México

Calvário Rojinegro está apenas no início

Passadas sete rodadas do torneio Apertura mexicano  (para alguns clubes cinco ou seis, em virtude de partidas adiadas por causa da Concachampions) os clubes começam a definir por quais objetivos lutarão na temporada. Despontam alguns favoritos e outras incógnitas. Mas a grande decepção fica por conta do atual lanterna, o Atlas.

A Academia possui o pior ataque entre os clubes que já jogaram sete jogos, a segunda pior defesa, o saldo de gols mais negativo, além de ostentar as marcas de time com menos vitória e mais derrotas. Com os números acima fica fácil descobrir por que o Atlas segura a lanterna do torneio, atrás de sete times que ainda contam com menos partidas que a Furia.

Uma situação que preocupa ainda mais pelo fato de ocupar a 15ª colocação na tabela de descenso. O medo da repetição de 1978, ano da última queda do clube, se revela na pressão que começa a ser exercida no elenco e na comissão técnica. Contratado como esperança de bos campanha no início da temporada, o argentino Rubén Omar Romano, vice com o Santos no Apertura 2010, já é pressionado pela fraca campanha, sendo que a diretoria Rojinegra nem garantiu a permanência do técnico após mais um revés no fim de semana.

Para a temporada, o clube de Jalisco apostou em reforços de potencial duvidoso (como os atacantes Welcome, de Honduras e Puerari, do Uruguai, além do meia venezuelano Jesús Meza) e em sua promissora base, que conquistou a Superliderança nos últimos três torneios nacionais da sub-17 (e já se isolou no topo no atual Apertura) e no último Clausura sub-20, conquistando a vaga na Liguilla em todos os torneios da base nos últimos dois anos, acumulando títulos e diferenciando-se do time principal.

Pior, perdeu nomes relevantes do elenco na janela do meio do ano, como Gerardo Flores, Edgar Pacheco e Dárvin Chávez, todos jovens provenientes da base, com grande margem de progressão e seduzidos por propostas de clubes maiores.

O time, de fato, é jovem. Tanto que os Rojinegros lideram com folga a tabela de utilização de menores e já atingiram a cota exigida pela FemexFut na regra 20/11. O modelo, contudo, ainda não se mostrou efetivo, com uma equipe pouco consistente, principalmente pelo desempenho medíocre dos nomes mais experientes, que passam pouca confiança aos mais novos e respingam até em nomes que começavam a despontar no time principal.

As expulsões do confiável Néstor Vidrio e de Efren Mendoza na última rodada escancararam a falta de sangue-frio e o momento tenso pelo qual passa o time. O que também deixou claro que Romano dificilmente terá o comando do grupo. A dúvida é se a saída do treinador hoje pode aliviar ou complicar de vez a situação do clube de Guadalajara.

Já são seis torneios curtos sem ao menos aproximar-se da disputa por uma vaga na Liguilla. Isso sem considerar que a última “classificação”, no Clausura 2008, na verdade foi para a repescagem, na qual os Zorros foram eliminados pelo Necaxa antes mesmo de alcançar as quartas, quando de fato os playoffs começam.

É bem verdade que restam ainda dez partidas, e que, em um campeoanto tão equilibrado como a Primera División, os clubes oscilam muito em poucas rodadas. Entretanto, do mesmo modo que uma série de vitórias pode melhorar a situação Rojinegra, uma sequência ruim pode afundar de vez o índice do clube. Se levarmos em consideração que os Xolos possuem um elenco com muito mais potencial do que vem demonstrando, a briga em breve deve restringir-se a Querétaro, Estudiantes e alcançar o Atlas em breve. E reavivar o trauma do descenso.

Porteira aberta

Como bem pontuou o colega Matheus Rocha, colunista de Estados Unidos, na última semana, foram 49 jogos de invencibilidade dos times mexicanos contra rivais da terra do Tio Sam na Concachampions. Anos e anos de supremacia azteca e certeza de vitórias em casa. Um tabu que caiu por terra há duas semanas, quando o Dallas superou o atual campeão mexicano na casa do adversário.

O risco é de a porteira ter sido aberta de vez. Na semana passada, o Monterrey, atual campeão da própria Concachampions, também foi derrotado em casa por um time americano. Com um gol de Álvaro Fernández, o Seattle Sounders venceu o Rayados no Tecnológico e assumiu a liderança do grupo D.

