A festa no Estádio Omnilife dimensiona muito bem as expectativas que uma das maiores torcidas do país carregava consigo. Não à toa, mais de 100 mil vararam a noite nas ruas de Guadalajara para celebrar.



