México

Calvário Rayo

Quatro derrotas em quatro jogos. Nenhum gol marcado na competição. Terreno propício para o caminho à segunda divisão mexicana um ano depois do retorno. Esse é o cenário que enfrenta o Necaxa. Um dos mais tradicionais times do futebol mexicano que está perto de retornar ao tortuoso caminho da Liga de Ascenso.

Na sexta-feira o time sofreu mais uma derrota, dessa vez para o principal rival na disputa pela permanência na Primera División, os Gallos Blancos de Querétaro. A distância do percentual de pontos por jogo que define a disputa subiu para um patamar que dificilmente poderá ser mudado. E pior, a fase do time não ajuda.

Foram quatro derrotas pelo resultado mais simples que culminaram, nesse domingo, com a queda do técnico argentino Daniel Brailovski, contratado na sétima rodada do Apertura 2010 para substituir Omar Arellano, que havia comandado os Rayos na conquista do acesso em 2009/2010.

Poucos conseguem explicar de maneira clara as razões dos problemas enfrentados pelos Electricistas nos últimos anos. Tetracampeão do campeonato mexicano amador nas primeiras décadas do século XX, o clube passou por maus momentos com o advento do profissionalismo e só retornou às glórias quando o poderoso grupo Televisa assumiu as rédeas da agremiação, em 1988.

Com muitos investimentos, o Necaxa assumiu papel de protagonista no futebol azteca, onde, contando com nomes como o artilheiro Ricardo Peláez, o maestro equatoriano Alex Aguinaga e o argentino Sergio Zarate, conquistou o tricampeonato mexicano e encantou o país. Mundialmente, o time participaria do primeiro Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, no Brasil, conquistando o terceiro lugar após bater o poderoso Real. A classificação para a competição veio após o título da Copa dos Campeões da Concacaf, em 1999.

O curioso é que boa parte dos problemas do time talvez tenham origem justamente no controle do clube pelo grupo. O empresário Emilio Azcárraga Jean, que assumiu o comando da Televisa após a morte do pai, em 1997, possui o controle de outros clubes mexicanos. Boa parte da base campeã na década de 1990 foi desmembrada para fortalecer as ambições do América e até da seleção. Com isso, a cessão de atletas para outros times do grupo é um dos motivos para a falta de identidade dos atletas que defendem o clube. Muitos jogadores que passaram pelos Rayos tornaram-se reforços de clubes mais populares, enfraquecendo a agremiação.

Outro problema foi a queda de popularidade do clube. A base de torcedores locais Electricistas, que cresceu na década de 1990, foi praticamente abandonada com a mudança do clube para Aguascalientes, em 2003.

O clube ainda busca um rumo para seguir no atual futebol mexicano, algo difícil de imaginar enquanto não forem resolvidas as próprias questões internas. Já há quem pregue a venda do clube por parte da Televisa.

O que aflige a torcida é o tempo, que se torna cada dia mais curto, para a recuperação do time. E que o desempenho na atual temporada acabou por tornar urgente para o sucesso do Necaxa nos próximos anos. Mesmo com muitos reforços (em que pese o fato de poucos com sabor de verdadeiras estrelas), 2011 deve ser um ano sofrível para o tradicional time mexicano. E até para o futuro do clube.

Seleção mexicana

Na última semana, José Manuel de la Torre anunciou sua primeira convocação no comando da “El Tri”. Apenas com jogadores que atuam no futebol azteca, o selecionado se reúne primeiro para um período de treinos de três dias (de segunda à quarta), ainda sem os atletas de Jaguares, San Luís e América, que possuem compromissos pela Libertadores.

As atividades servem de preparação para o primeiro amistoso do México, no próximo dia 9 de fevereiro, contra a Bósnia-Herzegovina, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Chepo, como é conhecido o treinador, chamou cinco jogadores do Toluca, clube que treinou durante três temporadas, até assumir a seleção, e pelo qual foi bicampeão da Primera División. Já das Chivas, onde iniciou a carreira, tanto de técnico como de jogador, e pelo qual conquistou seu primeiro caneco da Liga mexicana, apenas um jogador foi lembrado.

Contratado com o objetivo de dar uma nova cara e renovar parte do grupo da El Tri, já visando 2014, nessa primeira convocação Torre optou por, além de dar chances a atletas da nova geração, dar crédito aos que reconhecidamente correspondem as expectativas, casos de Pérez, Torrada, Magallón e Sinha, únicos com mais de 50 partidas pela seleção e todos com mais de 30 anos (à exceção de Magallón, com 29).

Sinha, aliás, é um caso à parte. O próprio já reconheceu que não pensa em disputar a próxima Copa e deve dar adeus ao futebol até 2012. Mesmo assim, aos 34 anos, o brasileiro naturalizado mexicano continua como homem de confiança dos treinadores do México. Deve atuar mais como guia dos mais jovens, repassando experiência e comandando o grupo.
Dos remanescentes da Copa de 2010, apenas quatro jogadores: Torrado, Aguilar, Magallón e Torres Nilo.

Entre os novatos, apenas Talavera e Zavala ainda não estrearam pela seleção principal. Mas as maiores expectativas são depositadas nos jovens Edgar Pacheco e Néstor Calderón. Mais novos do grupo, ambos com apenas 21 anos, vêm de excelentes temporadas por seus clubes e espera-se que sejam figuras atuantes na nova cara que Chepo quer dar ao grupo Tricolor.

Confira a lista:

Goleiros: Jesús Corona (Cruz Azul) e Alfredo Talavera (Toluca);

Zagueiros: Paúl Aguilar (Pachuca), Iván Estrada (Santos), Leobardo López (Pachuca), Édgar Dueñas (Toluca), Jonny Magallón (Chivas Guadalajara), Hugo Ayala (Tigres), Jorge Torres Nilo (Tigres) e Gerardo Rodríguez (Pachuca);

Meias: Gerardo Torrado (Cruz Azul), Israel Castro (Pumas UNAM), Jesús Zavala (Monterrey), Antonio Ríos (Toluca), Antonio Naelson Sinha (Toluca) e Luis Pérez (Monterrey)

Atacantes: Edgar Pacheco (Atlas), Elías Hernández (Morelia), Néstor Calderón (Toluca), José María Cárdenas (Santos), Aldo de Nigris (Monterrey) e Juan Carlos Cacho (Pumas UNAM).

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Equipe Trivela

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