Se a desculpa dos felinos para a derrota em seus domínios foi o time de reservas escalado na competição, o que demonstraria uma preferência pelo Apertura nacional, na última semana o time rayado contou com o que tinha de melhor em campo.

Se serviu de consolo o bombardeio realizado pelo Monterrey contra os norte-americanos, o desempenho medíocre dos aztecas, contudo, foi agravado por mais uma derrota, na qual o Santos caiu perante o Isidro Metapán, em El Salvador, jogando mal e de forma desorganizada.

Para completar, um empate sem gols contra o Tauro, no Panamá, deixou a UNAM na lanterna do grupo C, com apenas um pontos em duas partidas. O único a salvar a honra foi o Morelia, que se recuperou da derrota na estreia e goleou o Motagua por 4×0.

A questão é que o enorme domínio azteca em terras continentais, facilmente notado nas últimas temporadas, não se revela nesse início de temporada. Quer seja o momento, quer seja a atenção dedicada aos torneios, o fato é que os norte-americanos lideram todos os grupos, com um incrível aproveitamento de 83,33%, com seis vitórias e dois empates. Isso somente na fase de grupos.

Com defesas consistentes e sem grandes coleadas, os rivais oscilam menos que os times mexicanos, que demonstram irregularidas com grandes goleadas e derrotas em casa. Nada está definido, até por que faltam quatro de seis rodadas, mas, hoje, apenas Morelia e Monterrey estão na zona de classificação. Vale mais atenção e cuidado, sob pena de o domínio azteca na região passar para as mãos (ou pés) de seus maiores rivais.

CURTAS

México

– Com uma vitória por 2×1 no Clásico Capitalino contra o Pumas, no estádio Olímpico, o Cruz Azul alcançou a liderança do Apertura da Primera División, com 14 pontos, beneficiado pelo revés das Chivas frente ao San Luís, em Potosí, por 2×0;

– Outros resultados: Jaguares 1×1 Toluca, Pachuca 2×0 América, Monterrey 2×0 Santos, Atlas 0x1 Tigres, Atlante 2×1 Estudiantes Tecos, Tijuana 1×1 Querétaro e Morelia 0x0 Puebla.

Liga de Ascenso

– Com uma vitória mínima sobre o Cruz Azul Hidalgo, o La Piedad alcançou sua quarta vitória e lidera o Apertura após cinco rodadas, com 12 pontos. Com 11, aparecem Neza (que venceu por 1×0 o Necaxa) e León (que superou o Lobos BUAP fora por 2×1). Os Rayos estão em sexto lugar, enquanto os Tiburones de Veracruz aparecem na 15ª colocação.

Costa Rica

– O Alajuelense mantém-se na ponta do Campeonato de Invierno 2011, com 13 pontos e uma partida a menos que o Cartaginés (que tem 10). Com uma vitória mínima sobre o Orion, o Saprissa alcançou os seis pontos, mas continua em 9º lugar.

El Salvador

– Com um triunfo por 2×1, em casa, sobre o Atlético Marte, o Isidro Metapán chegou aos dez pontos e agora divide a liderança do Apertura com o Alianza, que não saiu do zero contra o UES, no Cuscatlán. Os Cementeros, contudo, tem uma partida a menos que os Capitalinos.

Guatemala

– Em casa, o Peñarol La Mesilla venceu o Zacapa por 2×1 e manteve-se na liderança do Apertura da Liga Nacional, agora com 16 pontos. O Suchitepéquez recuperou-se da goleada sofrida para os Fronterizos na rodada anterior e superou o Xelajú pelo placar mínimo para retomar a vice-liderança do Municipal, com 15 pontos.

Honduras

– O Marathon disparou na liderança da Copa Salva Vida e alcançou os 12 pontos em quatro rodadas com uma virada sobre o CD Vida por 2×1 na casa do adversário. Olimpia e Deportivo Savio, que empataram sem gols, dividem a vice-liderança com o Necaxa, que superou o Atlético, em Choloma, por 1×0, todos com sete pontos.

Panamá

– Com uma vitória tranquila sobre o Chepo, em casa, por 3×0 o Tauro manteve-se na ponta da Copa Digicel Apertura com 16 pontos. Os Toros são seguidos de perto pelo San Francisco, que superou o Árabe Unido na casa do adversário, por 3×2, e chegou aos 15 pontos. Àrabe e Sporting San Miguelito, derrotado pelo Alianza por 2×0, estão com 13 pontos.

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Equipe Trivela

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