Campeonato Mexicano enfim sinaliza retomada do rebaixamento, fim da multipropriedade e até mudança de formato
Diante dos fracassos recentes de clubes e seleções do México, as principais entidades do futebol mexicano apresentaram um pacote de propostas para reforma do esporte no país
O futebol mexicano está sob pressão nos últimos meses. O fracasso do país em diferentes âmbitos é inquestionável. A seleção do México caiu na primeira fase da Copa do Mundo como não acontecia há quatro décadas; os clubes da Liga MX perderam a hegemonia sustentada desde 2006 na Concachampions; a seleção feminina não se classificou para o Mundial nem sendo a sede do qualificatório e os times de base também acumulam insucessos. Nesta terça-feira, então, a federação e a liga anunciaram um pacote de mudanças e discussões. Entre elas, uma reforma ampla do Campeonato Mexicano, pensando em possibilitar o sucesso da seleção do México na Copa de 2026, que será parcialmente realizada no país.
A apresentação realizada na última terça-feira foi chamada de “Pacote de Reformas Estruturais para o Futebol Mexicano”. Segundo os responsáveis, ele “marca um antes e um depois no desenvolvimento esportivo” do país. “A FMF e a Liga MX reconhecem diversas problemáticas no futebol mexicano, evidenciadas a partir do desempenho da seleção nacional na Copa do Mundo e do diagnóstico que se apresentou. Com base nesse planejamento, passaremos a uma realidade totalmente distinta e positiva no futebol mexicano, já que fortalecemos tanto a estrutura de nossas equipes, as regras de competência e a seleção para maximizar nossas oportunidades rumo a 2026”, afirmaram as entidades
Algumas mudanças já foram definidas. A repescagem na classificação aos mata-matas da Liga MX vai acabar. Atualmente, 12 times passam à fase final do Apertura e do Clausura. O sistema voltará a contar com apenas oito classificados. Também serão reduzidos os estrangeiros permitidos por equipes, de oito jogadores para sete atletas. Entretanto, as metas mais necessárias serão debatidas ainda internamente entre os clubes.
Um dos pontos levantados pela federação e pela liga é o de retomar o acesso e o descenso no Campeonato Mexicano. Houve uma enorme virada de mesa que usou a pandemia como desculpa e, neste momento, está claro como não há benefícios esportivos para a competição. Todavia, tal ponto ainda dependerá dos donos dos clubes, em reunião marcada para maio. Outra proposta fundamental é a de acabar com o sistema de multipropriedade na Liga MX. Atualmente, uma mesma empresa pode ter mais de um time na primeira divisão. Enfim, o que soa por si como absurdo por conflitos de interesses e possíveis armações poderá ser abolido.
Até mesmo o formato do Campeonato Mexicano está em xeque. Desde 1996 a competição adota o sistema de liguillas, com a realização dos torneios Apertura e Clausura. O novo projeto é premiar apenas um campeão no ano. Entretanto, ainda não se sabe como seria o formato da Liga MX a partir disso. Mesmo com a mudança, haveria a necessidade de se disputar dois mata-matas por temporada, em decorrência dos contratos. Há a chance de se criar uma Copa da Liga ou um Torneio Intermédio, como no Uruguai, para ocupar o meio do calendário.
Por fim, mais um ponto focado pela federação e pela liga é a exportação de jogadores para o futebol europeu. As duas entidades querem, em conjunto com os clubes, pensar em estratégias para vender jovens talentos à Europa e assim potencializar o desenvolvimento. Durante a Copa do Mundo, a seleção mexicana possuía apenas nove atletas em atividade no exterior, o terceiro menor número entre os times de fora da Europa. Há um entendimento de que o nível da Liga MX não é suficiente para essa evolução.
Por enquanto, não há tanta certeza sobre o que será efetivamente realizado diante de tantos assuntos e da necessidade de aprovação dos donos dos clubes. Porém, o mero passo de abrir para o debate interno já é fundamental. Não é só isso que explica o fracasso na Copa do Mundo, por exemplo, com a insistência injustificável sobre Tata Martino. O insucesso na Concachampions também tem a ver com o fortalecimento gradativo na MLS. De qualquer forma, repensar decisões péssimas sobre a Liga MX e promover o desenvolvimento de jogadores sempre é bem-vindo.



