México

Calvário dos grandes mexicanos na segundona

Com partidas movimentadas, de muitos gols e apenas um empate em sete duelos, foi disputada no último fim de semana a 10ª rodada do Clausura 2012 da Liga de Ascenso. Entre os resultados, dois chamaram a atenção por envolverem equipes tradicionais do futebol mexicano e demonstrar as situações opostas vividas por times que já conquistaram o título da Primera División. Ou seja, tinham tudo (torcida, história, etc.) para estar na elite, mas vivem as amarguras do segundo escalão.

Criada em 1994, a segunda divisão do futebol azteca teve seu nome alterado para o atual em 2009, com o terceiro nível passando a ser chamado de “Segunda División”. O objetivo inicial de unir forças com algumas equipes do futebol norte-americano nunca foi autorizado pela FIFA, mas alguns times importantes no cenário nacional já passaram por lá.

Entre os 15 clubes que disputam uma única vaga na elite, dois se destacam pela importância no cenário mexicano, ao mesmo tempo em que se divergem nos caminhos tomados e na fase atual. Enquanto o Necaxa, recém-rebaixado, derrotou fora de casa o La Piedad e assumiu a vice-liderança, caminhando a passos largos para garantir vaga nos playoffs, o Veracruz sofreu uma humilhante goleada por 5×2 para o líder León e vê cada vez mais diminuírem suas chances de vaga na Liguilla.

Um dos mais antigos clubes aztecas, o Necaxa teve como ponto alto de sua história o tetracampeonato na década de 1930 do Primera Fuerza, o nacional mexicano disputada em sua era amadora, até os anos 1940. Após um período de baixa, o time voltou a figurar no grupo dos grandes ao ser comprado pela Televisa, em 1988. Abastecido pela fortuna da família Azcárraga, os Rayos trouxeram o vitorioso técnico chileno Manuel Lapuente, além de ótimos nomes sul-americanos, como Alex Aguinaga, Sergio Zarate e Ivo Basay, todos cotados por times europeus, formando o esquadrão que ficou conhecido como “Once Hermanos”, vencedor de três títulos nacionais e uma Copa dos Campeões da Concacaf, que credenciou a equipe para a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, em 2000.

Após esse período dourado, contudo, contratações equivocadas, trocas constantes de comando e turbulências administrativas jogaram os Electricistas em uma grave crise técnica, com o time longe da briga pelo título e em constante duelo contra o descenso. A queda se consumou novamente na última temporada (após um breve retorno), mas o clube não agiu de forma precipitada dessa vez. A direção reorganizou a equipe em torno dos principais (e veteranos) nomes e pouco contratou, diferente de temporadas anteriores com o clube na briga contra o rebaixamento.

No Apertura, o time rojiblanco classificou-se em sexto lugar e caiu logo nas quartas para o Neza FC. O discurso da diretoria era de que o time estava sendo reorganizado e que os bons resultados viriam na segunda parte da temporada. Com o segundo lugar no momento, além da série de cinco partidas sem derrotas (sendo quatro delas vitórias), os Rayos, dirigidos pelo brasileiro Tita, ex-Flamengo, vem abrindo vantagem na briga pela vaga nos playoffs. Mata-mata, aliás, que o time precisa vencer caso queira manter as chances de subir logo na primeira temporada.

Em situação totalmente oposta encontra-se o Veracruz. Bicampeão nacional na década de 1940, logo após serem fundados, os Tiburones Rojos viveram um sobe e desce constante entre a elite e o segundo nível do futebol mexicano. Em meados da década passada, o clube notabilizou-se por ter sido adquirido pelo governo do estado de Veracruz, após sucessivas quedas e subidas (confira aqui).

A troca de comando pouco surtiu efeito e o time caiu em 2008, mantendo-se nas últimas três temporadas na Liga de Ascenso. Apesar de brigar pelo acesso, a diretoria pouco conteve os gastos com o elenco, mesmo com a equipe arrecadando menos em sucessivas temporadas fora da elite. O resultado foi que, ao fim do Clausura 2011, mesmo com a vaga nos playoffs obtida em campo, o clube foi desqualificado da competição e desfiliado da Femexfut pelo não-pagamento das taxas com a FMF e suas afiliadas.

O rebaixamento só não foi consumado por que um grupo de investidores, encabeçados por Rolando Reyes e Eduardo Torres apresentaram uma proposta com as garantias de pagamento. Além disso, a proposta incluiu a fusão do clube com os Albinegros de Orizaba, de propriedade do governo do estado, extinto devido a falta de pagamento aos jogadores.

Os planos iniciais de aproveitar o bom elenco e retornar ao topo do futebol mexicano logo na primeira temporada caíram por terra, já que o reflexo da indefinição da situação administrativa começou a aparecer em campo. Eliminado da fase final pelo saldo de gols no Apertura, os Tiburones ocupam um modesto 10º lugar no Clausura, pouco para uma das mais tradicionais equipes aztecas.

Se o fraco planejamento e as constantes alterações na equipe e no comando dela (incluindo a parte diretiva) levaram dois dos mais tradicionais e antigos clubes mexicanos ao segundo escalação, a forma como ambos vem agindo e os resultados alcançados divergem muito e podem significar a redenção e o fim de times que teriam tudo para brilhar na elite. Rayos e Tiburones são grandes, têm história, títulos, mas mostram que o futebol azteca e seus clubes ainda correm atrás na questão do planejamento para manter os grandes em seu devido lugar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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